Uma das maiores surpresas da escalação do time de Casagrande (PSB) até agora, o cientista político Vitor de Angelo, futuro secretário de Educação, aproximou-se dele voluntariamente, por afinidade de pensamento. Mesmo sem filiação, já estava colaborando com Casagrande nos últimos anos, em questões ligadas à educação. Já o deputado Sergio Majeski (PSB) chegou a ser cotado pelo governador eleito para ser secretário de Ciência e Tecnologia. Mas essa ideia perdeu força pois, no último dia 7, Majeski informou a Casagrande que só teria interesse em se licenciar do próximo mandato para comandar a Secretaria de Educação (vaga agora já preenchida).
Saúde faz mal à saúde
Apesar da proximidade de Paulo Foletto com a área (o deputado é médico), emissários de Casagrande têm dúvidas se ele teria as melhores condições para assumir a desgastante Secretaria de Saúde. No momento, Foletto se recupera de nova cirurgia. “O secretário de Saúde não pode parar um segundo. É demandado o tempo todo a resolver problemas urgentes”, diz auxiliar de Casagrande.
Sendo assim...
Mais plausível que Foletto assuma a Secretaria de Agricultura.
Oxigenação no PSB
Se Foletto se licenciar do mandato, quem herda a vaga na Câmara é o jornalista Ted Conti (PSB). É uma incógnita, mas um aliado de Casagrande acredita que Conti será fiel e pode representar oxigenação no PSB. Inclusive, gente próxima ao governador eleito defende que essa reciclagem de quadros no PSB-ES é necessária. Pedindo passagem à velha guarda de dirigentes socialistas, há uma nova geração formada por Tyago Hoffmann, Majeski, Sérgio de Sá, Rogelio Pegoretti, Fábio Damasceno, Felipe Rigoni e Conti.
Freitas bem na fita
Considerado muito leal a Casagrande, o deputado estadual Freitas (PSB), que ficou na 1ª suplência da coligação PSB/DC na Assembleia, tem boas chances de ser convidado para algum cargo no segundo escalão do próximo governo.
Marcelo caiu bem
A escolha de Marcelo Santos (PDT) como último líder de Paulo Hartung na Assembleia não passou pelo crivo de Casagrande, mas agradou a ele. Marcelo é visto como cumpridor de acordos.
Polo político
No Encontro de Lideranças, Casagrande fez um discurso sem novidades, surpresas nem anúncios grandiosos. Foi “pé no chão”, na expressão usada por ele próprio. Surpreendeu mesmo foi na escolha do visual: informalzão, vestindo camisa polo, diferentemente de outros palestrantes, que preferiram terno e gravata. Hartung, por exemplo, foi de blazer.
“Mais mansos”
Além de dispensar o traje fechado, Casagrande, apesar da seriedade da sua exposição, também mostrou leveza e despojamento em alguns momentos. O editor-chefe da TV Gazeta, André Junqueira, recebeu-o lembrando as circunstâncias mais tensas do encontro anterior dos dois: o debate final da TV Gazeta, no 1º turno. “Mas meus adversários ali eram mais mansos”, disse Casagrande, para a plateia formada por empresários e políticos capixabas, tentando quebrar o gelo.
Tranquilo era o debate...
Após a exposição de Casagrande, Junqueira lhe dirigiu uma bateria de perguntas. Deu um “aperto” no governador eleito. Em dada altura, Casagrande fez uma pequena troça com o jornalista: “Ele tá achando que é debate...”
Pulou da cadeira
Junqueira perguntou a Casagrande se anistiar PMs grevistas não passa um recado ruim à sociedade (de impunidade). Casagrande, que havia se sentado, chegou a se levantar para responder a essa pergunta, com o intuito de mostrar firmeza. E assim continuou quase até o fim.
Voltou para a cadeira
Anunciada (de novo) como chefe de gabinete de Casagrande, Valésia Perozini (PSB), que o acompanha desde o início em Castelo, mantém-se como a colaboradora mais forte e influente de Casagrande. Ele ainda se consulta e se aconselha com ela sobre cada decisão.
“Vem cá, Jacqueline!”
Falando em mulheres fortes do próximo governo, nos cinco anúncios de secretários realizados até agora, Casagrande tem feito questão de prestigiar a sua vice, Jacqueline Moraes (PSB), sempre ao lado dele em cada entrevista coletiva. Na última, Casagrande posou para uma foto entre todos os quatro recém-anunciados. Jacqueline estava à parte. Ele a chamou na frente de todos, em tom paternal: “Cadê Jacqueline? Jacqueline, pelamordedeus! Vem pra cá, ué!”
Para constar dos autos
Falando na vice, lá no fim do período da formação da chapa (de julho para agosto), houve, sim, pedido explícito de Sérgio Vidigal (PDT) para que sua mulher, Sueli Vidigal (PDT), fosse a vice de Casagrande. Ele não topou por entender que, se atendesse ao pedido, daria margem para que outros dois aliados solicitassem o mesmo em favor das respectivas mulheres: Marcus Vicente (PP) para Naciene (PP) e Theodorico Ferraço (DEM) para Norma Ayub (DEM).
O papel de Lenise
Cogitada por Casagrande naquele período para a mesma vaga de vice, Lenise Loureiro (PPS) acaba de ser anunciada por ele para a Secretaria de Gestão e Recursos Humanos. Seu maior papel será... acabar com o papel no governo, informatizando todos os processos.
Vitor Vogas é jornalista com atuação na imprensa capixaba há quase 20 anos. Cobriu várias eleições. De 2008 a 2021, trabalhou na Rede Gazeta, como repórter e colunista de Política. Também foi comentarista da CBN. Em 2026, após passagens por veículos da Rede Capixaba e do Grupo Sim, voltou a assinar esta coluna. Aqui, diariamente, você encontra informações de bastidores e análises em profundidade sobre o cenário político do Espírito Santo.