A estimativa é de que algo em torno de 100 magnatas marcarão presença no WEF (World Economic Forum), nesta semana, em Davos, na Suíça. Esse seleto grupo, segundo cálculos da agência Bloomberg, congrega um patrimônio invejável de cerca de US$ 500 bilhões. Curiosamente, e até paradoxal, um dos temas centrais a ser tratado será “economias mais justas”, juntamente com a questão da sustentabilidade ambiental. Aliás, dois temas que se interconectam e em efervescente debate no mundo.
Diferenças entre ricos e pobres sempre existiram no mundo. A questão é que mesmo com os sucessivos avanços tecnológicos transformadores, capitaneados sobretudo por diversas revoluções industriais, que sem dúvida também proporcionaram avanços em termos de qualidade de vida das pessoas, as desigualdades sociais ainda persistem. E a constatação no momento é de que vem aumentando.
O mundo das revoluções industriais começou em meadas do século XVIII, na Inglaterra, e estendendo-se pela Europa Central, com a descoberta da máquina a vapor. E o que a histórica econômica nos mostra é que em todas as três revoluções industriais ocorridas produziram-se seletos grupos de ricos.
Tivemos os magnatas do aço, do petróleo e do automóvel. Não seria estranho, portanto, termos agora magnatas da era pós-industrial, da era digital ou da 4ª Revolução Industrial: Warren Buffet, Bill Gates, Jeff Bezos, Carlos Slim e outros poucos mais. Hoje, as riquezas acumuladas dos dois mil indivíduos mais ricos do mundo suplantam as riquezas detidas por 60% da população mundial.
O aumento das diferenças entre ricos e pobres, expressas por meio de indicadores de desigualdade, do ponto de vista da dinâmica econômica, acaba impondo restrições crescentes ao crescimento econômico e, consequentemente, ao desenvolvimento. Em síntese, o aumento das desigualdades funciona como limitador do potencial de crescimento de uma economia.
Já se detecta, por exemplo, redução na taxa potencial de crescimento da economia americana em razão da redução relativa da massa de renda da população em geral. Outro exemplo é o Chile. Mas também em economias da Europa esse fenômeno é detectado.
Portanto, nada mais justo que o tema desigualdades entre na pauta dos mais ricos. Sinal de que o fenômeno os incomoda.