Publicado em 21 de abril de 2023 às 13:19
- Atualizado há 3 anos
O presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, disse nesta sexta-feira (21) que, se os juros não estivessem altos no Brasil, a taxa de inflação ficaria em 10% em 2023, não 5,8%, como previsto pelas projeções.>
Ele afirmou ainda que a taxa Selic precisaria estar em 18,75% hoje para frear o aumento de preços no país.>
Campos Neto tem sido alvo de críticas do governo Lula, parlamentares e empresários pela decisão de manter, em março, a taxa básica de juros em 13,75% — patamar em vigor desde o início de agosto de 2022. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) argumenta que os juros altos emperram o crescimento da economia.>
"O Banco Central fez a maior alta de juros num ano de eleição na história do mundo. Isso mostra que o BC atua de forma bastante independente. Na política monetária, quando você age antes, o custo é menor", disse Campos Neto em palestra na conferência da Lide, em Londres.>
>
"Se a gente não tivesse subido os juros, a inflação não seria 5,8%, seria 10% em 2023 e 14% no ano seguinte. E a taxa de juros estaria em 18,75%.">
Falando para uma plateia de empresários, ex-ministros da Fazenda, ex-presidentes do Banco Central e parlamentares, Campos Neto defendeu repetidas vezes a autonomia do Banco Central.>
Segundo ele, embora o "anseio dos juros seja político" o trabalho do Banco Central "é tecnico".>
"O timing técnico é diferente do timing político, por isso a autonomia é importante. O custo de combater inflação é alto e sentido no curto prazo, mas o custo de não combater é mais alto e perene", afirmou.>
Ele citou a Argentina como exemplo de país que viu a inflação ficar descontrolada depois de reduzir juros, abandonar metas de inflação e retirar a autonomia do Banco Central.>
"Será que vale seguir sistema de metas? Olhamos países que tinham sistemas e abandonaram. A Argentina aumentou meta para ter flexibilidade. Depois abandonou o sistema de metas e a autonomia do BC, e a inflação acelerou", disse.>
Para o presidente do Banco Central a taxa Selic alta se justifica porque previsões econômicas para os próximos anos no Brasil se deterioraram. >
"De novembro para cá, as expectativas começaram a se deteriorar, tanto para 2025 quanto 2026.">
Um dia antes, também durante a conferência da Lide, a alta taxa de juros foi alvo de duras críticas do presidente do Senado, Rodrigo Pacheco.>
Diante do presidente do Banco Central, que estava na plateia da conferência, Pacheco afirmou que há um "consenso" entre o governo federal, o Congresso Nacional e empresários de que a taxa de juros precisa baixar.>
"Não conseguiremos crescer o Brasil com taxa de juros a 13,75%. Temos um novo governo com uma forma de pensar ao país, um Congresso que tem suas perspectivas. Há divergências no meio empresarial. Mas se há algo que nos une é o desejo de reduzir taxa de juros no Brasil", disse.>
"Nós aprovamos a autonomia do Banco Central, que foi fundamental. Mas a perspectiva dessa autonomia é para que o BC não fosse suscetível a interferências indevidas. Há um sentimento de que precisamos encontrar caminhos para a redução imediata da taxa de juros.">
Segundo Pacheco, a redução dos juros "é o desejo do Congresso, da economia e do setor produtivo, junto com o arcabouço fiscal.">
Após discursar, o presidente do BC foi perguntado sobre o que acha do arcabouço fiscal, proposta enviada pelo governo Lula ao Congresso e que vai substituir o teto de gastos. Segundo Campos Neto, o arcabouço fiscal "vai na direção certa", mas ainda pode ser aprimorado pelos parlamentares. >
"Pode ser que tenha alguns reparos e melhorias no Congresso. Mas acho que está na direção certa." >
Para o presidente do BC, é preciso "melhorar a comunicação" sobre o potencial do arcabouço fiscal em conter gastos para que os mercados reajam, melhorem as previsões econômicas para o Brasil e permitam reduções na taxa de juros. >
"Temos que explicar melhor, para que expectativa dos mercados melhore. Nenhum banqueiro central gosta de subir juros.">
Segundo a proposta do governo federal, no lugar do teto de gastos — que hoje limita o crescimento das despesas à inflação do ano anterior —, os gastos públicos passariam a crescer dentro de um intervalo de 0,6% a 2,5% acima da inflação, a depender do ritmo de expansão das receitas.>
Campos Neto também foi perguntado se ele acredita que a autonomia do Banco Central está ameaçada, já que ela foi garantida por uma lei aprovada pelo Congresso e poderia eventualmente ser retirada pelos parlamentares. >
"Não acho que está amaçada. O debate sobre juros é normal e é meu papel explicar. Estou sempre disponível para explicar o que está acontecendo. Acho que é importante aumentar a comunicação." >
Notou alguma informação incorreta no conteúdo de A Gazeta? Nos ajude a corrigir o mais rápido possível! Clique no botão ao lado e envie sua mensagem.
Envie sua sugestão, comentário ou crítica diretamente aos editores de A Gazeta