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Coronavírus

Redução de assentos e reforço na limpeza devem impactar preço de passagem aérea

Os novos protocolos de companhias aéreas, para tentar barrar a propagação do coronavírus durante o tráfego de passageiros, pode impactar diretamente economia

Publicado em 04 de Maio de 2020 às 16:54

Redação de A Gazeta

Publicado em 

04 mai 2020 às 16:54
Avião no pátio do Aeroporto de Vitória
Avião no pátio do Aeroporto de Vitória Crédito: Luísa Torre/Arquivo
Novos protocolos de companhias aéreas para tentar barrar a propagação do coronavírus podem ter impacto no preço das passagens pós-pandemia.
Com menos demanda, muitas empresas já reduziram o número de assentos nos voos, para diminuir o risco de contágio. As companhias também reforçaram medidas de limpeza.
A Delta está bloqueando as poltronas do meio da aeronave, e o embarque agora começa pelos assentos do fundo, para reduzir o contato entre os passageiros nessa etapa da viagem.
Johan Lundgren, diretor-executivo da companhia aérea de baixo custo EasyJet disse que, quando a empresa voltar a operar, também poderá deixar os assentos do meio bloqueados.
Na Lufthansa, Air France e KLM, os comissários tentam manter os viajantes o mais separado possível, de acordo com o que permite a ocupação da aeronave.
Para Alessandro Oliveira, economista e professor do ITA (Instituto Tecnológico da Aeronáutica), essas medidas funcionam durante a pandemia, quando o número de pessoas nos aviões é mais baixo que o normal.
Mas uma menor quantidade de pessoas a bordo representa menos receita para as empresas. Ou seja, seria uma medida custosa caso seja necessário mantê-la depois da pandemia.
"A tendência é que voar fique mais difícil e mais caro por um bom tempo", diz Oliveira.
Na semana passada, o diretor da Iata (Associação Internacional de Transporte Aéreo), Alexandre de Juniac, afirmou que a redução na capacidade de transporte dos passageiros iria aumentar em 50% o preço das passagens aéreas, o que representaria o fim da era das viagens baratas.
Além das restrições na quantidade de passageiros, as companhias estão adotando outras medidas para tentar tornar o transporte mais seguro.
A Lufthansa, a Air France e KLM tornaram obrigatório o uso de máscaras pelo passageiros durante todo o voo. A Azul também pede que os passageiros usem a proteção no rosto, que pode ser a máscara ou um lenço.
Há ainda a aplicação de testes rápidos do coronavírus antes do embarque em alguns voos, feita pela Emirates, a simplificação da alimentação a bordo, dando preferência para comidas já embaladas, e o reforço na limpeza da aeronave, as duas últimas adotadas por grande parte das companhias aéreas.
Uma limpeza mais pesada de toda a cabine, incluindo das mesas dobráveis, encostos para os braços, cintos e poltronas, representa um intervalo maior entre o pouso e a decolagem.
Faz parte do modelo de operação das companhias aéreas, e principalmente daquelas de baixo custo, a redução desse intervalo, para que cada aeronave opere o máximo de voos.
Por causa da limpeza extra, será preciso diminuir a quantidade de viagens que cada avião faz, o que terá efeitos nas rotas e na rentabilidade das empresas.
"Qualquer procedimento regulatório mais restrito torna as empresas mais improdutivas. Esse é mais um fator que vai prejudicar a competitividade das empresas", diz Oliveira.
Segundo o economista, é provável que algumas empresas aéreas saiam do mercado e que haja fusões entre as que continuarem em operação. Com menos empresas competindo pelo mesmo mercado, haverá menos disputa pelo consumidor -e menos promoções.
A queda na demanda também pode ter impacto no preço das passagens no futuro.
Segundo a Iata, a relação de passageiros por quilômetro voado das companhias aéreas globais caiu 52,9% em março, em relação ao mesmo mês de 2019.
"A demanda atingiu o mesmo nível de 2006, mas temos frotas e funcionários em dobro. Para piorar, sabemos que a situação se complicou ainda mais em abril, com sinais de recuperação lenta", afirmou em nota Alexandre de Juniac, diretor da entidade.
Os turistas, além de terem a renda afetada por causa da crise, ainda podem ter menos tempo disponível para viajar depois da quarentena, porque muitas empresas estão debitando férias e folgas agora.
As viagens corporativas também devem ser afetadas, já que as empresas devem ter menos recursos para fazer eventos e as reuniões a distância, pela internet, estão cada vez mais populares.
"Já está claro que todo mundo vai perder demanda nos próximos meses e anos", diz Oliveira.
Para a Latam, o preço das passagens deve cair no começo da retomada das viagens aéreas, porque haverá um desequilíbrio entre oferta e demanda.
Com muitos voos e poucos passageiros, as companhias farão promoções para tentar aumentar a taxa de ocupação. Mas isso será temporário. A queda dos preços será recuperada "conforme a indústria consiga reequilibrar esta relação, com redução de oferta e adaptação ao novo mercado", afirma a empresa.

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