Publicado em 30 de janeiro de 2026 às 20:09
Os cientistas esperavam o contrário, mas os ursos polares do arquipélago norueguês de Svalbard ficaram mais gordos e saudáveis desde o início da década de 1990, apesar do derretimento do gelo marinho ter aumentado constantemente devido às mudanças climáticas. >
Os ursos polares dependem do gelo marinho como plataforma para caçar focas, das quais obtém a gordura necessária para sua alimentação. >
As reservas de gordura lhes proporcionam energia e isolamento térmico, e permitem que as mães produzam leite rico em nutrientes para seus filhotes. >
Pesquisadores pesaram e mediram 770 ursos adultos em Svalbard entre 1992 e 2019 e descobriram que eles haviam ficado significativamente mais gordos. >
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Eles acreditam que os ursos de Svalbardse adaptaram à recente perda de gelo consumindo mais presas terrestres, como renas e morsas.>
A descoberta, publicada na revista científica Scientific Reports, foi particularmente intrigante devido ao impacto das mudanças climáticas em Svalbard.>
Durante o período em que a pesquisa foi realizada, o aumento das temperaturas globais elevou o número de dias sem gelo por ano na região em quase 100, a um ritmo de aproximadamente quatro dias por ano.>
"Quanto mais gordo estiver um urso, melhor", explicou o pesquisador líder do estudo, Jon Aars, do Instituto Polar Norueguês. >
"Eu esperava observar um declínio na condição física dos ursos, visto que a perda de gelo marinho tem sido tão significativa.">
As morsas estão oficialmente protegidas na Noruega desde a década de 1950, depois que a caça as levou à beira de extinção. >
Essa proteção impulsionou sua população e, ao que parece, tem proporcionado uma nova fonte de alimento rico em gorduras para os ursos polares. >
"Hoje há muito mais morsas [para eles caçarem", afirma Aars. >
"Também é possível que eles consigam caçar focas com mais eficiência">
Aars explicou que, se as focas têm acesso a áreas menores de gelo marinho, elas se congregam nessas áreas, facilitando a caça em grupo pelos ursos.>
Embora esta seja uma notícia inesperadamente positiva para esses predadores do Ártico, os pesquisadores acreditam que é pouco provável que essa situação se mantenha.>
À medida que o gelo marinho continua derretendo, os ursos terão que percorrer distâncias maiores para acessar seus territórios de caça, gastando mais energia e esgotando suas valiosas reservas de gordura.>
A organização Polar Bears International (Ursos Polares Internacional, na tradução para o português) observa que os ursos polares de Svalbard estavam entre os mais caçados do mundo até a implementação de medidas internacionais de proteção na década de 1970.>
Especialistas acreditam que essas novas descobertas podem estar relacionadas à recuperação da população após a pressão da caça.>
Isso, somado ao aumento do número de morsas e renas nas últimas décadas, parece ter dado um impulso temporário à população de ursos.>
John Whiteman, principal pesquisador da Polas Bears Internacional, afirmou que os resultados eram "positivos a curto prazo". >
"Mas a condição física é apenas uma parte do problema. Outras pesquisas recentes sobre esses ursos revelaram que um maior número de dias sem gelo reduziu a taxa de sobrevivência de filhotes e de fêmeas subadultas e idosas", disse.>
Em outras partes do Ártico, as mudanças climática estão tendo um efeito muito diferente nos ursos polares. >
Existem 20 subpopulações conhecidas de ursos polares em todo o Ártico. >
Na baía de Hudson, no leste do Canadá, onde vivem os ursos polares mais austrais e mais estudados, a diminuição da população tem sido diretamente associada ao aumento das temperaturas.>
Whiteman acrescentou que a perspectiva a longo prazo para os ursos polares é clara: eles precisam do gelo marinho para sobreviver.>
"A perda de gelo significa, em última análise, um declínio na população de ursos, mas [este estudo mostra] que a situação a curto prazo pode variar muito dependendo da região", disse Whiteman.>
"A longo prazo, se a perda de gelo continuar sem controle, sabemos que os ursos acabarão desaparecendo", disse o cientista à BBC.>
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