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Ferrari apresenta seu 1º carro elétrico: as reações após montadora italiana voltar atrás em seus planos

Algumas reações nas redes sociais ao lançamento foram extremas — de "direto para o ferro-velho" a "uma verdadeira aula de design".

Publicado em 26 de Maio de 2026 às 11:32

BBC News Brasil

Publicado em 

26 mai 2026 às 11:32
Imagem BBC Brasil
Espera-se que a Ferrari Luce, que é completamente elétrica, esteja disponível ainda este ano Crédito: Ferrari
A fabricante de carros esportivos de luxo Ferrari lançou na segunda-feira (25/05) seu primeiro carro totalmente elétrico — o Luce — que custará US$ 640 mil (R$ 3,2 milhões).
O novo modelo se afasta do visual típico da Ferrari por ser o primeiro carro de cinco lugares da marca italiana, criado em colaboração com a agência LoveFrom, fundada pelo ex-chefe de design da Apple, Jony Ive.
Algumas reações nas redes sociais ao lançamento foram extremas — de "direto para o ferro-velho" a "uma verdadeira aula de design".
Rivais do segmento de supercarros, como Lamborghini e Porsche, reduziram seus planos de produzir veículos elétricos devido à baixa demanda e à intensa concorrência de marcas chinesas.
O diretor-executivo da Ferrari, Benedetto Vigna, disse em Roma que o Luce, que significa "luz" em italiano, levou meia década para ser desenvolvido.
A Ferrari planeja lançar o veículo elétrico após ter inicialmente descartado essa ideia, optando por fabricar carros híbridos movidos tanto a gasolina quanto a eletricidade.
O Luce funciona com um motor elétrico fabricado pela Ferrari em cada roda, ajudando o carro a atingir 96 km/h em cerca de 2,5 segundos.
A empresa afirmou que todos os componentes são feitos internamente, de modo que o carro possa ser reparado pela própria companhia no futuro, protegendo o valor de revenda do Luce.
A mudança das gigantes da indústria automotiva para veículos elétricos vem enfrentando grandes obstáculos nos últimos anos.
Montadoras, incluindo Ford e Volkswagen, reforçaram sua aposta em carros a gasolina, especialmente nos EUA, devido à baixa demanda e a mudanças regulatórias sob o presidente Donald Trump, que reduziu incentivos para compradores de veículos elétricos.
O lançamento do carro-conceito elétrico da Jaguar foi duramente criticado por abandonar o estilo clássico da marca britânica.
Imagem BBC Brasil
O Luce é o primeiro carro de cinco lugares da Ferrari Crédito: Ferrari
A apresentação do Luce pela Ferrari enfrentou críticas semelhantes.
Uma pessoa disse no X: “A Ferrari acabou de matar sua marca, assim como a Jaguar. Isso vai direto para o ferro-velho.”
“O que está acontecendo com os fabricantes europeus de carros de luxo? Primeiro Jaguar e agora Ferrari”, postou outra pessoa.
Mas nem todos tiveram opiniões negativas sobre o novo carro. Em uma postagem, uma pessoa disse: “Uma verdadeira aula de design. A Ferrari acaba de revelar o impressionante conceito LUCE, que é um divisor de águas.”
O diretor de design da Ferrari, Flavio Manzoni, disse em uma entrevista à YouTuber Cleo Abram que os críticos fazem parte do processo de inovação.
Ele reconheceu que o conceito de uma Ferrari elétrica com novo design é "polarizador", mas acredita que as pessoas irão apreciá-la nos próximos meses.
A Ferrari também disse que continuará oferecendo carros a gasolina e híbridos junto com seu veículo totalmente elétrico.
Imagem BBC Brasil
O interior da Ferrari Luce Crédito: Ferrari
Os concorrentes diretos da Ferrari reduziram suas ambições com veículos elétricos.
A Lamborghini abandonou seus planos de lançar carros totalmente elétricos, optando por modelos híbridos, citando a baixa demanda por veículos elétricos de luxo de alto padrão.
A Porsche, da Alemanha, reduziu seus planos para veículos elétricos devido à fraca demanda, pressionada por vendas baixas na China e tarifas nos EUA.
Montadoras ocidentais também enfrentaram intensa concorrência de fabricantes chinesas, que conseguem produzir veículos mais rapidamente e a custos mais baixos.
A Ferrari é a fabricante de carros mais valiosa da Europa. Ela depende da venda de carros altamente exclusivos — uma estratégia que ajudou a proteger a Ferrari de grande parte da pressão enfrentada pelos concorrentes.
No entanto, as ações da Ferrari caíram mais de 25% no ano passado, refletindo uma queda maior nas marcas de luxo, já que a inflação em todo o mundo afetou a demanda por produtos de alto padrão.

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