Publicado em 10 de novembro de 2025 às 14:40
Três semanas após o assalto ao museu do Louvre, em Paris, uma dúvida permanecia: quem era o "homem do chapéu" que rondava a cena?>
O jovem elegante, fotografado diante do museu no domingo (19/10) do crime, viralizou nas redes sociais e gerou especulações sobre sua identidade.>
Enquanto a polícia prendeu e indiciou quatro pessoas e a direção do museu admitiu falhas na segurança das câmeras, a figura do rapaz seguia um enigma até agora.>
O "dândi" é Pedro Elias Garzon Delvaux, adolescente de 15 anos, morador de Rambouillet, cidade a sudoeste de Paris. Fã de Sherlock Holmes e Hercule Poirot, ele contou à agência de notícias Associated Press que havia planejado visitar o Louvre com a família, mas encontrou o museu fechado.>
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"Não sabíamos que tinha havido um assalto", disse.>
Enquanto perguntava aos policiais o motivo do fechamento, um fotógrafo da AP fez uma imagem do cordão de isolamento e acabou registrando Pedro no enquadramento da imagem.>
Delvaux só percebeu que a foto havia viralizado quatro dias depois, quando um amigo lhe enviou uma captura de tela perguntando: "É você?".>
Ao confirmar, ouviu que o vídeo com a imagem já tinha 5 milhões de visualizações no TikTok. "Fiquei um pouco surpreso", afirmou.>
A surpresa foi maior quando a mãe ligou avisando que a foto tinha saído no jornal The New York Times. "Foi marcante, porque leio o jornal e não é todo dia que você aparece no New York Times", disse.>
"Algumas pessoas disseram: 'Você virou uma estrela'. Fiquei espantado que só com uma foto se possa ficar famoso em poucos dias.">
Questionado sobre o figurino — colete e chapéu fedora de estilo antigo —, Pedro explicou que adotou recentemente esse modo de se vestir, inspirado em estadistas do século 20 e detetives da ficção.>
"Gosto de ser elegante", afirmou. "Vou à escola assim.">
Com teorias se espalhando na internet — algumas insinuando que ele seria um detetive de verdade ou até uma criação de inteligência artificial —, Pedro preferiu o silêncio.>
"Não quis dizer logo que era eu", contou. "Essa foto tem um mistério, e o mistério precisa durar.">
No domingo (19/10), entre 9h30 e 9h40 no horário local, pouco depois da abertura do museu ao público, um grupo de ladrões invadiu, em plena luz do dia, o Museu do Louvre — o mais visitado do mundo — e levou joias da coroa francesa de grande importância histórica, avaliadas em 88 milhões de euros (cerca de R$ 530 milhões).>
A ação, que durou poucos minutos, levou o museu a fechar temporariamente as portas. O roubo ocorreu logo após a abertura do museu para visitação, entre 9h30 e 9h40 no horário local.>
Quatro ladrões usaram um elevador mecânico acoplado a um veículo para alcançar a Galerie d'Apollon (Galeria de Apolo) por uma varanda voltada para o rio Sena.>
Os criminosos usaram um elevador mecânico e ferramentas elétricas para abrir as vitrines e fugiram em scooters com oito peças de joalheria, entre elas brincos, broches e colares com milhares de diamantes e outras pedras preciosas.>
Imagens do local após o crime mostram uma escada sobre um veículo estendida até o primeiro andar do museu, apoiada na varanda do prédio.>
Dois dos ladrões cortaram as vidraças com um cortador de disco movido a bateria e entraram no prédio.>
Lá dentro, ameaçaram guardas, que evacuaram o local, e roubaram itens de duas vitrines de vidro.>
Os alarmes do museu soaram conforme esperado em situações desse tipo, e a equipe do museu seguiu o protocolo previsto, entrando em contato com as forças de segurança e protegendo os visitantes, conforme informou o Ministério da Cultura em um comunicado.>
Um relatório preliminar revelou que uma em cada três salas na área do museu invadido não tinha câmeras de circuito fechado de TV, de acordo com a mídia francesa.>
Segundo as autoridades francesas, oito itens foram roubados, incluindo uma tiara, colares, brincos e broches. Todos são do século 19 e pertenceram à coroa francesa.>
O Ministério da Cultura da França detalhou as peças levadas, adornadas com milhares de diamantes e outras pedras preciosas:>
- Uma tiara e um broche pertencentes à Imperatriz Eugénie, esposa de Napoleão 3º;>
- Um colar de esmeraldas e um par de brincos de esmeralda da Imperatriz Maria Luísa;>
- Uma tiara, um colar e um brinco do conjunto de safiras que pertenceu à Rainha Maria Amélie e à Rainha Hortense;>
- Um broche conhecido como "broche relicário".>
Mais dois itens, incluindo a coroa da Imperatriz Eugénie, foram encontrados perto do local — aparentemente caíram durante a fuga. As autoridades estão examinando as peças para verificar se elas foram danificadas.>
Cerca de 60 investigadores estão trabalhando no caso, e os promotores trabalham com a teoria de que os assaltantes estavam sob as ordens de uma organização criminosa.>
O procurador de Paris, Laure Beccuau, afirmou à rádio Franceinfo que o roubo foi cometido por "criminosos comuns", e não por uma quadrilha profissional. "Não se trata exatamente de delinquência comum, mas é um tipo de criminalidade que geralmente não associamos aos escalões superiores do crime organizado", disse Beccuau.>
De acordo com a mídia francesa, amostras de DNA achadas na escada e em uma moto usadas na fuga levaram à prisão de dois dos suspeitos que já estavam no banco de dados dos investigadores.>
A Promotoria de Paris afirmou que os quatro suspeitos do assalto — três homens e uma mulher — moram na região de Seine-Saint-Denis, ao norte da capital francesa. Dois suspeitos admitiram parcialmente ter participado no crime.>
Um juiz determinou no início de novembro que a suspeita (uma mulher de 38 anos) permanecesse sob custódia, alegando risco de fuga e de conluio com outros investigados. Um homem de 37 anos, também acusado e com antecedentes por roubo, teve a prisão preventiva decretada.>
Ambos estão "sob investigação", etapa que pode levar ao julgamento.>
Outro suspeito, identificado como Abdoulaye N., 39, é conhecido em Aubervilliers, também no norte de Paris, por suas manobras ilegais de moto. >
Apelidado de Doudou Cross Bitume, ele publicava vídeos empinando a moto em locais turísticos como o Trocadero e, mais recentemente, praticando fisiculturismo. >
Ex-guarda do Centro Pompidou, tinha condenações por infrações de trânsito e pequenos delitos, mas não por crime organizado.>
Natalie Goulet, membro da comissão de finanças do Senado francês, disse à BBC que o alarme local da galeria foi recentemente danificado e que "temos que aguardar a investigação para saber se o alarme foi desativado".>
O Ministério da Cultura da França informou que os alarmes gerais do museu dispararam e que os funcionários seguiram o protocolo, entrando em contato com as forças de segurança e protegendo os visitantes.>
A presidente do museu do Louvre, Laurence des Cars, admitiu falhas na segurança, mas negou negligência. Disse que, desde que assumiu o cargo em 2021, vinha alertando sobre a necessidade de mais investimentos. >
Segundo ela, o ponto mais vulnerável do sistema era a ausência de câmeras de vigilância no perímetro da Galeria de Apolo — responsabilidade, segundo afirmou, da prefeitura de Paris.>
Desde o assalto, o governo francês ampliou as medidas de proteção em museus e instituições culturais. Parte das joias mais valiosas do Louvre foi transferida para o cofre do Banco da França, localizado 26 metros abaixo da sede da instituição, no centro de Paris.>
No início deste ano, os responsáveis do Louvre solicitaram ajuda ao governo francês para restaurar e renovar as salas de exposição envelhecidas do museu e proteger melhor as suas obras de arte.>
Na época, o presidente francês Emmanuel Macron prometeu que o Louvre seria redesenhado como parte do projeto Nova Renascença, com um custo estimado entre 700 milhões e 800 milhões de euros (de R$ 4,3 bilhões a R$ 5 bilhões). O projeto inclui reforço da segurança.>
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