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Carlos Alberto Di Franco

O Brasil pode dar certo

A autoestima do brasileiro está lá em baixo. É preciso recuperar o equilíbrio entre a informação de denúncia e o jornalismo construtivo

Publicado em 29 de Junho de 2018 às 15:24

Públicado em 

29 jun 2018 às 15:24
Carlos Alberto Di Franco

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Carlos Alberto Di Franco

Jornalismo: é preciso mostrar as chagas, mas também é necessário iluminar a cena Crédito: Roman Kraft/ Unsplash
Impressiona-me o crescente espaço destinado à informação negativa. A autoestima do brasileiro está lá em baixo. Nós, jornalistas e formadores de opinião, contribuímos com essa visão sombria quando ficamos reféns de pautas superficiais. A vida é feita de luzes e sombras. É preciso mostrar as chagas, mas também é necessário iluminar a cena.
 
Os problemas estão gritando na nossa frente: corrupção, crise econômica e perigosa agonia da política. Mas o pior legado, de longe, é a morte da esperança. O jornalismo de catástrofe é o grande propagador das fake news. Mostra um país em lá menor e oculta o Brasil que madruga, trabalha, empreende e dá certo.
É preciso recuperar o equilíbrio entre a informação de denúncia, urgente e necessária, e o jornalismo construtivo. É o que farei neste breve comentário. Vou focar num serviço público de qualidade: o Poupatempo.
O Brasil do corporativismo, da impunidade do dinheiro e da força do sobrenome vai, aos poucos, abrindo espaço para a cultura do trabalho, da competência e do talento.
O Programa Poupatempo, criado em 1997 pelo então governador Mário Covas para facilitar a vida dos cidadãos, completou 20 anos com índice próximo de 100% de aprovação dos usuários última pesquisa anual divulgada em março deste ano.
Desde a sua fundação, prestou mais de 580 milhões de serviços; o número é mais do que o dobro da população total do Brasil. Neste ano, foi eleito pelo quarto ano consecutivo o Melhor Serviço Público de SP pelo Datafolha.
Um levantamento feito pelo Instituto de Identificação da Polícia Civil de São Paulo, a pedido do Poupatempo, mostra que 504 idosos com mais de cem anos renovaram o RG nos últimos dois anos nos postos Poupatempo. Em 2015, uma cidadã de 115 anos esteve no Poupatempo de Pindamonhangaba para renovar o RG. Maria Benedita Pereira da Silva nasceu no dia 9 de agosto de 1900 e acompanhou uma virada de milênio, duas guerras mundiais e oito trocas de moedas brasileiras.
É isso, amigo leitor. O Brasil do corporativismo, da impunidade do dinheiro e da força do sobrenome vai, aos poucos, abrindo espaço para a cultura do trabalho, da competência e do talento.
Neste Brasil sacudido por uma tremenda crise ética, alimentada pelo cinismo e pela mentira dos que deveriam dar exemplo de integridade, há, felizmente, uma ampla classe média sintonizada com valores e princípios que podem fazer a diferença. E nós, jornalistas, devemos escrever para a classe média. Nela reside o alicerce da estabilidade democrática. O que segura o Brasil é o cidadão comum. É o trabalho honrado e competente. É o empreendedorismo que consegue superar o terreno minado pela incompetência. É o empresário que toca o negócio e não dá propina. Sou otimista. Apesar de tudo.

Carlos Alberto Di Franco

É jornalista e bacharel em Direito. Especialista em Jornalismo Brasileiro e Comparado. Doutor em Comunicação pela Universidade de Navarra. Neste espaço, jornalismo e sociedade têm destaque

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