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Vida digital

Não compartilhar: o melhor remédio contra as fake news

A forma mais eficiente de combater as fake news terá que vir do comportamento do consumidor de informações. Precisamos superar o impulso de compartilhar tudo

Publicado em 29 de Junho de 2018 às 14:28

Públicado em 

29 jun 2018 às 14:28

Colunista

Fake news são ameaças para eleição Crédito: Ilustração/Arabson
O melhor remédio contra as fake news (notícias falsas) que circulam aos milhares nas redes sociais parece ser a recomendação dada pelo professor e jornalista José Antonio Martinuzzo no Talk Show CBN realizado no último dia 20: quem recebe mensagens de conteúdo duvidoso não deve “agir por impulso” e compartilhá-las sem antes checar a sua veracidade. Como? Recorrendo à chamada “mídia tradicional”, jornais impressos ou on-line editados por empresas jornalísticas idôneas.
Martinuzzo acentua que esse é o papel do jornalismo profissional nesses tempos de profusão de informações digitais divulgadas por qualquer pessoa: o papel de “separar o joio do trigo” e fazer valer a credibilidade da informação bem apurada, publicada com responsabilidade e com a ética recomendada de ouvir a versão de todas as partes envolvidas, como recomendam os manuais do bom jornalismo.
De fato, muitas propostas que têm sido feitas para combater as fake news têm o vício de caírem na censura e na dificuldade de apuração das responsabilidades que viabilizaria a punição dos autores. O WhatsApp, por exemplo, impossibilita a identificação da origem das mensagens e, convenhamos, não é razoável prender ou punir quem simplesmente, por ingenuidade, repassa uma informação falsa. É isso que está sendo proposto em projetos que tramitam no Congresso Nacional e em sugestões dadas ao Tribunal Superior Eleitoral que, corretamente, está buscando controlar as fake news que possam influenciar o voto nas próximas eleições.
Tais propostas já foram devidamente criticadas pelo Conselho Nacional dos Direitos Humanos, que chama a atenção para a importância de serem preservados o direito à informação e a liberdade de expressão. Ou seja, não faz sentido que, com a melhor das intenções (combater as fake news), sejam arranhadas conquistas fundamentais da nossa incipiente democracia.
É claro que os casos em que ficar comprovado o propósito de falsear informações e a origem da divulgação os responsáveis devem ser devidamente punidos. Mas, provavelmente, esses serão casos raros, e a punição certamente virá depois que o estrago já tiver sido feito.
Por isso, a forma mais eficiente de combater as fake news terá que vir do comportamento do consumidor de informações, como propõe Martinuzzo. Precisamos, assim, superar o nosso impulso de compartilhar tudo que nos chega. Se as mensagens duvidosas deixarem de ser compartilhadas, os seus efeitos serão minimizados.
E quem gastar dinheiro para financiar grupos disseminadores de fake news ficará, merecidamente, no prejuízo.
 
 

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