Publicado em 4 de março de 2026 às 09:08
O Irã se tornou o alvo de uma devastadora ofensiva militar dos Estados Unidos e Israel, que gerou uma guerra na região.>
Os ataques aéreos atingiram instalações militares, infraestrutura estratégica, aeroportos e zonas urbanas em dezenas de cidades iranianas. Eles já causaram a morte de mais de 1 mil civis, segundo agência de notícias Human Rights Activists (HRANA), com sede nos Estados Unidos.>
O Irã e suas milícias aliadas lançaram represálias contra alvos dos Estados Unidos e seus aliados na região, incluindo um ataque com drones à Embaixada americana em Riad, na Arábia Saudita. Houve também ataques a outros pontos estratégicos no país, além do Kuwait, Bahrein, Catar e dos Emirados Árabes Unidos.>
No Irã, a população civil enfrenta explosões, cortes de eletricidade, interrupção dos serviços de internet e destruição ou saturação de infraestruturas, sem falar na repressão e censura por parte das autoridades do regime.>
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Moradores locais manifestaram à BBC News Persa sua preocupação com a falta de alimentos e o aumento dos preços, enquanto as explosões continuam sendo ouvidas.>
É difícil saber ao certo como a guerra está afetando a vida diária do país, mas os testemunhos revelam detalhes importantes.>
O jornalista Ghoncheh Habibiazad, da BBC News Persa, conversou com diversas pessoas dentro do Irã, após a nova onda de ataques da terça-feira (3/3).>
De forma geral, as pessoas em Teerã declararam a Habibiazad que algumas zonas da capital iraniana pareciam mais tranquilas em relação ao dia anterior.>
"Hoje, não ouvi nenhum ataque. Parece a calmaria que precede a tormenta", confessou uma pessoa identificada como Shayan na cidade de Karaj, a uma hora de carro de Teerã. Segundo ele, é muito difícil se conectar à internet.>
Omid, com cerca de 20 anos, disse que as pessoas estão começando a ficar preocupadas sobre quanto tempo irá durar esta situação.>
"Eu imaginava que eles atacariam certas autoridades, como Khamenei, e que, a esta altura, já teriam terminado", afirmou o jovem.>
"Há mais presença policial nas ruas, mas elas estão vazias. Algumas lojas fecharam, principalmente as que ficam perto das regiões afetadas.">
Muitas pessoas no Irã estão preocupadas com a oferta de alimentos e os aumentos de preços à medida que a guerra se mantém, segundo o jornalista.>
"Precisamos nos abastecer porque não sabemos quanto tempo isso irá durar", declarou Nasrin, morador de Teerã. "Nossa preocupação é ficarmos sem produtos básicos, se não nos precavermos.">
Pouya tem cerca de 30 anos e falava de Pardis, outra cidade próxima à capital. Ele explicou que os preços aumentaram desde o início dos ataques, principalmente os do arroz e das batatas.>
A imprensa estatal iraniana anunciou que, "seguindo a decisão do governo de priorizar o abastecimento de produtos essenciais", foi proibida a exportação de todos os produtos agrícolas e alimentícios "até novo aviso".>
Os preços no Irã já eram altos antes do conflito. Em dezembro, o aumento do custo de vida e as sanções internacionais geraram protestos em todo o país, que levaram a uma repressão brutal por parte do regime.>
Maryam tem cerca de 20 anos de idade. Ela mora no norte de Teerã e enviou uma mensagem de texto ao jornalista da BBC.>
"Os ataques da noite passada foram terríveis", dizia ela. "Nossa casa balançava.">
Maryam afirmou que não pretende abandonar a capital. "Algumas pessoas saíram de Teerã, mas nós ficamos em casa", segundo ela.>
"Se não nos matarem, ficaremos aqui enquanto houver convocações de protestos nas ruas e sairei com minha família para participar.">
"Fico muito feliz ao ver que essas autoridades são o alvo. Aguentaremos os ataques até todos eles se irem", declarou ela.>
Os pacotes de internet também subiram de preço, segundo Shayan, morador de Karaj.>
"É muito difícil se conectar agora", declarou ele. E o preço dos pacotes de internet da companhia Starlink, de Elon Musk, aumentou muito.>
O jornalista da BBC News Persa destaca que, "devido aos cortes de internet, é muito difícil ter uma ideia clara do que está se passando dentro do país".>
"As pessoas com quem converso conseguem se conectar, mas apenas momentaneamente", segundo ele.>
O Irã vem negando frequentemente vistos de entrada aos jornalistas da imprensa internacional, limitando seriamente a capacidade de coletar informações sobre os acontecimentos no país. E os cortes de internet dificultam ainda mais a cobertura jornalística.>
O jornalista Mohammad Khatibi, da rede estatal iraniana Press TV, conversou de Teerã com o Serviço Mundial da BBC.>
Ele afirmou que "todas as zonas" da capital foram atingidas pelos ataques americanos e israelenses, desde o início do conflito no sábado (28/2).>
Isso inclui torres de comunicação, emissoras de rádio e televisão e o Grande Bazar da cidade — que, segundo Khatibi, foi "reduzido a escombros".>
Questionado sobre as reações à morte do líder supremo do Irã, o aiatolá Ali Khamenei (1939-2026), durante os ataques, o jornalista respondeu que houve "pequenos grupos" de pessoas comemorando, mas não ocorreram manifestações em grande escala.>
Khatibi explicou que, devido à destruição de parte das instalações militares e policiais (que costumam responder a este tipo de protestos), ele acredita que "os separatistas e os grupos de oposição fora do Irã" logo convocarão manifestações contra o regime, como as ocorridas em janeiro, quando morreram milhares de pessoas.>
O Exército israelense afirmou na terça-feira (3/3) ter atacado o escritório presidencial do Irã e outros edifícios. Também foram gravados vídeos verificados pela BBC de explosões em Pardis, a leste da capital iraniana.>
O Irã realizou amplos ataques de represália, com mísseis e drones, contra instalações do governo israelense e militares em Tel Aviv (Israel) e em outros locais.>
Também foram relatados ataques em países que abrigam bases americanas (Catar, Bahrein, Jordânia, Emirados Árabes Unidos e Kuwait), além de Omã e da Arábia Saudita, países aliados dos Estados Unidos.>
Nos últimos dias, o Irã foi acusado de ampliar seus ataques para outros alvos, como navios, instalações civis (incluindo hotéis em Dubai, EAU) e a Embaixada americana na capital saudita, Riad.>
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