Chegou a vez de Donald Trump enfrentar pela primeira vez um dos momentos mais simbólicos para um presidente dos EUA: o discurso sobre o Estado da União ao Congresso. Na terça-feira, todos os olhos do país estarão sobre o republicano, e os seus aliados esperam que ele seja capaz de incentivar a união entre os americanos, após um ano de retórica explosiva desde a sua cerimônia de posse. Autoridades da Casa Branca contaram à imprensa alguns detalhes sobre como será o tão aguardado pronunciamento, mas muitos temem que o presidente saia do script para improvisar, passando longe das orientações da sua equipe, como já fez diversas vezes antes.
Apresentar uma mensagem periódica ao Congresso é um dos deveres constitucionais do presidente, mas a Constituição não estipula muitas diretrizes sobre como deve ser o pronunciamento. Na mensagem, o chefe da Casa Branca normalmente trata de questões domésticas e de política externa, apresenta uma agenda legislativa e expõe sua visão de futuro para o país.
Segundo autoridades relataram ao "The Washington Post", Trump deverá elogiar o seu governo pela melhora da economia americana, atribuindo o seu crescimento continuado ao novo plano tributário dos republicanos. Além disso, deverá falar de comércio, infraestrutura, segurança nacional e imigração — este último um dos assuntos mais polêmicos desde a sua campanha presidencial, quando o então candidato propôs a construção de um muro na fronteira, até o momento atual, em que o Congresso se vê sob forte pressão para chegar a um acordo sobre o tema, para evitar uma segunda paralisação temporária de serviços públicos.
Os relatos são de que Trump não adotará tom tão populista e nacionalista, como fez no seu discurso de posse, em janeiro do ano passado, no qual entoou "EUA primeiro! EUA primeiro!". À reportagem do "Post", um dos responsáveis por redigir o discurso prometeu um discurso que "ressoe com os nossos valores americanos e nos una com patriotismo".
Se se mantiver ao texto original, o presidente deverá pedir US$1 bilhão ao Congresso para a reconstrução de pontes, estradas, sistemas de saneamento e aeroportos. E também deverá pedir apoio popular para os seus planos de imigração, que visa a tornar o sistema de concessão de vistos mais rigoroso e, ao mesmo tempo, em concessão aos democratas, a conceder a cidadania para até 1.8 milhão de jovens imigrantes.
— O discurso deixará claro que todos os grupos estão se beneficiando desta Presidência — disse uma autoridade da Casa Branca, segundo o "Guardian", enquanto Trump mantém baixas sem precedentes de popularidade entre mulheres, negros e latinos.
Há dois anos, em seu último discurso da União, o ex-presidente Barack Obama lamentou a polarização e o sentimento de rancor político que já dava sinais nos Estados Unidos, ao longo de uma muito acirrada campanha à Casa Branca. Agora, a missão de Trump será, justamente, tentar contornar todas as críticas que diversas das suas declarações polêmicas provocaram, sob acusações de contribuir às divisões políticas entre os americanos.