Publicado em 21 de março de 2026 às 17:34
Nunca tivemos tantos alimentos diferentes para escolher o que comer.>
Tanto é verdade que, às vezes, pode ser difícil saber quais nutrientes devemos priorizar a cada dia. Será que devemos nos concentrar mais na proteína, fibras ou vitamina C?>
Para facilitar a escolha, pesquisadores analisaram mais de 1 mil alimentos crus e classificaram os que fornecem melhor equilíbrio para atender nossas necessidades nutricionais diárias.>
Aqui estão sete deles, com os motivos que justificam sua inclusão na nossa próxima lista de compras.>
>
As amêndoas são ricas em ácidos graxos monoinsaturados e vitamina E.>
Descobriu-se que seu consumo regular pode ajudar a combater o diabetes e promover a saúde cardiovascular, reduzindo o colesterol "ruim" e promovendo o "bom" colesterol.>
Em um estudo, cientistas pediram a 77 adultos que ingerissem 320 calorias em amêndoas ou biscoitos todos os dias, por 12 semanas.>
Todos os participantes apresentavam fatores de risco de doenças crônicas, como doenças cardíacas ou diabetes tipo 2, incluindo hipertensão arterial.>
Ao final das 12 semanas, os que comeram amêndoas apresentaram níveis mais baixos de colesterol "ruim", melhor saúde intestinal e menos inflamações.>
Um estudo de 2022 envolveu 87 pessoas que comeram uma porção de amêndoas inteiras ou moídas, ou um muffin, todos os dias por quatro semanas.>
A conclusão foi que comer amêndoas inteiras ou moídas aumenta a ingestão de ácidos graxos monoinsaturados, fibras, potássio e outros nutrientes importantes.>
Os pesquisadores descobriram que os níveis de butirato eram significativamente mais altos entre os participantes que comeram amêndoas. O butirato é um ácido graxo de cadeia curta que alimenta as células que revestem o cólon.>
Estas células fornecem condições ideais para o desenvolvimento dos micróbios intestinais, para a saúde e fortalecimento das paredes intestinais e para a melhor absorção de nutrientes.>
Além disso, as pessoas que comeram amêndoas apresentaram 1,5 movimento intestinal por semana a mais que os outros grupos.>
Esta verdura é uma rara fonte alimentar de betalaínas, um fitoquímico com qualidades "neuroprotetoras". Isso significa que ela pode ajudar a proteger o nosso sistema nervoso contra lesões e os efeitos do envelhecimento.>
"A acelga vermelha contém nitratos, que ajudam o corpo a produzir óxido nítrico, uma molécula sinalizadora que melhora a saúde da nossa circulação, segundo William Li, presidente e diretor médico da Fundação Angiogênese, uma organização norte-americana sem fins lucrativos dedicada à prevenção de doenças.>
Isso ajuda a reduzir a pressão arterial, melhora o fluxo sanguíneo e cura o revestimento de vasos sanguíneos que podem ser lesionados durante o envelhecimento, explica ele.>
A acelga vermelha também contém polifenóis, incluindo quercetina, kaempferol e isorhamnetina, que são "poderosos antioxidantes que protegem nossas células e ajudam a reduzir inflamações", destaca Li.>
Ela também é uma boa fonte de fibras e contém magnésio (necessário para a energia celular), vitamina K (para a coagulação do sangue) e luteína, que é importante para a saúde dos olhos e do cérebro.>
A acelga vermelha é especialmente benéfica para os idosos que desejam melhorar o fluxo sanguíneo, preservar a saúde da visão e cuidar da saúde cerebral, cardíaca e vascular em geral, segundo Li.>
A melhor forma de consumir a verdura, segundo ele, é não cozinhar demais, o que retiraria parte dos nutrientes. Ele também destaca que as folhas da acelga vermelha armazenam a maior parte dos nutrientes benéficos.>
Esta verdura pertence à família Brassica, que também inclui o brócolis, o repolho e a couve-kale.>
O agrião contém alto teor de vitaminas do complexo B (B1, B2, B3 e B6), além das vitaminas C e E, cálcio, magnésio, ferro e polifenóis.>
Ele também contém luteína e beta-caroteno, que ajudam a preservar a saúde dos olhos e as funções imunológicas.>
Comer agrião regularmente também pode ajudar a reduzir as inflamações do corpo (que, como se sabe, aumentam o risco de doenças cardíacas e diabetes a longo prazo) e os níveis de colesterol "ruim".>
O agrião também contém isotiocianato de fenetila, um composto natural ligado à capacidade de reduzir o crescimento de células cancerígenas. Sabe-se que o agrião é a melhor fonte desta substância, ao lado do brócolis.>
A Jornada Mundial de Psiquiatria declarou o agrião como a principal planta antidepressiva, em um estudo de 2018. Isso se deve à sua densidade de nutrientes, incluindo ferro, ácidos graxos ômega-3, magnésio, potássio e vitaminas.>
A beterraba é largamente consumida. Mas, quase sempre, nós comemos apenas as raízes.>
As folhas da beterraba costumam conter níveis mais altos de proteínas e minerais, além de compostos fenólicos associados à atividade antioxidante, segundo o pesquisador Luís Gustavo Sabóia Ponte, da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), e professor da Universidade Paulista (Unip) e do Centro Universitário Senac.>
"Na prática, a beterraba é comumente compreendida como a própria raiz e é assim que ela costuma ser vendida, preparada e relembrada no dia a dia", explica ele.>
"Por isso, as folhas normalmente ficam de fora dos hábitos alimentares comuns e, muitas vezes, são simplesmente descartadas.">
"Os hábitos culturais definem profundamente o que é considerado comestível ou desejável", prossegue Ponte.>
"E, em alguns contextos, as partes folhosas dos vegetais são consideradas secundárias ou simplesmente desconhecidas da cozinha do dia a dia.">
Isso se aplica também a inúmeros outros vegetais, muitos deles também repletos de nutrientes, segundo o professor.>
As folhas da beterraba contêm compostos benéficos como cálcio, ferro, vitamina K e vitaminas do complexo B, especialmente riboflavina.>
Os participantes de um estudo de 2019 com adultos obesos e acima do peso com altos níveis de LDL (o colesterol "ruim") comeram folhas de beterraba secas e congeladas por quatro semanas e seu LDL foi reduzido.>
No ano passado, Ponte se dedicou a determinar se os nutrientes das folhas de beterraba são biodisponíveis. Isso indicaria que conseguimos digerir e nos beneficiar do seu conteúdo.>
>
Seu estudo demonstrou que as folhas de beterraba permanecem biologicamente ativas após a digestão simulada no laboratório. As folhas digeridas exibiram atividade antioxidante e ajudaram a proteger o DNA contra danos por oxidação.>
Ponte também testou as folhas digeridas em células de câncer colorretal e observou redução do crescimento celular e da formação de colônias.>
Mas ele alerta que é preciso ter cuidado com essas descobertas. Alguns dos compostos presentes nas folhas permaneceram disponíveis após a digestão simulada, mas outros, como vitexina e apigenina, ainda foram detectados após a digestão, embora em quantidades menores.>
A digestão simulada de Ponte demonstrou o que acontece principalmente até o intestino grosso, excluindo a fase do cólon, onde o intestino delgado processa os resíduos.>
É também ali, segundo o professor, que as bactérias intestinais podem transformar parte desses compostos e, potencialmente, alterar os seus efeitos.>
A confirmação de que podemos ter acesso a todos os nutrientes da folha de beterraba exigiria estudos humanos e de laboratório que considerem o processo digestivo completo, segundo Ponte.>
Ainda assim, ele afirma que suas descobertas ajudam a demonstrar que as folhas de beterraba são um alimento potencialmente valioso.>
Estas minúsculas sementes pretas contêm alta concentração de fibras, proteínas, ácido alfa-linolênico, ácido fenólico e vitaminas, incluindo altas quantidades de vitaminas do complexo B.>
Elas contêm fitoquímicos que podem ajudar a proteger o coração e o fígado, além de ácidos graxos ômega-3 que ajudam a sustentar o sistema imunológico.>
Elas já foram relacionadas a diversos benefícios à saúde, como a redução do risco de doenças cardíacas, aumento dos níveis de colesterol saudável e a redução da pressão arterial, do risco de diabetes tipo 2 e de alguns tipos de câncer.>
Mas existem evidências indicando que podemos não estar extraindo tantos benefícios das sementes de chia quanto poderíamos.>
A professora Rachel Burton, da Universidade de Adelaide, na Austrália, já estudava fibras alimentares há muito tempo quando decidiu observar as sementes de chia.>
"Existiam (e ainda existem) na internet muitas recomendações de saúde associadas ao consumo de sementes de chia, particularmente em relação aos benefícios à nossa microbiota intestinal", explica ela, "mas aparentemente não havia muita ciência sólida que as sustentasse." >
Burton observou que um desses benefícios era seu alto teor de fibras.>
"A fibra alimentar é um componente fundamental da dieta e a maioria de nós não come em quantidade suficiente", segundo a professora.>
"Se as recomendações sobre a chia estivessem incorretas e as pessoas estivessem pagando por um alimento caro com base nelas, seria importante ficar sabendo.">
No seu estudo de 2023, Burton fez uma série de testes de laboratório comparando sementes de chia inteiras, como normalmente são consumidas, e sementes moídas. Suas descobertas indicaram que comer sementes de chia inteiras pode impedir a real absorção dos nutrientes que elas contêm.>
As sementes de chia são compostas de dois componentes: a mucilagem no lado externo da semente, que contém fibras, e as gorduras ômega contidas no interior da semente, particularmente ômega-3.>
"Comer as sementes inteiras faz com que os nutrientes apregoados, na verdade, não fiquem disponíveis", explica ela. A mucilagem não sai da semente e as gorduras ômega ficam retidas no seu interior.>
"Por isso, a menos que você fique muito tempo mastigando, as sementes passam pelo seu intestino basicamente inalteradas", explica Burton.>
Moer as sementes de chia torna as gorduras ômega mais acessíveis. E a professora aconselha a moer também outras sementes, incluindo a linhaça, pelo mesmo motivo.>
A abóbora é cultivada em todo o mundo, pela sua casca, pela polpa — e pelas suas sementes.>
As sementes de abóbora contêm alto teor de ácidos graxos mono e póli-insaturados. Eles são associados a diversos benefícios à saúde e à redução do risco de muitas doenças.>
Mas pesquisas indicam que a quantidade de gordura da semente pode variar de uma variedade de abóbora para outra. E existem cerca de 150 variedades de abóbora em todo o mundo.>
As sementes de abóbora também contêm ácido linoleico, oleico e palmítico, que já se demonstrou que ajudam a manter a saúde do coração.>
Também já se demonstrou que as sementes de abóbora trazem benefícios de neuroproteção. Isso significa que elas podem ajudar a proteger o nosso sistema nervoso contra danos ao cérebro, aos nervos ou à saúde mental, devido à exposição constante a substâncias tóxicas, como chumbo e mercúrio, alguns remédios, inseticidas agrícolas e certas bebidas alcoólicas. >
Em um estudo publicado em 2025, cientistas dividiram 50 ratos em cinco grupos. Por duas semanas, um grupo recebeu uma dieta básica e os demais receberam suplementos de sementes de abóbora cruas ou torradas, em duas quantidades diferentes.>
Todos os ratos que comeram as sementes de abóbora exibiram melhorias da ansiedade, cognição e memória.>
As sementes de abóbora torradas exibiram os maiores benefícios. Isso possivelmente ocorre, segundo o estudo, porque o processo de torração faz com que os nutrientes das sementes sejam mais biodisponíveis, rompendo as células e liberando antioxidantes relacionados às paredes celulares.>
Quando o assunto é comer uma dieta saudável e variada, uma das principais barreiras é a disponibilidade desses alimentos.>
Felizmente, as folhas de dente-de-leão existem em abundância e são disponíveis para a maioria de nós na primavera.>
À primeira vista, as folhas de dente-de-leão podem não parecer um ingrediente comum da cozinha. Mas elas são repletas de compostos benéficos com efeitos anti-inflamatórios e até anticancerígenos.>
Estudos também demonstraram relação com a redução do risco de doenças cardíacas. Mas, em uma análise, os pesquisadores afirmam que os estudos com seres humanos são insuficientes para traçar conclusões a este respeito.>
As folha de dente-de-leão também são uma rica fonte de ácidos fenólicos, flavonoides, vitaminas (A, B, C, E e K) e minerais (cálcio, sódio, ferro e magnésio).>
Elas são consumidas em todo o mundo em saladas, sopas, temperos e xaropes, além de vinho e como substitutos do chá e do café.>
Leia a versão original desta reportagem (em inglês) no site BBC Health.>
>
Notou alguma informação incorreta no conteúdo de A Gazeta? Nos ajude a corrigir o mais rápido possível! Clique no botão ao lado e envie sua mensagem.
Envie sua sugestão, comentário ou crítica diretamente aos editores de A Gazeta