Se de um lado o Fundap contribuiu para o desenvolvimento do Espírito Santo, por outro escondeu ou acomodou nossas deficiências infraestruturais por um largo período. O incentivo creditício que funcionou por mais de 40 anos como uma espécie de subsídio às empresas importadoras pode ter funcionado como fator inibidor de iniciativas mais arrojadas na melhoria das nossas vias de conexão com o resto do país. E aqui estamos falando de portos, rodovias, aeroporto e ferrovias. Se bem observarmos, pouco ou quase nada se fez de novo durante todos esses anos.
A perda de competitividade e o fim do Fundap realçaram a importância da necessidade de o nosso Espírito Santo melhorar seus elos estratégicos de intercâmbio comercial com o mundo exterior e com o próprio mercado interno. Curiosamente, apesar de dispormos de uma invejável infraestrutura exportadora - contando com um eficiente sistema portuário e ferroviário -, não logramos avançar na infraestrutura que nos conecta, por exemplo, ao núcleo central da economia brasileira, o Sudeste e Sul do país.
Nossa economia aprendeu e cresceu funcionando predominantemente como uma plataforma de oferta para fora do país, por meio das exportações, e para dentro da economia brasileira, principalmente usufruindo do Fundap.
Quem mais ganharia seria o Sul do Espírito Santo, que inclusive vem perdendo dinamismo econômico há anos. Mas, para o Estado, poderá se transformar no que foi o Porto de Tubarão e, em seguida, a duplicação da ferrovia Vitória-Minas para sua economia
No entanto, a questão central que se coloca agora é que essa infraestrutura de transporte e também portuária atual não nos credencia a dar um salto mais arrojado, quantitativo e qualitativo. Tudo bem que a duplicação da BR 101 já está em curso, o aeroporto novo já está funcionando, e também é possível ver avanços na BR 262. Mas vale a luta por uma ferrovia que nos possibilite, no futuro, um acesso mais competitivo com o Sudeste e Centro–Oeste e por um porto que possa funcionar como hub de base industrial, uma plataforma logística.
É dessa forma e com essa perspectiva que vemos a ferrovia Vitória–Rio de Janeiro, cuja primeira etapa viabilizaria a conexão de Vitória com o Porto Central, em Presidente Kennedy, no Sul do Estado. Teríamos, assim, um eixo ferroviário que conectaria praticamente todos nos portos do Estado, integrando três plataformas logísticas: Aracruz, Região Metropolitana e Sul. E mais: com a perspectiva de continuidade da ferrovia até integrar-se ao sistema Sudeste pelo litoral. Hoje, essa conexão somente é possível via Belo Horizonte.
Quem mais ganharia com esse cenário seria a Região Sul do Espírito Santo, que inclusive vem perdendo dinamismo econômico há anos. Mas, para o Espírito Santo, poderá se transformar no que foi o Porto de Tubarão e, em seguida, a duplicação da ferrovia Vitória-Minas para sua economia. Ou seja: um novo marco no desenvolvimento e na integração regional. Vale a batalha!
*O autor é economista