Luiz Paulo Vellozo (PSDB) jantou ontem na casa do deputado federal Marcus Vicente, presidente estadual do PP. Articulações na mesa. O PP quer emplacar candidato a vice-governador
Em Vila Velha, na eleição a deputado federal, o ex-prefeito Neucimar Fraga (PSD) é candidatíssimo, desde o dia seguinte à sua derrota para Max Filho (PSDB) em 2016. Rodney Miranda (DEM), no momento, também mantém candidatura a uma das dez vagas na Câmara, mas essa resolução pode mudar a depender da definição eleitoral do governador Paulo Hartung (PMDB), seu líder e guia político. Já Hércules Silveira (PMDB), novamente cotado para pleitear uma cadeira no Congresso, tende a ficar mesmo, mais uma vez, acomodado onde já se sente bem, buscando um quarto mandato sucessivo na Assembleia Legislativa. O cenário para os três será abordado aqui, detidamente, a partir de hoje, começando por Neucimar Fraga.
Entre todos os pré-candidatos no Estado – e não só a deputado federal –, Neucimar é, provavelmente, o que está em ritmo de campanha mais frenético, literalmente de Norte a Sul do Estado. Só na semana passada, calcula ter visitado dez cidades. “Consegui fazer de Ecoporanga (extremo Norte) a Presidente Kennedy (extremo Sul)”, vibra ele. Para tanto, Neucimar está aproveitando uma senhora ajuda que Hartung lhe concedeu em março de 2017: o cargo de subsecretário estadual de Desenvolvimento.
A intensidade da movimentação de Neucimar se justifica. Após um início meteórico na vida pública – de vereador direto para federal em 2002, reeleito na Câmara em 2006 e eleito prefeito em 2008 –, ele hoje se encontra em curva francamente descendente. Acumula três derrotas seguidas nas urnas: 2012 para prefeito, 2014 para senador e 2016 de novo para prefeito. Assim, voltar à Câmara Federal é questão de sobrevivência política para ele. Como se comenta em Vila Velha, uma 4ª derrota consecutiva poderia transformá-lo em uma espécie de Vasco Alves 2.0: sempre ali, comparecendo, mas nunca exercendo mandato.
Ciente disso, Neucimar está otimista. Diz que a candidatura dele é prioridade não só dele, mas do PSD no Estado, e trabalha com a meta de alcançar sozinho 120 mil votos, assim divididos: de 40 mil a 60 mil votos em Vila Velha e outros 60 mil fora do município. Como se vê, Neucimar não pretende concentrar a sua campanha na cidade que já governou.
“Minha eleição sempre foi pulverizada”, justifica, reforçando a afirmação com estatísticas pessoais: em 2002 (na época, com ajuda de Magno Malta), teve 14 mil votos em Vila Velha e 25 mil fora. Já em 2006, teve 18 mil votos em Vila Velha e 54 mil fora. “Hoje espero uma votação bem maior em Vila Velha do que a que tive em 2006. E fora do município, a mesma coisa. Pelas andanças que tenho feito, vejo que é possível.”
A estratégia de Neucimar de intensificar a campanha além das divisas canelas-verdes passa pela aritmética eleitoral, mas também por um cálculo político: é também uma maneira que ele tem de fugir ao “cerco” que, supõe-se, o prefeito Max Filho, seu arquirrival na cidade, pode tentar fazer à sua candidatura. Especula-se que Max pode lançar à Câmara Federal vários candidatos de seu grupo político, sem densidade eleitoral. Na manga do prefeito, estariam o vice-prefeito, Jorge Carreta (PSDB), e até o ouvidor-geral da prefeitura, Alexandre Salgado (ex-PTC). O objetivo seria não necessariamente eleger um deputado federal, mas acima de tudo tirar votos valiosos de Neucimar no próprio reduto.
Ao mesmo tempo, Neucimar pode ter como adversário doméstico outro velho conhecido, outrora oponente nas urnas, atualmente colega no governo: o também ex-prefeito de Vila Velha Rodney Miranda. É o tema de uma próxima coluna.
VIDIGAL SEM COMPROMISSO
Nos bastidores, uma certeza desponta: o deputado federal Sérgio Vidigal, presidente estadual do PDT, não considera ter compromisso nenhum de renovar o apoio a Paulo Hartung ou ao candidato deste ao governo em 2018. Vidigal vai seguir a determinação da Executiva nacional do PDT, seu primeiro e único compromisso.
PDT e PSB
Essa determinação pode ser, inclusive, a de apoiar Casagrande no Espírito Santo, caso o PSB e o PDT fechem aliança em torno da candidatura de Ciro Gomes (PDT) à Presidência da República.
MÁGOAS COM AMBOS
Diga-se de passagem, Vidigal tem muito pouco a agradecer e nada a retribuir tanto a Hartung como a Casagrande. No governo do socialista, viu Casagrande apoiar Audifax (então no PSB) a prefeito da Serra, filiar Vandinho Leite, também da Serra, inflá-lo como secretário estadual de Esportes e lançá-lo a deputado federal. Já no atual governo, apesar do apoio de Vidigal a Hartung na campanha de 2014, o PDT participou muito pouco da gestão em espaços estratégicos.
PLANOS DO CASAL FERRAÇO
Theodorico Ferraço (DEM) pode ser candidato a deputado federal. Nesse caso, sua mulher, Norma Ayub (DEM), desce para “deputada estadual”. Mas, se Ferração for novamente candidato a estadual, Norma não lançará candidatura a nada. Certo mesmo é que não se adaptou a Brasília e não deseja seguir na Câmara.
NORMA DE VOLTA PRA CASA
Quem confirma a informação sobre Norma é Rodney Miranda, presidente estadual licenciado do DEM. “Ela não se adaptou a Brasília. E quer fazer política perto de casa, porque quer voltar a ser prefeita de Itapemirim”, explica ele.
Vitor Vogas é jornalista com atuação na imprensa capixaba há quase 20 anos. Cobriu várias eleições. De 2008 a 2021, trabalhou na Rede Gazeta, como repórter e colunista de Política. Também foi comentarista da CBN. Em 2026, após passagens por veículos da Rede Capixaba e do Grupo Sim, voltou a assinar esta coluna. Aqui, diariamente, você encontra informações de bastidores e análises em profundidade sobre o cenário político do Espírito Santo.