Publicado em 1 de março de 2026 às 15:11
O ataque que matou o líder supremo do Irã, o aiatolá Ali Khamenei, não ocorreu no meio da noite, como se poderia esperar, mas no meio da manhã.>
Isso aconteceu porque os Estados Unidos e Israel decidiram aproveitar uma informação crucial que havia chegado horas antes.>
Durante meses, eles estavam à espera de uma oportunidade em que figuras importantes do Irã pudessem estar reunidas e descobriram que Khamenei estaria em um complexo no centro de Teerã na manhã de sábado.>
Eles também tinham a localização de outras figuras importantes das forças armadas e da inteligência que se reuniriam no mesmo horário.>
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Durante meses, os EUA e Israel monitoraram os movimentos do líder supremo. Os métodos usados são secretos, embora o presidente americano, Donald Trump, tenha feito alusão a eles em uma publicação nas redes sociais.>
"Ele não conseguiu evitar nossa inteligência e nossos sistemas de rastreamento altamente sofisticados.">
Isso pode ter sido uma fonte humana relatando informações, mas é mais provável que tenha sido um rastreamento técnico de indivíduos iranianos.>
Na guerra de 12 dias que aconteceu em junho de 2025, Israel teve como alvo cientistas e funcionários ligados ao programa nuclear iraniano e, segundo relatos, usou a infiltração em sistemas de telecomunicações e telefonia móvel para entender a movimentação de indivíduos.>
Isso incluía, às vezes, o rastreamento dos movimentos de guarda-costas ligados a funcionários importantes.>
A longo prazo, isso pode ajudar a construir um "padrão de vida" para prever e entender atividades, bem como buscar momentos de vulnerabilidade.>
O Irã sabia que o líder supremo estava na mira de seus inimigos e, ainda assim, a incapacidade de identificar e neutralizar essas vulnerabilidades nos meses seguintes sugere uma falha profunda na segurança e na contrainteligência iranianas — ou evidencia a capacidade de Israel e dos EUA de adaptar continuamente seus métodos para encontrar novas formas de rastreá-lo.>
Os iranianos também podem ter calculado que um ataque diurno era menos provável.>
Neste caso, segundo o jornal New York Times, a informação veio da CIA, mas foi repassada a Israel para que realizasse o ataque.>
Há indícios de que existe uma divisão de trabalho, com Israel priorizando os ataques contra alvos da liderança do Irã e os EUA contra os alvos militares.>
A informação forneceu conhecimento prévio suficiente sobre os movimentos do líder supremo e de outros oficiais para que fosse possível planejar um ataque usando aviões capazes de disparar mísseis de longo alcance.>
Em vez de um ataque isolado para decapitar o líder, o plano era que este ataque sinalizasse o início de uma campanha mais ampla, e ele foi antecipado para aproveitar a janela de oportunidade.>
Os caças israelenses podem levar cerca de duas horas para chegar a Teerã, mas não está claro de que distância eles são capazes de disparar suas munições.>
Quando a decisão foi tomada, os jatos israelenses teriam usado 30 bombas para atacar o complexo por volta das 9h40 do horário local.>
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Isso pode ter acontecido porque o líder supremo ainda utilizava um bunker subterrâneo abaixo do complexo para sua proteção, embora não fosse um dos mais profundos do regime.>
Pode ter sido necessário o uso de múltiplas munições para atingir o alvo a uma profundidade suficiente.>
Outros locais na capital iraniana também foram atingidos, incluindo o gabinete do presidente Masoud Pezeshkian, que posteriormente divulgou um comunicado afirmando estar em segurança.>
A morte de três funcionários de alto escalão da defesa iraniana foi confirmada pelo Irã: o secretário do Conselho de Defesa, Ali Shamkhani; o ministro da Defesa, brigadeiro-general Aziz Nasirzadeh; e o comandante da Guarda Revolucionária Islâmica, general Mohammad Pakpour.>
Quando os jatos atingiram o alvo, era madrugada em Mar-a-Lago, na Flórida, onde o presidente Trump estava reunido com alguns de seus principais assessores para acompanhar os acontecimentos.>
Levaria horas até que a confirmação da morte do líder supremo fosse divulgada.>
O Irã, no entanto, estava preparado para essa possibilidade, com relatos de que planos de sucessão não apenas para Khamenei, mas também para diversos outros altos funcionários, já haviam sido elaborados. >
Isso significa que ainda não está claro qual será o impacto desse assassinato no curso do conflito.>
Os novos ataques ao Irã acontecem após semanas de negociações entre Washington e Teerã na tentativa de fechar um acordo sobre o programa nuclear iraniano.>
Em pronunciamento sábado, o presidente americano, Donald Trump, disse que o Irã "tentou reconstruir seu programa nuclear e continua desenvolvendo mísseis de longo alcance".>
Trump disse ainda que os EUA vão reduzir a indústria de mísseis do Irã a pó e "aniquilar" sua Marinha. >
O presidente instou os iranianos a usarem o momento para derrubar o regime clerical do país. >
"Quando terminarmos, tomem o poder. Será de vocês. Esta será provavelmente a única chance que terão por gerações", declarou.>
O mandatário também disse aos membros das forças de segurança iranianas que receberiam "imunidade" se depusessem as armas. Caso contrário, "enfrentariam morte certa".>
O presidente israelense, Benjamin Netanyahu, afirmou que "um regime terrorista assassino" não deve possuir armas nucleares "que lhe permitam ameaçar toda a humanidade". >
"Agradeço ao nosso grande amigo, o presidente Donald Trump, por sua liderança histórica", acrescentou.>
Para o analista Jeremy Bowen, editor da BBC com ampla experiência na cobertura do Oriente Médio, Israel e Estados Unidos calcularam que o regime islâmico no Irã está vulnerável, lidando com uma grave crise econômica, as consequências da repressão brutal a manifestantes no início do ano e as defesas ainda enfraquecidas após os ataques sofridos em junho de 2025. >
Os presidentes americano e israelense concluíram que esta era uma oportunidade que não deveria ser desperdiçada.>
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