As origens do carnaval, segundo as melhores fontes, remontam à Mesopotâmia, Grécia e Roma antiga, e nos remetem aos festivais babilônicos que tinham em comum uma subversão temporária dos papéis sociais. Assim, na festa de Sacéias, o prisioneiro tomava o papel do rei com toda a sua pompa, mas logo depois era chicoteado e morto. Por outro lado, na ocasião em que se celebrava o ano novo na região, o rei se despia do seu poder, era surrado em frente à estátua do deus Marduk numa demonstração de submissão à divindade para, então, retornar ao trono.
Muito do carnaval atual procede também das festas pagãs greco-romanas como as bacanais (Baco era o deus grego do vinho - Dionísio para os romanos), das saturnálias e lupercálias, que em dezembro e fevereiro, reuniam multidões em Roma para comer, beber e dançar. Aqui também os papéis sociais eram invertidos durante a folia.
No Brasil, o carnaval remonta ao período colonial a partir do Entrudo, uma festa proveniente de Portugal, realizada pelos escravos. Mais tarde foram incorporados cordões, ranchos, danças de salão, afoxés, frevos, maracatus e marchinhas. Por fim, esse festival se tornou sofisticado com os desfiles das escolas de samba que mostram riqueza de infraestrutura, adereços e alegorias.
A ideia básica que subsiste no carnaval é a diversão e isso em si não tem nada de errado. O compositor João Roberto Kelly diz que "O carnaval é uma grande brincadeira" (Veja de 17/01/18). A questão é que tudo na vida tem limites e quando esses limites são ultrapassados as consequências podem ser trágicas. Esse é o risco que muitos correm no período da folia.
Alguns limites que precisam ser observados nesses dias:
1) Limite da honra e da dignidade das pessoas - O ser humano tem um alto valor intrínseco e este não pode ser vulgarizado por atitudes que atentam contra a sua integridade.
2) Limite do respeito aos direitos do outro - Cada pessoa deve ser respeitada no seu espaço. Assim, é preciso evitar por todos os meios que, nas brincadeiras, se falte com o respeito que é devido a todos.
3) Limite dos riscos para a vida e a saúde - Fala-se que "viver é arriscado". Pode ser, mas em algumas situações esse risco é ampliado. O carnaval não pode, em nome da diversão, justificar excessos que atentam contra a vida e a saúde, própria e de terceiros.
*O autor é pastor emérito da Primeira Igreja Batista em Jardim Camburi, Vitória