Publicado em 15 de janeiro de 2021 às 19:25
- Atualizado há 5 anos
A oferta de oxigênio hospitalar da Venezuela para abastecer a rede de saúde do Amazonas, colapsada pelo novo surto da Covid-19, virou novo ponto de tensão política no país comandado pelo ditador Nicolás Maduro. >
Na quinta-feira (14), o ministro das Relações Exteriores da Venezuela, Jorge Arreaza, escreveu em rede social que Maduro autorizou o envio imediato de suprimentos ao Brasil.>
"Por instruções do presidente, Nicolás Maduro, conversamos com o governador do estado do Amazonas, Wilson Lima, para colocar imediatamente à sua disposição o oxigênio necessário para atender a contingência sanitária em Manaus. Solidariedade latino-americana acima de tudo!", afirmou.>
Julio Borges, deputado opositor ao governo Maduro e responsável pelas Relações Exteriores do autoproclamado presidente Juan Guaidó, reagiu. Afirmou que há venezuelanos morrendo sem oxigênio, usado agora por Maduro para buscar apoio político e se portar como um líder generoso, não como o ditador e violador de direitos humanos que é, em suas palavras.>
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À reportagem, Borges diz que "a situação sanitária é verdadeiramente trágica. As pessoas fogem para o Brasil, Colômbia, Panamá, porque não há nada, os hospitais estão em caos. Sem eletricidade, sem água, remédios mínimos. Por isso as pessoas fogem para o Amazonas", diz ele, citando a crise humanitária que levou 6 milhões de venezuelanos a se refugiaram em outros países.>
Borges lembra que Maduro enviou recentemente ajuda humanitária para a Bolívia e o faz constantemente com Cuba. "É como uma pessoa que, enquanto um familiar morre de fome, dá comida de presente ao vizinho para parecer que é um homem bom.">
Enviar oxigênio a um país com governo hostil a ele, como o do presidente Jair Bolsonaro, significa tentar reverter a imagem que tem por aqui e no mundo todo, diz Borges.>
"Quer se mostrar como o líder dos pobres, dos necessitados, dos infectados com coronavírus, quando na verdade é um ditador, violador de direitos humanos, corrupto, e que conseguiu destroçar a Venezuela, um dos países mais prósperos da América, o transformou no país mais pobre da América pela corrupção e pelo crime organizado.">
No Twitter, pela manhã, Borges publicou trecho de uma reportagem do portal argentino Infobae que trata da morte de um coronel venezuelano em agosto por falta de oxigênio.>
O político escreveu: "Muitos venezuelanos, entre eles oficiais da Fanb (Força Armada Nacional Bolivariana) como o coronel Pedro Ezequiel Romero, morreram por falta de oxigênio nos hospitais do país. Entretanto, a ditadura dá oxigênio de presente a um estado no Brasil para buscar apoio político. Não importa a eles a vida do povo", escreveu.>
Assim como Bolsonaro, Maduro defendeu o uso da cloroquina, medicamento contra malária, para combater a Covid-19, mesmo sem evidência científica.>
De acordo com a universidade americana Johns Hopkins, que monitora o avanço da doença no mundo, 1.090 pessoas morreram na Venezuela vítimas da Covid-19, e houve 118,4 mil casos confirmados.>
A capital do Amazonas, Manaus, foi a primeira cidade neste ano onde o sistema de saúde não aguentou a demanda de pacientes de Covid-19 e colapsou, assim como na primeira onda da doença no ano passado.>
A crise chegou a tal ponto que houve desabastecimento de oxigênio hospitalar nos hospitais, fazendo com que pessoas internadas morressem asfixiadas. Falta de ar é um dos sintomas mais comuns da Covid-19.>
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