O ano de 2017 terminou. Não foi fácil. É passado, não há remédio, mas é um importante espelho para 2018, quando teremos Copa do Mundo, que por certo deixará milhões de cidadãos anestesiados. Cerveja, carvão, samba e um bom churrasco não faltarão nas lajes e piscinas de residências e condomínios durante o evento.
Além disso, teremos novas eleições gerais e a oportunidade de escolher o futuro que queremos para o nosso país. A Constituição Federal completará 30 anos em 5 de outubro deste ano, e em seu artigo 1º estabelece que o Brasil é um Estado Democrático de Direito, e que todo o poder emana do povo, que o exerce por meio de representantes eleitos.
Democracia é partilha do poder. É o campo da vida comum, a vida em que todos estamos juntos. Partilhamos o poder, querendo ou não, mas podemos fazê-lo de modo submisso ou democrático, omisso ou presente. Estamos dentro da democracia e precisamos seguir suas consequências. Democracia é também responsabilização pelo contexto em que vivemos: pelo resultado das eleições, pela miséria, pela insegurança, pelas desigualdades sociais, pelas mortes de nossas crianças e jovens, os dinheiros nas malas, nas cuecas, nas contas no exterior, pelo cenário inteiro que produzimos por ação ou omissão nos levou a perder a inocência, entretanto, continuaremos a votar como inocentes?
É dever do cidadão eleitor olhar para o passado para reflexão e avaliar a experiência brasileira diante da política como governabilidade e projeto de sociedade da qual participam todos os cidadãos. Olhar para as relações que conseguimos construir entre a democracia e a realidade brasileira. Nas eleições gerais de 2018, a consciência do povo brasileiro será desafiada a conjugar, como nunca antes, os seus direitos públicos com os valores da República e da democracia.
A próxima eleição nacional não terá a abundância de recursos financeiros, teremos vários partidos políticos mudando de nome, notícia falsas e manipulação de informações nas redes sociais canalizando milhares de comentários, um frenesi virtual para construção e desconstrução de candidaturas.
Apuremos, então, os nossos sentimentos para a esperança que há nas razões de termos optado em vivermos em uma República Democrática de Estado de Direito.
Nesse cenário, a Justiça Eleitoral tem a responsabilidade de organizar as eleições gerais em todo o território nacional e o fará com eficiência, como tem feito nos últimos 30 anos. Entretanto, na democracia, o poder emana do povo e a responsabilidade de escolha do candidato é do eleitor. Feliz 2018, o ano da esperança.
*O autor é juiz e presidente da Associação dos Magistrados do Estado (Amages)