É muito simples a equação da corrupção: ela não se resolve sem o encontro do corruptor com o corrupto e se estabelece prioritariamente onde os tecidos institucionais aparecem esgarçados. O Brasil tem funcionado como uma incubadora desse mal, razão de tanto descrédito popular com a política atualmente. Mensalão, petrolão e tantos outros escândalos superlativos riscaram também a imagem do Brasil no exterior. Aos poucos, contudo, o estigma começa a ser desfeito.
Tanto que nesta semana o país recebeu uma boa notícia. Um levantamento da Transparência Internacional com 44 economias que representam 80% das exportações globais mostrou que o Brasil avançou no combate à corrupção transnacional. Deixou de ser classificado como uma nação com “pouca ou nenhuma aplicação” de empenho para o combate ao pagamento de propina, a pior posição, para ser avaliado como um país de “aplicação moderada”, a segunda categoria mais alta. Estamos na companhia de países como a Suécia, veja só. Não significa que a corrupção tenha sido exterminada, mas que está sendo combatida com mais rigor.
É um progresso relevante, pois é a primeira vez que o país caminha para frente desde que foi incluído no levantamento em 2007. Há um marco global para o comportamento dos países, que precisam investigar e punir as empresas que promovam a corrupção no exterior. São essas diretrizes que alimentam o relatório “Exportando Corrupção 2018: Avaliando a Aplicação da Convenção Anti-Suborno da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE)”.
Os mais céticos podem minimizar esse êxito. Mas, no ambiente doméstico, basta conferir os feitos recentes da Lava Jato. Na África do Sul, a força-tarefa recebeu um prêmio da Associação Internacional do Ministério Público pelas conquistas no combate à corrupção e no fortalecimento do estado democrático de direito. O recado está dado, não há mais espaço para a impunidade.
Ainda há muito o que avançar, claro. Mas, como o próprio relatório indica, o Brasil não está sozinho nesta jornada. O combate à corrupção é um desafio global, que exige respostas e investigações coordenadas entre os países. Com mais cooperação internacional para frustrar corporações corruptoras e governos corruptos, um novo mundo é possível, com ambientes institucionais e de negócios mais saudáveis.