A Polícia Federal deflagrou nesta terça-feira (23/06) a Operação Miragem, contra supostas fraudes no Banco Digimais, instituição controlada pelo bispo Edir Macedo, da Igreja Universal do Reino de Deus (IURD).
A informação foi confirmada pela agência de notícias Reuters com uma fonte próxima à investigação.
A suspeita é de que o banco tenha usado fundos de investimentos para ocultar a sua real situação econômico-financeira.
Segundo nota divulgada pela PF, mais de 50 policiais federais cumprem nove mandados de busca e apreensão expedidos pela Justiça Federal em São Paulo.
A decisão judicial também autorizou o afastamento dos sigilos bancário e fiscal dos investigados, além do sequestro e bloqueio de bens e valores de até R$ 670 milhões.
As investigações, subsidiadas por relatórios do Banco Central do Brasil, apontam que os investigados teriam manipulado demonstrativos contábeis e registros regulatórios para ocultar a real situação financeira da instituição, aparentar solvência perante os órgãos de controle e viabilizar operações supostamente irregulares.
Ainda segundo a PF, os investigados poderão responder, na medida de suas responsabilidades, pelos crimes de gestão fraudulenta, inserção de dados falsos em demonstrativos contábeis e realização de operações de crédito vedadas, previstos na Lei nº 7.492/1986, que define os crimes contra o Sistema Financeiro Nacional.
Segundo o Estadão, entre os alvos das buscas da PF estariam dirigentes do Digimais, como o bispo João Urbaneja, homem de confiança de Edir Macedo, e seu filho, Thiago Urbaneja, e donos do grupo ID, que gere os fundos do banco.
O bispo Edir Macedo não foi alvo de buscas por morar fora do Brasil, de acordo com a reportagem.
O Banco Digimais foi fundado em 1981 no Rio Grande do Sul originalmente com o nome de Banco Renner.
Em 2020, a instituição foi reestruturada para atuar como um banco digital, adotou o nome Digimais e foi assumida integralmente por Edir Macedo.
Em abril, o banco de investimento BTG Pactual confirmou ter assinado um acordo para adquirir o Digimais.
O Digimais e o BTG não responderam imediatamente aos pedidos de comentários enviados pela Reuters. A BBC News Brasil também procura a defesa do banco para comentários.