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Carnaval

Novo Império: nosso papel é carnavalizar a vida

É pisar leve no mundo, compreendendo o samba como ferramenta de transformação da realidade local

Publicado em 01 de Fevereiro de 2018 às 17:06

Públicado em 

01 fev 2018 às 17:06

Colunista

Criada em 1956, a Novo Império pode ser traduzida de fato como um escola de samba cuja organicidade é retroalimentada permanentemente na relação indissociável com sua comunidade. Constituída por famílias pertencentes à classe trabalhadora, a Associação Cultural nascida na Vila Rubim optou por assumir seu papel político de carnavalizar a vida, compreendendo a carnavalização como uma ação incansável de socializar, para a sociedade racista, aquilo que ela não viu e não vê nas escolas, na mídia, nas famílias, nas igrejas: que existem outras formas de praticar a fé, de cortar o cabelo, de dançar e produzir tecnologias.

Carnavalizar para Novo Império é não naturalizar a má utilização do recurso público. É reconhecer e valorizar efetivamente que sem as pessoas anônimas que atuaram ofertando o lanche e a água gelada nos barracões, doando alimentação, atuando na confecção de materiais de acabamentos para os carros e fantasias realizados nas casas mais simples das comunidades, dando a carona e o tempo dedicado à limpeza da quadra seria impossível qualquer agremiação desfilar.

Carnavalizar a vida é pisar leve no mundo, sentindo-se na obrigação de compreender o samba como ferramenta de transformação da realidade local e poder, através de um enredo, contar histórias que traduzem a luta e resistência dos oprimidos. Neste sentido, homenagearemos, honrosamente o centenário do Sindestiva, por reconhecer a luta desse importante sindicato para garantia dos direitos dos trabalhadores portuários de nosso Estado.

Na Novo Império, a Velha Guarda realmente coordenou, construiu e desfilou a escola por décadas. A Rainha da Bateria é da comunidade! Os mestres-salas e portas-bandeiras são da comunidade! Os sambas são compostos e disputados em grande parte por compositores da comunidade. O mestre e os diretores de bateria são da comunidade! E os ritmistas não são importados, pois são crias de nossa comunidade. E assim vamos construindo uma outra possibilidade de promoção da cultura do samba, marcada pela transparência administrativa, diálogos permanentes, mesmo que dolorosos, e com a força do coletivo de anônimos apaixonados pelo pavilhão azul, branco e rosa de Caratoíra.

*O autor é diretor executivo e diretor de carnaval da Novo Império

 

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