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Estratégia

O combate à corrupção precisa de uma abordagem global

É hora de pautar de forma organizada a institucionalização dos sistemas de integridade como ferramenta de Estado

Publicado em 10 de Dezembro de 2018 às 20:56

Públicado em 

10 dez 2018 às 20:56

Colunista

Edmar Camata e Luciano Caparroz Santos*

Desde 1996, países integrantes da ONU buscam tornar a luta contra a corrupção uma estratégia verdadeiramente global. Em 2003, a Convenção das Nações Unidas contra a Corrupção concretizou esse desejo. A partir de então, o dia 9 de dezembro passou a ser o Dia Internacional Contra a Corrupção, data em que entidades de todo o mundo – como ocorreu no ES – se unem para debater o tema e traçar estratégias.

Falar de corrupção é falar das nossas maiores chagas. Ela está na fome e na miséria, no desemprego, no quebra-quebra das empresas, na duplicação de uma rodovia que não sai, na poluição.

Reduzir a corrupção é possível, mas exige entender que é uma mudança cultural que noutros países demandou duas ou três décadas de dedicação. Dedicação produtiva, contudo, pois entrega resultados dificilmente atingíveis por outras ferramentas.

Há exemplos - vários - de sociedades que mudaram o sistema político para que sirva a interesses puramente coletivos. É o cerne da luta contra a corrupção, pois esta custa 5% do PIB global, ou 2,6 trilhões de dólares - número suficiente para convencer qualquer sociedade a se mobilizar em prol de mudança.

Há um dever de casa a ser feito, e o ano de 2019 deve ser visto como janela de oportunidade. Há de se focar em meios de controle que sejam claros, objetivos e efetivos. Encorajar o bom gestor é necessário. Dar ao corrupto a certeza da condenação, uma obrigação.

Na área pública ou privada, a trapaça não pode levar ninguém mais distante que o mérito. O lobby ilegal não pode impulsionar um projeto de lei mais que evidências acadêmicas, estatísticas ou sociais debatidas à luz do dia. Inversões de toda ordem nos levaram a um solo fértil para a corrupção, e o afastamento político de cada um de nós adubou esse processo.

É hora de pautar de forma organizada e produtiva a institucionalização dos sistemas de integridade como ferramenta de Estado. A redução da corrupção produz resultado social e induz o desenvolvimento econômico. E não uma luta apenas de governos ou organizações.

*Os autores são, respectivamente, especialista em gestão pública; advogado e diretor nacional do Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral

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