Publicado em 4 de agosto de 2023 às 08:06
Novos dados revelaram que os oceanos atingiram a temperatura mais alta já registrada, devido ao fenômeno das mudanças climáticas — o que traz implicações sombrias para o planeta.>
A temperatura média diária global da superfície do mar chegou a 20,96ºC esta semana, batendo um recorde que vinha de 2016, de acordo com a Copernicus, uma agência de mudanças climáticas da União Europeia.>
Essa temperatura está muito acima da média para esta época do ano.>
Os oceanos são fundamentais para regular o clima do planeta. Eles absorvem o calor, produzem metade do oxigênio da Terra e controlam os padrões climáticos.>
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Águas mais quentes têm menos capacidade de absorver dióxido de carbono da atmosfera, o que provoca aumento no aquecimento do clima. Mais gases na atmosfera aceleram o derretimento das geleiras que fluem para o oceano, levando a um aumento do nível do mar.>
Oceanos mais quentes e ondas de calor afetam espécies marinhas como peixes e baleias que migram para águas mais frias, alterando a cadeia alimentar marítima. Especialistas alertam que os estoques de peixes podem ser afetados.>
Alguns animais predadores, como tubarões, podem se tornar mais agressivos porque ficam confusos em temperaturas mais altas.>
"Neste momento, há um branqueamento generalizado de corais em recifes rasos na Flórida (nos EUA) e muitos corais já morreram", diz Kathryn Lesneski, que está monitorando uma onda de calor marinha no Golfo do México para o Administração Oceânica e Atmosférica Nacional.>
"Estamos colocando os oceanos sob mais estresse do que em qualquer outro momento da história", diz Matt Frost, do Plymouth Marine Lab, no Reino Unido. Ele diz que a poluição e a pesca excessiva também afetam os oceanos.>
Os cientistas também estão preocupados com o momento em que esse recorde foi quebrado.>
"Março deveria ser quando os oceanos globalmente estão mais quentes, não agosto ou setembro. O fato de termos visto o recorde agora me deixa nervoso sobre o quanto o oceano pode ficar mais quente entre agora e março próximo", diz Samantha Burgess, do Serviço de Mudanças Climáticas Copernicus.>
"É preocupante ver essa mudança acontecendo tão rapidamente. Tivemos uma onda de calor marinha de 247 dias no Reino Unido entre agosto de 2022 e abril de 2023", disse o professor Mike Burrows, que está monitorando os impactos nas costas marítimas escocesas com a Associação Escocesa de Ciência Marinha.>
Os cientistas dizem que as mudanças climáticas estão diretamente ligadas ao aquecimento dos oceanos, por que os mares estão absorvendo a maior parte do aquecimento das emissões de gases de efeito estufa.>
"Quanto mais queimamos combustíveis fósseis, mais excesso de calor será absorvido pelos oceanos, o que significa que mais tempo levará para estabilizá-los e trazê-los de volta para o nível onde estavam", explica Burgess.>
O novo recorde de temperatura média supera o registrado em 2016, quando a flutuação natural do clima El Niño estava em pleno andamento e em seu ponto mais forte.>
O El Niño ocorre quando a água quente sobe à superfície na costa oeste da América do Sul, elevando as temperaturas globais.>
Outro El Niño já começou, mas os cientistas dizem que ele ainda é fraco — o que significa que as temperaturas do oceano devem subir ainda mais acima da média nos próximos meses.>
Os novos dados de temperatura foram registrados após uma série de ondas de calor marinhas este ano, incluindo no Reino Unido, no Atlântico Norte, no Mediterrâneo e no Golfo do México.>
"As ondas de calor marinhas que estamos vendo estão ocorrendo em locais incomuns onde não esperávamos", diz Burgess.>
Em junho, as temperaturas nas águas do Reino Unido ficaram de 3°C a 5°C acima da média, de acordo com a agência meteorológica britânica Met Office e a Agência Espacial Europeia.>
Na Flórida, a temperatura da superfície do mar atingiu 38,44°C na semana passada — comparável a uma banheira de hidromassagem. Normalmente as temperaturas devem ficar entre 23°C e 31°C, de acordo com a Administração Nacional Oceânica e Atmosférica (NOAA ma sigla em inglês).>
As ondas de calor marinhas dobraram de frequência entre 1982 e 2016 e se tornaram mais intensas e mais longas desde a década de 1980, de acordo com o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC).>
Embora as temperaturas do ar tenham sofrido alguns aumentos dramáticos nos últimos anos, os oceanos demoram mais para aquecer, mesmo tendo absorvido 90% do aquecimento da Terra devido às emissões de gases de efeito estufa.>
Mas agora há sinais de que as temperaturas oceânicas podem estar subindo. Uma teoria é que muito calor foi armazenado nas profundezas do oceano, que agora está vindo à superfície, possivelmente ligado ao El Niño, diz Karina von Schuckmann, da ONG Mercator Ocean International.>
Embora os cientistas soubessem que a superfície do mar continuaria aquecendo devido às emissões de gases de efeito estufa, eles ainda estão investigando exatamente por que as temperaturas subiram tanto em relação aos anos anteriores.>
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