Herta Torres*
Nos últimos anos, muito se tem falado sobre diversidade. O tema tem vindo à tona nos mais variados ambientes e protagoniza debates, por vezes acalorados, na televisão, no cinema, nas salas de aula e nas redes sociais. O mercado de trabalho não está imune à essa discussão nem tampouco impassível diante do assunto. Ao contrário. Guiadas pela necessidade de construir uma sociedade mais igualitária, as empresas têm se visto à frente de novos desafios e buscam se adaptar a um modelo mais inclusivo de negócio.
A inserção das mulheres na força de trabalho é uma dessas frentes. Dados em nível mundial, recentemente divulgados pela Organização Internacional do Trabalho (OIT), revelam que enquanto 75% dos homens com mais de 15 anos estão no mercado, entre as mulheres essa proporção é de 48,5% (março/2018). Em março deste ano, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou pesquisa mostrando que apenas 37,8% das posições de liderança no país são ocupadas por mulheres.
Para que se consiga ampliar esses números e reduzir as diferenças, é preciso mudar a cultura e a forma de lidar com a questão. Há quem considere, por exemplo, que as desigualdades de gênero no mercado de trabalho são uma forma de preconceito contra as mulheres e que seu contraponto seria, então, adotar uma postura de mais tolerância.
Mas esse não é o caminho. Na ideia da tolerância está implícita a noção de que o outro seja portador de diferenças inatas que precisam ser toleradas por aquele que se julga em um nível mais elevado. Como dizia o escritor José Saramago, a tolerância não basta. “Quando se tolera, apenas se concede, e essa não é uma relação de igualdade, mas de superioridade de um sobre o outro”, afirmava o consagrado português.
E realmente não é disso que o mercado precisa. Longe de tolerar, é imprescindível que se aprenda a reconhecer o trabalho que a mulher vem executando, indubitavelmente com maestria, nas organizações. Essa avaliação vem da experiência de quem atua hoje com pelo menos 60% das posições de lideranças diretas de mulheres, com resultados igualmente satisfatórios.
Somente homens e mulheres unidos por um senso comum em torno de um bem-estar universal serão capazes de produzir mudanças em situações que têm inferiorizado as mulheres ao longo da história. Só assim superaremos diferenças e seremos capazes de aproveitar, integralmente, a diversidade incontestável da humanidade.
*A autora é gerente de Comunicação e Relações Institucionais de uma produtora de aço