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'Rússia cruzou mais uma linha': a reação da UE e da Otan após drone russo atingir prédio na Romênia

A Romênia disse que realizará uma reunião de emergência após o incidente, no qual duas pessoas ficaram feridas.

Publicado em 29 de Maio de 2026 às 08:32

BBC News Brasil

Publicado em 

29 mai 2026 às 08:32
Imagem BBC Brasil
Cerca de 70 pessoas foram evacuadas enquanto o fogo era apagado Crédito: DSU via Reuters
Um drone russo atingiu um bloco de apartamentos na Romênia, causando um incêndio e ferindo duas pessoas, informaram autoridades — provocando uma forte reação da aliança militar Otan e da União Europeia.
O incidente aconteceu nesta sexta-feira (29/05) na cidade de Galati — perto da fronteira leste da Romênia com a Ucrânia.
O secretário-geral da Otan, Mark Rutte, disse que “o comportamento imprudente da Rússia é um perigo para todos nós”. A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, disse que a "guerra de agressão" da Rússia "cruzou mais uma linha".
Drones russos têm cruzado a fronteira da Romênia diversas vezes durante os quatro anos de guerra com a Ucrânia, mas é a primeira vez que cidadãos do Estado-membro da Otan são feridos. A Rússia ainda não comentou o incidente.
A autoridade romena para situações de emergência afirmou que toda a carga explosiva do drone explodiu e causou um incêndio no 10º andar do prédio residencial.
Duas pessoas com escoriações precisaram de atendimento médico e foram levadas ao Hospital Clínico de Emergência do Condado de Galati. Cerca de 70 pessoas foram evacuadas enquanto o incêndio era controlado.
O presidente Nicușor Dan convocou uma reunião de emergência do Conselho Supremo de Defesa da Romênia, descrevendo o ataque do drone russo como "o incidente mais grave a afetar o território romeno desde o início da guerra de agressão da Rússia contra a Ucrânia".
O secretário-geral da Otan, Mark Rutte, disse ter conversado com Dan e afirmou que a aliança "está pronta para defender cada centímetro do território aliado".
"Continuaremos aprimorando nossa capacidade de impedir e nos defender contra qualquer ameaça, inclusive de drones", acrescentou Rutte.
O Ministério da Defesa da Romênia afirmou que dois caças F-16 foram acionados após os drones serem detectados. O brigadeiro-general Gheorghe Maxim disse que o Exército teve apenas quatro minutos desde a detecção do drone até o momento do impacto.
O ministério acrescentou em uma atualização posterior que parecia que "toda a carga" do drone Geran 2 — também conhecido como Shahed 136 — havia explodido com o impacto.
O general Maxim disse que as forças romenas estavam sob restrições significativas, pois não podiam disparar munições que violassem o espaço aéreo ucraniano. "A Ucrânia está em guerra, mas a Romênia está em paz. Não podemos lançar um projétil no espaço aéreo ucraniano", afirmou.
As Forças Armadas da Romênia buscaram tranquilizar a população, afirmando que não se tratava de um ataque ao país, mas sim de "um conflito na nossa fronteira, com consequências para a população local".
O Ministério das Relações Exteriores da Romênia convocou o embaixador russo em resposta ao ataque do drone, e a França disse que faria o mesmo.

Reações

"Este incidente representa uma escalada grave e irresponsável por parte da Federação Russa", afirmou o Ministério das Relações Exteriores da Romênia, acrescentando que Bucareste informou o secretário-geral da Otan e "solicitou medidas para acelerar a transferência de capacidades antidrones para a Romênia".
A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, escreveu na rede social X: "A guerra de agressão da Rússia cruzou mais uma linha".
"À medida que continuamos a fortalecer nossa segurança e dissuasão, especialmente em nossa fronteira oriental, continuaremos aumentando a pressão sobre a Rússia", acrescentou.
O ministro das Relações Exteriores da Ucrânia, Andriy Sybiha, disse que o incidente "provou mais uma vez que a agressão russa representa uma ameaça real para a região do Mar Negro e para toda a Europa".
Ele pediu que outros países reforcem o apoio à Ucrânia e aumentem a pressão sobre a Rússia "para restaurar a paz e a segurança na região".
O ministro das Relações Exteriores da França, Jean-Noël Barrot, descreveu o ataque com drone em Galati como um "ato irresponsável da Rússia", e o novo primeiro-ministro da vizinha Hungria, Péter Magyar, expressou solidariedade à Romênia, desejando uma rápida recuperação aos feridos.
O embaixador dos EUA na Otan, Matthew Whitaker, também condenou o ataque com drone como uma "incursão imprudente".
O presidente russo, Vladimir Putin, lançou uma invasão em grande escala da Ucrânia em fevereiro de 2022 e vários países da Otan vêm observando incursões de drones desde então.
A Polônia culpou a Rússia por um ataque com drone em um campo na vila de Osiny, 130 km a sudeste de Varsóvia em agosto passado, e abateu dois drones russos suspeitos sobre seu território no mês seguinte.
Na ocasião, o primeiro-ministro polonês, Donald Tusk, disse ter acionado o Artigo 4 do Tratado da Otan, que exige que os membros da aliança do Atlântico Norte realizem consultas.
Imagem BBC Brasil
A polícia romena esteve no local da explosão na manhã desta sexta-feira Crédito: Inquam Photos/George Calin via Reuters
Para a Romênia e seus aliados da Otan, as áreas de fronteira próximas ao rio Danúbio são extremamente difíceis de defender quando drones russos atacam portos na Ucrânia.
O rio próximo de Galati forma a fronteira entre a Romênia e a Ucrânia. O Ministério da Defesa da Romênia afirmou que, desde o início da guerra na Ucrânia, fragmentos de drones foram encontrados em território romeno em 47 ocasiões distintas, 12 delas apenas neste ano.
No mês passado, fragmentos de um drone russo caíram na periferia de Galati, após um drone ser detectado do outro lado da fronteira ucraniana perto da cidade de Reni. Caças da Otan foram autorizados a atacar drones naquele momento, mas não puderam disparar contra um que havia sido rastreado por radar, pois ele não havia violado o espaço aéreo romeno.
O secretário-geral da Otan disse nesta sexta-feira que o incidente em Galati "mostrou mais uma vez que as implicações da guerra ilegal de agressão [da Rússia] não param na fronteira".
Nos últimos meses, Estados-membros da Otan na região do Báltico também enfrentaram uma série de incidentes envolvendo drones ucranianos de longo alcance que, segundo Kiev, saíram da sua rota após sofrerem interferência de sinais russos.

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