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Imagem de Trump como Jesus Cristo e embate com o papa provocam reação até entre aliados

Trump recebeu críticas não apenas de opositores, mas também de setores de sua própria base.
BBC News Brasil

Publicado em 

14 abr 2026 às 07:33

Publicado em 14 de Abril de 2026 às 07:33

Imagem BBC Brasil
Trump e a imagem que ele postou de si mesmo em sua rede social, Truth Social Crédito: BBC
A imagem de Donald Trump como uma figura semelhante a Jesus, somada a um novo embate com o papa, está gerando reação negativa — inclusive entre seus próprios apoiadores mais fiéis.
Trump foi obrigado a apagar uma publicação nas redes sociais que trazia uma imagem gerada por inteligência artificial em que aparecia como uma figura semelhante a Jesus, com luz divina saindo de suas mãos.
Ele afirmou que a intenção era retratá-lo como um médico curando pessoas. Ainda assim, a postagem provocou uma onda de críticas — não apenas de opositores, mas também de setores de sua própria base.
Alguns cristãos conservadores, tradicionalmente alinhados a Trump, classificaram a imagem como blasfema e desrespeitosa às crenças religiosas. Um deles escreveu:
"Deus não será zombado", enquanto outro descreveu a publicação como "blasfêmia vinda do Salão Oval", pedindo que o presidente a apagasse — o que acabou acontecendo.
A decisão representa uma rara mudança de posição de Trump diante da pressão pública, especialmente de apoiadores cujo respaldo político ele considera essencial.
Além disso, o presidente também entrou em conflito com papa Leão 14, após publicar um ataque duro contra o pontífice na rede Truth Social, em resposta a críticas do papa à guerra no Irã. Trump declarou: "Não sou um grande fã do papa Leão".
O papa, por sua vez, afirmou não temer o governo Trump e disse que continuará defendendo a paz e se posicionando firmemente contra conflitos armados.
No dia 31 de março, em conversa com jornalistas quando saía do Palácio Apostólico de Castel Gandolfo, nos arredores de Roma, o posicionamento de Leão era coerente com o discurso da Igreja: pedia a paz, cobrava a defesa da dignidade humana e reforçava a necessidade de que as partes buscassem se sentar à mesa de negociação.
No entanto, vaticanistas e observadores notaram uma mudança de padrão. Em vez da crítica indireta, falando sobre o problema sem mencionar o nome do chefe de Estado envolvido, o sumo pontífice citou claramente Trump.
Com os mais recentes conflitos bélicos como pano de fundo, as discordâncias entre os dois líderes vêm escalando para uma verdadeira guerra discursiva, com trocas de farpas que escancaram a oposição de seus pensamentos e interesses.
A disputa é considerada arriscada para Trump. Ele conquistou forte apoio entre eleitores católicos na eleição de 2024, mas esse apoio já caiu para menos de 50% desde o início dos ataques ao Irã.
No ano passado, Trump já havia publicado imagens em que aparecia como o próprio papa, sugerindo que talvez devesse assumir a liderança da Igreja Católica.
Embora alguns de seus apoiadores mais fervorosos o tratem como uma espécie de novo messias, até mesmo ele parece ter reconhecido que, dessa vez, foi longe demais.

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