As eleições deste ano vão exigir muito comprometimento dos brasileiros, não só na hora de fazer a melhor escolha nas urnas, mas também durante a campanha, quando serão bombardeados de informação por todos os lados. Só que nem sempre ela será acurada. É um momento político que exigirá toda atenção, voltada principalmente a uma ferramenta há algum tempo incorporada ao dia a dia, para facilitá-lo: o WhatsApp. O mesmo aplicativo que consegue aproximar as pessoas também pode distanciá-las dos fatos.
As chances de o comunicador se tornar uma terra sem lei são reais; já tivemos prévias suficientes que mostram os perigos, como a onda de boatos que se sucedeu após a morte da vereadora Marielle Franco. O aplicativo mais popular do país é um campo minado, até mesmo por ter se tornado uma necessidade para muita gente. Conecta pessoas que estabelecem relações de confiança baseadas em laços sociais, não em rigor informativo. O problema é que tudo se confunde. O WhatsApp é útil, diverte, mas também alimenta a rede de mentiras que se aproveita da boa-fé e da falta de critérios dos usuários comuns. Por isso, é tão importante adotar posturas mais cuidadosas. “Na dúvida, não compartilhe” deve ser um lema. A falta de controle e de transparência do aplicativo também contribui para que boatos se tornem verdades sem nenhuma comprovação, dificultando a punição. Para se ter uma ideia, a empresa, adquirida pelo Facebook em 2014, não possui funcionários no Brasil.
A imprensa, portanto, terá um papel fundamental na limpeza da sujeira deixada por quem deliberadamente deseja promover a desinformação. Veículos como este jornal têm o método jornalístico ao seu lado, a única forma de garantir a informação de qualidade.