Publicado em 14 de janeiro de 2026 às 18:11
Um homem preso em conexão com a atual onda de protestos no Irã foi condenado à morte e informado de que sua execução é iminente, segundo sua família e um grupo de direitos humanos.>
Erfan Soltani, de 26 anos, foi preso na última quinta-feira (8/1) na cidade de Fardis, a oeste de Teerã.>
Dias depois, as autoridades informaram sua família que a execução dele estava marcada para esta quarta-feira (14/1), sem fornecer detalhes adicionais, de acordo com o grupo curdo de direitos humanos Hengaw, com sede na Noruega.>
O judiciário iraniano ainda não se pronunciou sobre o caso de Soltani, nem anunciou qualquer execução relacionada aos protestos.>
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O bloqueio da internet imposto pelo governo também dificultou a obtenção de informações sobre a situação do jovem – e a de outros iranianos em situações potencialmente semelhantes.>
Awyer Shekhi, da Hengaw, disse à BBC que teme haver "muitos" casos como o de Soltani, destacando a escala e a velocidade com que as autoridades iranianas estão realizando repressões violentas em comparação com protestos anteriores.>
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Na terça-feira, um parente de Soltani disse ao serviço persa da BBC que um tribunal havia emitido uma sentença de morte "em um processo extremamente rápido, em apenas dois dias".>
Soltani reside em Fardis, Karaj, onde possui uma loja de roupas. Ele foi preso "em sua residência", disse a organização Hengaw em um comunicado.>
Segundo relatos, as autoridades iranianas não forneceram à família de Soltani mais informações sobre o caso, alegando apenas que ele havia sido preso em conexão com um protesto.>
A irmã dele, que é advogada, tentou atuar no caso, mas as autoridades disseram que não havia nada a ser feito, disse Shekhi ao programa Today da BBC Radio 4.>
"Ele é apenas alguém que se opõe à situação atual no Irã... e agora recebeu uma sentença de morte por expressar sua opinião.">
Shekhi diz que os prisioneiros no corredor da morte no Irã geralmente têm direito a uma última visita de seus entes queridos antes da execução.>
Embora as autoridades iranianas tenham dito à família que permitiriam um encontro com Erfan antes de sua execução, ele não teve permissão para entrar em contato com sua família desde sua prisão, acrescentou a porta-voz da organização de direitos humanos.>
Há uma "grande probabilidade" de que outras pessoas no Irã estarem em situação semelhante à de Soltani, mas há pouca informação sobre elas devido ao bloqueio da internet, acrescentou Shekhi.>
O presidente americano Donald Trump afirmou que os EUA tomarão "medidas muito duras" contra o Irã caso execute manifestantes, dizendo aos iranianos para "continuarem protestando" em uma publicação em sua rede social Truth Social.>
Trump também disse ter cancelado todas as reuniões com autoridades iranianas "até que o assassinato sem sentido de manifestantes pare" e disse aos manifestantes que "a ajuda está a caminho".>
Na última quinta-feira, as autoridades de Teerã impuseram um bloqueio de internet, à medida que os protestos se intensificavam e a repressão violenta aumentava.>
A BBC e a maioria das outras organizações internacionais de notícias também estão impossibilitadas de reportar do Irã, o que dificulta a obtenção e a verificação de informações.>
A agência de notícias Human Rights Activists News Agency (HRANA), sediada nos EUA, afirmou ter confirmado até o momento a morte de 2.417 manifestantes, além de 12 crianças e 10 civis não envolvidos, apesar do bloqueio. Quase 150 pessoas ligadas às forças de segurança ou ao governo também foram mortas, segundo a agência.>
Pelo menos 18.434 manifestantes foram presos durante os distúrbios, de acordo com a HRANA.>
O chefe do Judiciário iraniano, Gholamhossein Mohseni-Ejei, prometeu ação legal rápida contra o que chamou de "manifestantes violentos". Segundo Mohseni-Ejei, aqueles que "cometeram atos terroristas devem ter prioridade no julgamento e na punição".>
As autoridades planejavam realizar julgamentos públicos para algumas das principais figuras envolvidas nos recentes distúrbios, com os procedimentos acessíveis à imprensa, afirmou ele na quarta-feira.>
Mas a forma como o Irã lidou com o caso de Soltani "constitui uma clara violação do direito internacional dos direitos humanos", disse a organização Hengaw em comunicado, acrescentando: "O tratamento apressado e não transparente deste caso aumentou as preocupações sobre o uso da pena de morte como ferramenta para reprimir protestos públicos.">
"Erfan é o primeiro manifestante a ser condenado à morte, mas não será o último", disse o Departamento de Estado dos EUA em sua conta em farsi no X (antigo Twitter).>
Os protestos, que teriam se espalhado por mais de 180 cidades e vilas em todas as 31 províncias, foram desencadeados pela indignação com o colapso da moeda iraniana e o aumento vertiginoso do custo de vida.>
As manifestações rapidamente se transformaram em reivindicações por mudanças políticas e se tornaram um dos desafios mais sérios ao regime clerical desde a Revolução Islâmica de 1979.>
Pelo menos 12 homens foram executados no Irã nos últimos três anos após serem condenados à morte em conexão com os protestos "Mulher, Vida, Liberdade" de 2022.>
Essa onda de protestos em todo o país foi desencadeada pela morte sob custódia de Mahsa Amini, uma jovem curda acusada pela polícia da moralidade de usar um hijab "de forma inadequada".>
Grupos de direitos humanos afirmam que a última execução desse tipo ocorreu em 6 de setembro, quando Mehran Bahramian foi enforcado em Isfahan (no centro do Irã).>
O grupo Iran Human Rights, com sede na Noruega, relatou na época que as autoridades torturaram Bahramian para obter confissões e que ele não teve um julgamento justo.>
Ele foi condenado à morte por um tribunal em janeiro de 2024 sob a acusação de "inimizade contra Deus" por supostamente ter matado um membro da Guarda Revolucionária em um protesto em Semirom, em dezembro de 2022, segundo o grupo.>
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