O Ministério das Relações Exteriores do México enviou uma nota diplomática ao governo dos Estados Unidos para pedir "investigação completa" sobre o que classificou como o uso de armas não-letais na direção do território mexicano. No domingo, durante protesto de imigrantes perto do posto de San Ysidro, agentes americanos lançaram gás de pimenta do outro lado da divisa para conter o grupo que forçava a entrada no país. No dia seguinte, o México anunciou ter deportado 98 estrangeiros que tentaram entrar "de maneira violenta" nos EUA.
O protesto ocorreu perto da cerca que divide a cidade mexicana Tijuana da americana San Diego. O episódio marca a escalada da tensão na fronteira, onde ficaram barrados cinco mil centro-americanos que deixaram seus país - sobretudo Honduras - em busca de asilo nos EUA. Segundo as autoridades, 42 imigrantes foram detidos por entrarem sem autorização no território americano.
O governo americano defendeu a reação de seus agentes, criticados por parlamentares e organizações humanitárias. O grupo de assistência Oxfam classificou o uso de gás de pimenta como "vergonhoso". Democratas viram exagero no ato. Fotos mostraram crianças e mulheres desesperadas no meio da fumaça. Chefe do efetivo policial de fronteira de San Diego, Rodney Scott ressaltou à rede CNN que a maioria dos estrangeiros tinha motivação econômica e não teria asilo concedido.
"O que vi na fronteira não foram pessoas andando até os agentes de fronteira e pedindo asilo", argumentou Scott, que apontou haver poucas crianças e mulheres no grupo.
Em comunicado, a secretária do Departamento de Segurança Interna dos EUA, Kirstjen Nielsen, acusou os organizadores do protesto de usarem crianças como "escudo humano".
A jornalistas, em evento no Mississippi, o presidente americano Donald Trump destacou que fecharia a fronteira se os imigrantes forçassem a barreira. A passagem de veículos e pessoas em San Ysidro - a mais movimentada dos EUA - chegou a ser suspensa no domingo em função do avanço dos estrangeiros.