Publicado em 20 de março de 2026 às 21:34
Promotores federais em Nova York, nos Estados Unidos, investigam o presidente da Colômbia, Gustavo Petro, no no âmbito de inquéritos relacionados ao tráfico de drogas e ao narcoterrorismo.>
As investigações, que são conduzidas por procuradorias em Manhattan e no Brooklyn, não têm Petro como alvo principal, mas seu nome foi incluído em decorrência de outros inquéritos mais amplos. >
A informação foi publicada pelo jornal americano The New York Times e confirmada pela Reuters com base em fontes próximas ao caso.>
De acordo com a Reuters, equipes de promotores especializados e agentes federais investigam o suposto envolvimento do presidente colombiano com indivíduos ligados ao narcotráfico, além de suspeitas sobre a entrada de recursos ilícitos em sua campanha presidencial de 2022.>
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As investigações ainda estão em estágio inicial e, até o momento, não há definição sobre a eventual apresentação de acusações formais.>
As reportagens também indicam que não há evidências de interferência da Casa Branca na abertura dos procedimentos.>
O caso surge em um momento de distensão nas relações entre Petro e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que voltaram a dialogar após um encontro recente, em fevereiro, encerrando meses de trocas públicas de críticas.>
O presidente colombiano reagiu à notícia com uma publicação na rede social X, afirmando:>
"Na Colômbia não existe uma única investigação sobre qualquer relação minha com narcotraficantes. Por uma única razão: nunca, na minha vida, falei com um narcotraficante", escreveu.>
Petro disse ter dedicado dez anos de sua vida "a denunciar os vínculos entre alguns dos narcotraficantes mais poderosos e políticos no Congresso e dos governos locais e nacionais", o que, segundo ele, colocou sua "vida em risco" e levou ao exílio de sua família.>
"Em relação às minhas campanhas, sempre disse aos coordenadores que doações de banqueiros ou narcotraficantes não são aceitáveis", acrescentou, enfatizando que não recebeu "um único peso" dos cartéis.>
A BBC Mundo, serviço em espanhol da BBC, procurou a presidência da Colômbia e as procuradorias do Brooklyn e de Manhattan, mas até o momento não obteve resposta.>
Antes do seu encontro com Gustavo Petro, em 3 de fevereiro, Trump havia chamado o presidente colombiano de narcotraficante, dito que ele "deveria tomar cuidado" e que considerava "uma boa ideia" uma eventual ação militar na Colômbia, semelhante ao que aconteceu na Venezuela.>
No fim de 2025, o Departamento do Tesouro dos EUA também impôs sanções contra Petro, seus familiares e um membro de seu governo, sob acusações de envolvimento com o tráfico internacional de drogas.>
Embora não tenha apresentado provas, na época, o secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, afirmou que o presidente colombiano teria permitido que "os cartéis de drogas prosperassem" e se recusado a conter essa atividade.>
Petro, por sua vez, acusou os Estados Unidos de violar a soberania da Colômbia e de matar pessoas inocentes em operações de combate ao narcotráfico.>
Antes disso, o governo americano já havia revogado o visto do colombiano depois dele pedir que militares americanos desobedecessem ordens de Trump, durante um ato pró-Palestina em Nova York.>
O presidente colombiano nega qualquer tipo de ligação com cartéis e afirma que seu governo atua ativamente no combate ao tráfico de drogas.>
Em relação às acusações do governo americano sobre o aumento do fluxo de cocaína vindo da Colômbia, Petro alega que, sob sua gestão, o tráfico de drogas cresceu em ritmo menor e que houve aumento nas apreensões em comparação com governos anteriores.>
A abertura de investigações contra Petro acontece em meio à campanha para as eleições presidenciais na Colômbia. >
O primeiro turno está marcado para 31 de maio, com eventual segundo turno previsto para 21 de junho. O vencedor tomará posse em 8 de agosto.>
As investigações tendem a aumentar a pressão em um cenário político já polarizado, em que diferentes setores veem as tensões com os Estados Unidos como um elemento central do debate eleitoral.>
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