Christa Pike, condenada à morte nos Estados Unidos, está "consciente e falando" após uma tentativa de execução que falhou, segundo seus advogados.
Pike, de 50 anos, continua recebendo cuidados médicos enquanto permanece algemada no hospital, de acordo com um comunicado divulgado por seus advogados nesta terça-feira (06/10). Eles acrescentaram que a detenta sofreu "danos graves" nos braços.
Ela foi condenada à morte após ter sido considerada culpada pelo assassinato da jovem Colleen Slemmer em 1995. Mas Pike sobreviveu a duas injeções letais na semana passada e foi transferida para um hospital em Nashville, Tennessee.
Nos dias seguintes à internação, seus advogados informaram que ela estava inconsciente, enquanto a equipe médica tentava eliminar a substância pentobarbital injetada em seu corpo durante a tentativa de execução.
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Os advogados de Pike disseram nesta terça-feira que sua recuperação é algo "sem precedentes na área médica".
Embora seu prognóstico permaneça incerto, "no mínimo, esperamos uma longa recuperação", acrescentaram.
A defesa de Pike afirmou que ela é a única pessoa de que se tem notícia a ter sobrevivido a uma tentativa de execução consumada nos EUA.
Autoridades ainda não esclareceram se tentarão executar Pike novamente. Também não deram uma explicação para o que deu errado.
O governador do Tennessee, Bill Lee, suspendeu todas as execuções pelo resto do ano, e o chefe do sistema prisional do estado afirmou no fim de semana que pretende renunciar ao cargo.
Pike tinha 18 anos quando ela e seu então namorado, Tadaryl Shipp, espancaram, torturaram e mataram Slemmer, de 19 anos, que eles conheceram em um acampamento com a finalidade de treinamento profissional para jovens.
Deborah Denno, criminóloga e professora da Faculdade de Direito da Fordham University, disse estar "absolutamente surpresa" pelo fato de Pike estar consciente e falando.
Houve outros sete casos em que prisioneiros sobreviveram a execuções programadas, mas, nessas situações, os executores não conseguiram injetar nada nas veias dos detentos, disse Denno à BBC.
Pike "é a única pessoa em quem algum tipo de toxina chegou a ser injetado", afirmou a professora.
"Eles fizeram tudo o que deveriam fazer como parte do processo de execução e, simplesmente, não funcionou", disse Denno. "Isso nunca aconteceu antes."
Joel Zivot, anestesiologista que assessora a equipe de defesa de Pike, disse que as duas doses de pentobarbital que ela recebeu na semana passada teriam sido suficientes para causar a morte — caso tivessem entrado na corrente sanguínea e circulado normalmente, "ela certamente teria morrido".
Em vez disso, Zivot afirmou que uma explicação possível é que, em vez de entrar na corrente sanguínea de Pike, o pentobarbital provavelmente se espalhou pelo tecido subcutâneo.
Zivot disse ser "muito possível" que a mulher tenha como sequela uma cerebral, uma vez que as tentativas de reanimação não foram realizadas imediatamente. No entanto, seria necessária "pelo menos uma semana" para que a quantidade de pentobarbital no organismo de Pike se dissipasse e permitisse "um bom exame neurológico", disse ele na semana passada.
"Mesmo com todas as intervenções disponíveis, as perspectivas de sobrevivência dela permanecem incertas", havia dito ele.
Zivot acrescentou que é provável que ela apresente "quadros médicos graves que poderiam mudar significativamente" sua vida.
A BBC entrou em contato com Zivot para obter mais comentários após Pike recuperar a consciência.
Os advogados de Pike haviam alertado anteriormente que seu histórico médico e sua anatomia — incluindo trombocitose (uma condição de coagulação sanguínea) e veias de pequeno calibre — implicavam um risco de ela ter dor e sofrimento "desnecessários" durante a aplicação da injeção letal.