Publicado em 27 de março de 2025 às 07:44
Pacientes estão participando de um ensaio clínico que os cientistas esperam que possa levar à cura da artrite reumatoide.>
O estudo AuToDeCRA-2 busca provar que é possível treinar "comandantes" de glóbulos brancos — chamados de "generais" do sistema imunológico — para ordenar que outras células "soldados" parem de atacar tecidos saudáveis.>
O professor de reumatologia clínica John Isaacs, que estuda a condição há 35 anos e está liderando a pesquisa, acredita que isso poderia tornar possível "desligar" a artrite reumatoide.>
Participante do estudo, Carol Robson, de Jarrow, na Inglaterra, diz que a pior parte de viver com a doença é a dor — mas se a pesquisa ajudar a aliviar o sofrimento, "vai ser maravilhoso".>
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O estudo, financiado pela instituição beneficente Versus Arthritis e pela Comissão Europeia, está sendo conduzido pela Universidade de Newcastle e pelo Hospital Universitário de Newcastle.>
"É pioneiro", afirma Isaacs, que dá aula na Universidade de Newcastle.>
"Há apenas um ou dois outros grupos no mundo fazendo um trabalho semelhante.">
Neste estudo mais recente, agora em sua segunda fase, determinadas células são isoladas do sangue de um paciente.>
Isaacs explica que há diferentes tipos de células que se unem, como um Exército de soldados, para atacar uma infecção ou doença.>
Elas recebem instruções dos glóbulos brancos conhecidos como células dendríticas, às quais ele se refere como os "generais" do sistema imunológico.>
Quando estes generais percebem o perigo, ficam agitados e enviam o sinal de ataque, mas quando não há perigo detectado, eles permanecem calmos, e instruem o Exército a ignorar os tecidos saudáveis.>
Quando isso dá errado, causa doenças como a artrite reumatoide.>
Ao longo de uma semana, os glóbulos brancos do paciente são cultivados em laboratório e treinados para se parecerem com os generais "calmos", de modo que, quando devolvidos ao paciente, eles comandam os soldados para que parem de atacar suas articulações.>
"Com o tempo, este tratamento pode proporcionar benefícios significativos para as pessoas que sofrem de artrite reumatoide, 'desligando' a doença", explica Isaacs.>
Entre as cerca de 450 mil pessoas na Inglaterra que vivem com a condição, está a ex-enfermeira Robson, de 70 anos. Ela acorda todas as manhãs com dor.>
Antes de ser diagnosticada, ela colocava as mãos em pacotes de ervilhas congeladas na tentativa de encontrar algum alívio.>
Atualmente, ela toma medicamentos imunossupressores, que, segundo ela, ajudam um pouco, mas desde que recebeu a injeção de glóbulos brancos "treinados", acredita que está sentindo menos dor.>
"Será que é por que eu quero muito que funcione? Mas, realisticamente, acho que está melhor", diz ela.>
"Se este estudo conseguir 'desligar' a artrite reumatoide, vai ser maravilhoso.">
"É um privilégio fazer parte de algo que é, na verdade, um grande avanço — se der certo.">
O resultado da pesquisa em Newcastle está sendo amplamente monitorado, à medida que pode ter implicações enormes para os 18 milhões de pacientes com artrite reumatoide ao redor do mundo.>
Isaacs afirma que, se for bem-sucedido, o estudo também pode ter implicações para outras doenças autoimunes, como diabetes ou esclerose múltipla.>
"Trata-se de uma área de pesquisa que descrevemos como reeducação do sistema imunológico.">
Os dois primeiros ensaios clínicos são pequenos — no total, cerca de 32 pacientes foram envolvidos — e mais pesquisas são necessárias, mas se apresentar sinais de sucesso, outro estudo maior será realizado.>
Mesmo que tudo saia como planejado e o tratamento demonstre reeducar o sistema imunológico, ainda pode levar de cinco a dez anos para que os pacientes tenham acesso a ele.>
Mas Isaacs, que dedica sua carreira à condição, afirma que ele e sua equipe ficariam imensamente orgulhosos por terem desenvolvido o tratamento.>
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