Publicado em 29 de outubro de 2025 às 12:33
A GLO (Garantia da Lei e da Ordem) voltou ao centro do debate político na terça-feira (28/10), quando a megaoperação contra o Comando Vermelho no Rio de Janeiro deixou ao menos 64 mortos e a marca da mais letal já registrada desde 1990 na cidade. >
Movimentos de direitos humanos classificam a operação como chacina e questionam sua eficácia como política de segurança. O grande número de vítimas também foi criticado pelo Alto Comissariado dos Direitos Humanos das Nações Unidas, que se disse "horrorizado" com a operação nas favelas.>
Ainda na terça-feira, o governador do Rio, Claudio Castro (PL), afirmou em uma entrevista coletiva que seus pedidos de ajuda ao governo federal foram negados. >
"Tivemos pedidos negados três vezes: para emprestar o blindado, tinha que ter GLO, e o presidente é contra a GLO", afirmou o governador.>
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Já o ministro da Justiça e Segurança Pública, Ricardo Lewandowski, rebateu, em seguida, que nunca recebeu pedido de ajuda. >
"Não recebi nenhum pedido do governador do Rio de Janeiro enquanto ministro de Segurança Pública para esta operação, nem ontem, nem hoje", afirmou, também em uma entrevista coletiva.>
"A GLO é uma operação complexa, está prevista na Constituição Federal (...) e estabelece regras bastante rígidas para que essa operação de garantia da lei da ordem aconteça. Um dos requisitos é que os governadores reconheçam a falência dos órgãos de segurança nacional e transfiram as operações de segurança para o governo federal, mais especificamente para as Forças Armadas", disse Lewandowski.>
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Já nesta quarta-feira (29/10), Claudio Castro afirmou que não cabe a ele pedir ao governo federal uma operação de GLO. >
"Eu discordo de todos aqueles que falam que eu deveria ter pedido GLO. Eu pedi ajuda", disse. Não cabe a governador nenhum pedir GLO. Governador tem que pedir ajuda, gente, maquinário, inteligência. Acho que até seria um desrespeito do governador dizer qual instrumento eles [o governo federal] tem que usar.">
As operações de Garantia da Lei e da Ordem ocorrem quando os recursos das forças de segurança pública não são mais capazes de oferecer segurança, em situações graves de perturbação da ordem.>
Elas só podem ser convocadas pelo presidente da República, "por motivação ou não dos governadores ou dos presidentes dos demais Poderes constitucionais".>
Em operações como essas, militares agem dentro de uma área delimitada e por um tempo determinado.>
Operações de GLO são previstas desde a Constituição de 1988, mas foram regulamentadas no formato atual por uma lei complementar de 1999, no governo Fernando Henrique Cardoso (PSDB).>
De acordo com a lei, devem ser utilizadas quando estiverem "esgotados os instrumentos destinados à preservação da ordem pública e da incolumidade das pessoas e do patrimônio".>
Segundo o Ministério da Defesa, apesar do emprego das Forças Armadas, a GLO é uma operação do tipo de "não guerra", por não envolver combate direto.>
Permite, no entanto, o uso da força caso seja necessário. Essas operações são permitidas quando "agentes de perturbação da ordem" colocam em risco a integridade da população e o funcionamento das instituições.>
"A variedade de situações que poderão ocorrer exigirão, em cada caso, um cuidadoso estudo das condicionantes para o emprego das Forças Armadas", aponta o manual de implantação das GLO.>
Exército, Marinha e Aeronáutica podem ser usados de forma conjunta, ou individualmente nas operações, que ficam sob coordenação do Ministro da Defesa.>
Segundo dados do Ministério da Defesa, a primeira vez que uma GLO foi convocada foi em 1992, no Rio de Janeiro, para "contribuir para a segurança pública por ocasião da Conferência das Nações Unidas Sobre o Meio Ambiente e Desenvolvimento", a ECO 92. >
Desde então, o governo federal convocou 150 vezes operações militares de GLO. A maioria (27%) das GLOs realizadas desde 1992 foi convocada para segurança de eventos, como a ECO 92.>
Neste ano, a única GLO convocada até o momento foi para a reunião da cúpula do Brics, ocorrida em julho, no Rio de Janeiro. >
Entre 2010 e este ano, foram gastos R$ 3 bilhões em 64 operações de GLO pelo Brasil, também segundo o Ministério da Defesa. >
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