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Unanimidade

Militar da reserva é condenado a 5.160 anos de prisão por massacre

O tribunal, presidido pelo juiz Elvis David Hernández, declarou por unanimidade que López Alonzo foi responsável pelo assassinato de 171 pessoas

Publicado em 22 de Novembro de 2018 às 10:54

Redação de A Gazeta

Publicado em 

22 nov 2018 às 10:54
O Massacre de Dos Erres é um dos 669 que ficaram documentados no relatório Memórias do Silêncio, elaborado pela Comissão do Esclarecimento Histórico (CEH) e divulgado em 1999 Crédito: LUIS SOTO/AP
Um Tribunal da Guatemala condenou a 5.160 anos de prisão o militar da reserva Santos López Alonzo, considerado culpado de participar do massacre de 171 pessoas na comunidade de Dos Erres em dezembro de 1982.
O tribunal, presidido pelo juiz Elvis David Hernández, declarou por unanimidade que López Alonzo foi responsável pelo assassinato de 171 pessoas – das 201 que a promotoria lhe acusava inicialmente - e lhe impôs 30 anos por cada vítima, além de outros 30 por crimes contra a humanidade.
Segundo a decisão, durante a guerra civil da Guatemala (1960-1996), um comando integrado por 40 kaibiles (força de elite militar) chegou a Dos Erres, no município de Libertad, na busca de 22 fuzis tinham sido roubados pela guerrilha.
Nos dias 4, 5 e 6 de dezembro de 1982, a comunidade foi dominada pelos kaibiles, que estupraram as mulheres e assassinaram crianças, homens e idosos, os quais levaram a um poço em construção para atirá-los ao fundo depois de golpeá-los na cabeça.
Santos López, que segundo a decisão judicial cooperou com os seus companheiros de unidade para exterminar esta aldeia e fez parte dessa patrulha especial, foi enviado a julgamento em abril de 2017, depois de ter sido deportado dos Estados Unidos em agosto de 2016, devido a uma ordem de captura internacional que datava de 1999.
Em agosto de 2011, foram condenados a 6.060 anos de prisão os militares retirados Manuel Pop, Reyes Collin Gualip e Daniel Martínez Hernández, ex-membros da Escola de Kaibiles, por crimes de assassinato e contra a humanidade. O ex-tenente Carlos Carías foi sentenciado a 6.066 anos de prisão por esses dois crimes e o de furto agravado.
O Massacre de Dos Erres é um dos 669 que ficaram documentados no relatório Memórias do Silêncio, elaborado pela Comissão do Esclarecimento Histórico (CEH) e divulgado em 1999.
O conflito armado que assolou a Guatemala entre 1960 e 1996 deixou 250 mil vítimas entre mortos e desaparecidos, além de mais de 1 milhão de deslocados internos, em um cenário em que 93% dos crimes são atribuídos ao exército e grupos paramilitares.
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