Publicado em 4 de novembro de 2023 às 14:03
Desde que a OpenAI lançou o ChatGPT, um robô virtual (chatbot) que responde a perguntas variadas, em novembro de 2022, empresas têm se esforçado para manter o uso da ferramenta sob controle no ambiente de trabalho.>
Muitas companhias estão preocupadas com o vazamento de seus dados – não apenas treinando involuntariamente algoritmos da OpenAI com informações confidenciais, mas também potencialmente revelando segredos corporativos às solicitações dos concorrentes, diz Simon Johnson, chefe do grupo de economia global e gestão da MIT Sloan School of Management, em Massachusetts, nos Estados Unidos.>
No entanto, muitos trabalhadores adoram a tecnologia e passaram a acessar e até mesmo a depender dela.>
“Essas são ferramentas práticas que facilitam a vida, como a agregação de conteúdo. Em vez de procurar em diversas fontes para encontrar uma política organizacional obscura, o ChatGPT pode fornecer um primeiro rascunho útil em instantes”, diz Bryan Hancock, sócio da McKinsey & Co, com sede em Washington. >
>
“Eles também podem ajudar em tarefas técnicas, como codificação, e realizar tarefas rotineiras que aliviam a carga cognitiva e os horários dos funcionários”.>
O consultor de negócios Matt e seu colega foram os primeiros em seu local de trabalho a descobrir o ChatGPT, poucas semanas após seu lançamento. Ele diz que o chatbot transformou seus dias de trabalho da noite para o dia. “Foi como descobrir um truque de videogame”, diz Matt, que vive em Berlim. >
"Fiz uma pergunta realmente técnica da minha tese de doutorado e ele forneceu uma resposta que ninguém seria capaz de encontrar sem consultar pessoas com conhecimentos muito específicos. Eu sabia que seria uma virada de jogo.">
As tarefas diárias em seu ambiente de trabalho acelerado – como pesquisar temas científicos, reunir fontes e produzir apresentações completas para clientes – de repente se tornaram muito fáceis. >
O único problema: Matt e seu colega tiveram que manter o uso do ChatGPT em segredo bem guardado. Eles acessaram a ferramenta secretamente, principalmente em dias de trabalho em casa.>
"Tínhamos uma vantagem competitiva significativa em relação aos nossos colegas – nossa produção era muito mais rápida e eles não conseguiam compreender como. Nosso gerente ficou muito impressionado e falou sobre nosso desempenho com a alta administração", diz.>
Quer a tecnologia seja explicitamente proibida, altamente desaprovada ou dê a alguns trabalhadores uma vantagem secreta, alguns funcionários estão procurando maneiras de continuar usando ferramentas de IA generativas de forma discreta. >
A tecnologia está se tornando cada vez mais um canal de retorno para os funcionários: em um estudo de fevereiro de 2023 realizado pela rede social profissional Fishbowl, 68% dos 5.067 entrevistados que usaram IA no trabalho disseram que não divulgam o uso aos seus chefes.>
Mesmo em casos sem proibições no local de trabalho, os funcionários ainda podem querer manter o uso da IA oculto, ou pelo menos protegido, dos colegas.>
“Ainda não temos normas estabelecidas em torno da IA – inicialmente, pode parecer que você está admitindo que não é tão bom no seu trabalho se a máquina estiver executando muitas de suas tarefas”, diz Johnson. "É natural que as pessoas queiram esconder isso.">
Como resultado, estão surgindo fóruns para os trabalhadores trocarem estratégias para se manterem discretos. >
Em comunidades como o Reddit, muitas pessoas buscam métodos para contornar secretamente as proibições no local de trabalho, seja por meio de soluções de alta tecnologia (integrando o ChatGPT em um aplicativo disfarçado como uma ferramenta de local de trabalho) ou soluções rudimentares para obscurecer o uso (adicionando uma tela de privacidade ou acessando discretamente a tecnologia pelo celular). >
E um número crescente de trabalhadores que passaram a depender da IA poderá ter de começar a procurar formas de manter o uso. De acordo com uma pesquisa da BlackBerry de agosto de 2023 com 2.000 tomadores de decisão globais de tecnologia da informação, 75% estão atualmente considerando ou implementando proibições do ChatGPT e de outros aplicativos generativos de IA no local de trabalho, com 61% afirmando que as medidas devem ser de longo prazo ou permanentes. >
Embora estas proibições possam ajudar as empresas a manter informações sensíveis fora do alcance de mãos erradas, Hancock diz que manter a IA generativa longe dos trabalhadores, especialmente a longo prazo, pode sair pela culatra. >
“As ferramentas de IA estão preparadas para se tornarem parte da experiência dos funcionários, portanto, restringir o acesso a elas sem fornecer uma visão de quando e como serão adotadas – como após a introdução de barreiras de proteção – pode criar frustração”, diz ele.>
“E isso pode levar as pessoas a pensar em trabalhar em algum lugar com acesso às ferramentas de que precisam”.>
Quanto a Matt, ele encontrou uma solução alternativa para se manter um passo à frente: ele e seu colega começaram a usar secretamente a plataforma de busca Perplexity. >
Assim como o ChatGPT, é uma ferramenta generativa de IA que retorna respostas escritas complexas a solicitações básicas em um instante. >
Matt gosta ainda mais do Perplexity do que do ChatGPT: ele apresenta informações em tempo real e cita fontes que podem ser verificadas rapidamente, ideal quando suas apresentações exigem conhecimento aprofundado e atualizado. >
Ele o consulta centenas de vezes por dia em seu laptop de trabalho, muitas vezes quando está em home office, e o usa mais do que o Google.>
Matt espera poder continuar usando sua mais recente ferramenta de IA em segredo, pelo maior tempo possível. >
Para ele, vale a pena a pequena inconveniência de ocasionalmente ter que diminuir a intensidade da tela do laptop no escritório – e não compartilhar recursos com sua equipe. “Prefiro manter a vantagem competitiva”, diz ele.>
Leia a versão original desta reportagem (em inglês) no site BBC Worklife.>
Notou alguma informação incorreta no conteúdo de A Gazeta? Nos ajude a corrigir o mais rápido possível! Clique no botão ao lado e envie sua mensagem.
Envie sua sugestão, comentário ou crítica diretamente aos editores de A Gazeta