Alunos da rede pública do condado de Broward, na Flórida (EUA), só poderão usar mochilas transparentes para ir à escola. Rede de ensino diz se tratar de mais uma medida de segurança, para tentar evitar ataques.
"O objetivo deste requisito é adicionar uma camada adicional de segurança em todo o nosso distrito e fornecer proteção adicional para nossos alunos, funcionários e professores", diz o comunicado.
A medida passa a valer a partir do segundo semestre deste ano. Conforme a nota emitida, a partir de 21 de agosto, apenas mochilas e sacolas transparentes serão permitidos nos campi das escolas para alunos de todas as séries.
Há algumas exceções permitidas. Entre elas, uma bolsa para itens de higiene pessoal, recipientes térmicos e estojos para equipamentos esportivos e instrumentos musicais, desde que aprovados pela escola.
A cidade mais populosa do condado é Fort Lauderdale. Ataques em escolas nos Estados Unidos com armas de fogo se tornaram comuns nas últimas duas décadas. O último ocorreu em Nashville, no sul do país, e deixou três crianças e três adultos mortos.
Outras cidades
O condado não é a primeira região dos Estados Unidos a adotar a medida. No ano passado, após um ataque deixar 19 crianças e dois adultos mortos em Uvalde, no Texas, a cidade de Dallas, no mesmo Estado, determinou que alunos do ensino fundamental e médio usem mochilas transparentes, dadas pelo governo. Eles são autorizados a levar uma segunda bolsa, menor e opaca, para itens pessoais, como remédios, absorventes e carteira.
Também em 2022, em Lafayette, na Louisiana, as mochilas transparentes se tornaram obrigatórias. Lá chegou-se a debater a exigência de que até lancheiras deixassem o conteúdo visível, mas pais reclamaram do custo de trocá-las, e a ideia foi descartada.
Apesar das boas intenções, analistas e profissionais de ensino questionam as medidas. "Se um aluno quiser de fato cometer um crime, ele pode enrolar a arma em um pano ou colocá-la dentro de um caderno ou livro falso na mochila. Ou levá-la junto ao corpo", pondera Jorge Lordello, especialista em segurança.
Para ele, o mais indicado seria restringir o acesso de pessoas de fora às escolas e reforçar cuidados com a saúde mental dos estudantes. Investimentos em atendimento psicológico e monitoramento de pessoas com comportamentos destrutivos são quase um consenso entre democratas e republicanos.