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Ex-escritor de discursos demitido, lobista e linha dura: quem são os aliados de Flávio Bolsonaro no governo Trump

Rede alimentada há quase uma década pela família Bolsonaro reúne nomes de baixo e alto escalão da diplomacia dos EUA.

Publicado em 18 de Junho de 2026 às 06:35

BBC News Brasil

Publicado em 

18 jun 2026 às 06:35
Imagem BBC Brasil
Flávio Bolsonaro esteve em Washington, em maio, e se reuniu com Donald Trump e uma série de funcionários do governo norte-americano Crédito: Reprodução/Instagram/@flaviobolsonaro
O encontro de líderes do G7 — fórum que reúne sete das maiores economias do mundo — acabou indicando que a boa "química" entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Donald Trump pode ter ficado no passado.
Os dois deixaram a reunião trocando críticas veladas entre si. Por um lado, Lula disse que não aceitaria interferências nas eleições brasileiras. Trump, por sua vez, afirmou que o Brasil havia se tornado "politicamente difícil".
O novo ruído entre Brasília e Washington chama atenção porque ocorre menos de um mês depois de o senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ter se encontrado com Trump e com um grupo de autoridades do governo norte-americano, numa demonstração do trânsito que sua família construiu junto à atual administração dos Estados Unidos.
Logo depois dessa viagem, os Estados Unidos anunciaram a designação do Comando Vermelho (CV) e do Primeiro Comando da Capital (PCC) como organizações terroristas internacionais e passaram a sinalizar a possibilidade de impor novas tarifas a produtos brasileiros como resultado de investigações conduzidas pelo governo norte-americano.
As duas medidas foram interpretadas por interlocutores do presidente Lula como uma clara disposição de interferir no processo eleitoral deste ano em favor de Flávio.
A sequência de movimentos lançou luz sobre a proximidade de Flávio Bolsonaro junto ao governo Trump e, sobretudo, sobre quem são os principais interlocutores do senador nos Estados Unidos.
A BBC News Brasil apurou que os cinco principais nomes ligados a Flávio fazem parte de uma rede criada e alimentada ao longo de quase uma década, principalmente pelo ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP). Eduardo é o filho de Bolsonaro apontado como uma espécie de "chanceler" informal do clã de direita e vive nos Estados Unidos desde o ano passado.
Nesta semana, ele foi condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) por coação no curso de processo judicial. Segundo o STF, ele atuou nos Estados Unidos para tentar pressionar autoridades brasileiras e interferir no processo que levou à condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) por golpe de Estado e tentativa violenta de abolição do Estado Democrático de Direito.
Essa rede conta, segundo apurou a BBC News Brasil, com a atuação mais incisiva de pelo menos dois integrantes de escalões mais baixos do governo norte-americano — Darren Beattie e Ricardo Pita —, mas também passa por nomes de alto escalão, como o secretário de Estado Marco Rubio e o vice-secretário de Estado Christopher Landau.
A existência desse grupo ficou evidente durante a viagem de Flávio a Washington, em maio, quando ele se encontrou com quatro desses cinco interlocutores: Rubio, Landau, Beattie e o estrategista político Jason Miller.
Nos bastidores, interlocutores de Lula avaliam que essa rede atua para empurrar o governo Trump na direção de uma postura mais dura contra a atual administração petista, à medida em que setores do governo republicano veriam com simpatia a possibilidade de um novo governo de direita no Brasil, supostamente mais pró-EUA.
O chefe para Américas da consultoria Eurasia Group, Christopher Garman, contemporiza a suposta influência de Flávio e sua família junto ao governo norte-americano.
"Existe, sim, um grupo que puxa o governo norte-americano na direção dos Bolsonaro, mas esse grupo foi colocado de lado por Trump no ano passado. Sim, eles têm contato com figuras importantes, mas Trump tem, hoje, uma postura mais pragmática em relação ao Brasil", diz Garman à BBC News Brasil.
A BBC News Brasil procurou Ricardo Pita, Darren Beattie, Jason Miller e o Departamento de Estado dos Estados Unidos, mas não houve retorno.
A seguir, conheça mais sobre os homens de Flávio no governo Trump.

Darren Beattie

Imagem BBC Brasil
Darren Beattie teve o visto brasileiro revogado pelo governo após tentar visitar Jair Bolsonaro Crédito: Governo dos Estados Unidos
Darren Jeffrey Beattie atua no Departamento de Estado como enviado para assuntos relacionados ao Brasil, embora não seja funcionário de carreira.
Um diplomata brasileiro com quem a BBC News Brasil conversou em caráter reservado disse que ele faz parte de um grupo mais restrito dentro do governo norte-americano francamente pró-Flávio. Nesse núcleo também estaria Ricardo Macedo Pita.
Esta é a segunda passagem de Beattie pela administração Trump. Antes de chegar ao Departamento de Estado, ele atuou como jornalista, acadêmico e estrategista político. No universo acadêmico, é bacharel em matemática e tem doutorado em Ciência Política pela Universidade de Duke.
Durante sua primeira passagem pelo governo, em 2018, viu seu nome envolvido em polêmicas após participar de um painel organizado pelo ativista Peter Brimelow, supostamente vinculado ao movimento supremacista branco.
Na época, atuava como escritor de discursos ligado a funcionários da Casa Branca e acabou demitido.
À época, a imprensa norte-americana reportou que ele respondeu ao episódio dizendo que não tinha feito "nada questionável" e que mantinha suas observações "completamente".
Nas redes sociais, Beattie citou o Brasil algumas vezes. Em pelo menos três situações, mencionou o país para criticar os Estados Unidos sob a administração do democrata Joe Biden.
"Estados Unidos se equilibram para uma distopia que combina os piores elementos do Brasil, África do Sul e Alemanha Oriental", disse em agosto de 2022.
Em 2024, ele se envolveu em uma nova polêmica associada à sua defesa de homens brancos.
"Homens brancos competentes deveriam estar no comando se você quer que as coisas funcionem. Infelizmente, nossa ideologia nacional se baseia em mimar os sentimentos de mulheres e minorias e em desmoralizar homens brancos competentes".
A BBC News Brasil procurou Beattie para comentar os dois episódios, mas ele não respondeu aos questionamentos enviados.
A despeito desse histórico, ele voltou ao governo em 2025, já no segundo mandato de Trump.
Antes de assumir o cargo dedicado ao Brasil, ocupou a função de subsecretário de diplomacia pública, destinado a, segundo o governo, "liderar o alcance da diplomacia pública dos Estados Unidos, o que inclui mensagens para conter o terrorismo e o extremismo violento".
Foi nessa posição que Beattie desferiu diversas críticas à atuação do STF e ao atual governo brasileiro.
"O ministro Alexandre de Moraes é o principal arquiteto do complexo de censura e perseguição direcionado contra Bolsonaro e seus apoiadores (...) Os aliados de Moraes no tribunal e em outros lugares são fortemente aconselhados a não auxiliar ou coniventes com o comportamento sancionado de Moraes. Estamos monitorando a situação de perto", disse Beattie em uma postagem no X, em 6 de agosto de 2025.
Após a condenação de Bolsonaro, em setembro daquele ano, ele voltou às redes sociais para criticar a decisão.
"Esta decisão marca um funesto novo marco no complexo de censura e perseguição do abusador de direitos humanos sancionado, o ministro Alexandre de Moraes, direcionado a Bolsonaro e seus apoiadores. Nós levamos este acontecimento sombrio com a máxima seriedade", disse em outra postagem.
Após a aproximação entre Lula e Trump, Beattie perdeu espaço na administração republicana e foi substituído no cargo que ocupava pela advogada Sarah B. Rogers, mas continuou sob o comando de Rubio.
Sua ligação com a família Bolsonaro, no entanto, permaneceu intacta. Em março deste ano, ele protagonizou um impasse diplomático ao tentar visitar Jair Bolsonaro em sua prisão domiciliar, em Brasília.
O impasse surgiu porque, segundo o governo brasileiro, Beattie pediu visto para vir ao Brasil sem mencionar que sua intenção era visitar o ex-presidente. Quando o motivo de sua vinda ao país se tornou público, o governo revogou o documento.
À época, um diplomata brasileiro com conhecimento do assunto disse à BBC News Brasil, em caráter reservado, que Beattie faria parte de uma ala mais radical do Departamento de Estado e, naquele momento, teria pouca força política.
Beattie fez parte do grupo de funcionários do Departamento de Estado que Flávio encontrou em sua viagem a Washington.
Ele foi visto saindo do hotel em que o senador estava hospedado durante sua passagem pela capital norte-americana. Os dois se encontraram por aproximadamente uma hora, mas, ao sair, Beattie não quis falar com a imprensa.

Ricardo Pita

Imagem BBC Brasil
Ricardo Pita esteve no Brasil em 2025, quando visitou o ex-presidente Jair Bolsonaro. Ele é venezuelano e atua no governo norte-americano Crédito: Divulgação/X/BolsonaroSP
Ricardo Macedo Pita é o mais discreto entre os nomes ligados a Flávio e à família Bolsonaro no governo norte-americano. No X, suas duas únicas menções ao Brasil são de 2016. Uma é um elogio aos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro. A outra é uma postagem sobre uma reportagem crítica ao governo da ex-presidente Dilma Rousseff (PT).
Nascido na Venezuela, Pita deixou o país com seu pai em 2008, durante a era chavista. Em suas redes sociais, é a situação venezuelana que mais lhe chama atenção.
Como milhares de dissidentes do país, ele se instalou na Flórida, onde terminou seus estudos. Formou-se em direito e ciência política e passou a atuar como assistente do senador republicano Ted Cruz, na Flórida e em Washington.
Em 2025, passou a fazer parte da equipe escolhida por Rubio para trabalhar no Escritório de Assuntos para o Hemisfério Ocidental. Atualmente, é subsecretário adjunto interino para América do Norte.
Sua ligação com a família Bolsonaro ganhou os holofotes a partir de maio de 2025. Naquele mês, Pita veio ao Brasil como parte da primeira delegação de oficiais norte-americanos a visitar o país após Trump assumir seu segundo mandato.
Sua presença chamou atenção por conta da agenda. Ele foi ao encontro de Jair Bolsonaro, que à época ainda não havia sido condenado pelo STF, mas já era alvo de um processo por golpe de Estado.
A visita foi vista como uma demonstração de apoio do governo Trump ao ex-presidente.
"Pita expressou apoio ao presidente Bolsonaro e prometeu levar sua mensagem de volta a Washington", disse Eduardo em uma postagem em seu perfil no X.
Em setembro daquele ano, Eduardo e o empresário Paulo Figueiredo, que vivem nos Estados Unidos, tiveram um encontro com Pita e Beattie durante uma viagem a Washington.
Apesar de seu posto atual ser dedicado à América do Norte, Pita ainda é apontado por diplomatas brasileiros que atuam no exterior como um dos principais interlocutores da família Bolsonaro junto ao Departamento de Estado.

Christopher Landau

Imagem BBC Brasil
Flávio se encontrou com Christopher Landau, o segundo mais poderoso no Departamento de Estado Crédito: Divulgação/X/@FlavioBolsonaro
Christopher Landau tem 63 anos e ocupa atualmente o cargo de vice-secretário de Estado, abaixo apenas de Rubio.
Ele é advogado com doutorado pela Universidade de Harvard e, antes de chegar ao cargo, serviu como embaixador dos Estados Unidos no México no primeiro governo Trump, entre 2019 e 2021.
A ligação de Landau com a América Latina é antiga. Seu pai, George Landau, foi embaixador norte-americano nos anos 1970 e 1980 no Paraguai, Chile e Venezuela. Nascido em Madri, na Espanha, quando seu pai atuava no país, Landau fala espanhol fluentemente e também se arrisca no português.
Em uma postagem no X, em dezembro de 2023, ele brincou com o fato de estar fazendo lições de português por meio de um aplicativo chamado Duolingo.
Landau é considerado, ao lado de Rubio, um dos principais especialistas em América Latina do Departamento de Estado, órgão que, historicamente, se notabilizou por focar recursos e atenção a regiões como Europa, Oriente Médio e, mais recentemente, Ásia.
Ele também é conhecido por sua defesa da agenda conservadora que dá suporte a Trump e por ser um crítico ferrenho da esquerda.
Em 2019, pouco depois de assumir o posto de embaixador no México, Landau se envolveu em uma polêmica ao criticar a ligação da artista mexicana Frida Kahlo com o comunismo.
"Admiro seu espírito livre e boêmio, e ela se tornou, com razão, um ícone do México em todo o mundo (...) O que eu não entendo é sua óbvia paixão pelo marxismo, leninismo e stalinismo. Ela não sabia sobre os horrores cometidos em nome desta ideologia?", indagou Landau em uma postagem.
Como Trump, sua atuação diplomática é marcada pelo uso intenso de redes sociais. E foi com essas credenciais que ele se tornou um dos nomes que mais têm demonstrado apoio à família Bolsonaro em Washington.
O encontro com Flávio, Eduardo e Paulo Figueiredo foi apenas a mais recente demonstração desse alinhamento.
Em suas redes sociais, Landau, já no posto de vice-secretário de Estado, fez diversas postagens contra o processo criminal que levou à condenação de Jair Bolsonaro pelos crimes de golpe de Estado e tentativa violenta de abolição do Estado Democrático de Direito.
No dia 11 de setembro de 2025, mesma data da condenação, Landau usou suas redes para criticar a medida.
"Os Estados Unidos condenam o uso da lei como arma política. Como advogado, diplomata e amigo do Brasil, me dói ver o ministro Moraes devastando o Estado de Direito lá e levando as relações entre nossas duas grandes nações ao ponto mais sombrio em dois séculos. Enquanto o Brasil deixar o destino de nossa relação nas mãos do ministro Moraes, não vejo resolução para esta crise", disse Landau em uma postagem no X.
Em novembro daquele mesmo ano, no dia em que Bolsonaro foi preso preventivamente pouco antes de iniciar o cumprimento de sua sentença, Landau voltou a criticar a decisão do STF.
"Os Estados Unidos estão profundamente preocupados com seu mais recente ataque ao Estado de Direito e à estabilidade política no Brasil: a prisão provocativa e desnecessária do ex-presidente Jair Bolsonaro, que já estava em prisão domiciliar sob pesada guarda e limitações extremas de comunicação. Não há nada mais perigoso para a democracia do que um juiz que não conhece limites para seu poder", disse o norte-americano.
Landau é apontado por especialistas como um integrante da linha-dura da diplomacia norte-americana e extremamente crítico à atuação da esquerda na América Latina.
Em outra postagem, ele usou uma frase atribuída a seu pai para definir como a diplomacia dos Estados Unidos deve atuar em relação ao Brasil.
"A atual crise nas relações com o Brasil fornece um bom momento para reafiar um ponto básico sobre diplomacia que meu pai fez meio século atrás: não é nosso trabalho como diplomatas dizer a outros países soberanos o que fazer, mas é nosso trabalho deixá-los saber que suas ações podem e terão consequências".

Jason Miller

Imagem BBC Brasil
Jason Miller (à esquerda), é um dos conselheiros mais próximos de Donald Trump e declarou apoio à pré-candidatura de Flávio Bolsonaro Crédito: Reprodução/@JasonMiller
Jason Miller tem 52 anos e é apontado como uma das pessoas mais próximas de Trump fora de sua família. Miller foi porta-voz até 2021, quando deixou o governo para fundar a rede social Gettr, da qual foi CEO global até 2023.
Naquele ano, deixou a empresa e passou a atuar na campanha de Trump. Havia a expectativa de que, com a vitória republicana em 2024, pudesse ocupar um novo cargo no governo, mas, desde então, Miller passou a atuar em uma firma de lobby, atividade regulamentada nos Estados Unidos. Atualmente, sua firma tem como cliente o governo da Índia.
A proximidade entre Miller e a família Bolsonaro remonta ao período em que ele esteve no primeiro governo Trump e à sua trajetória como CEO do Gettr.
Miller chegou a ser interrogado pela Polícia Federal, em 2021, quando veio visitar o então presidente Bolsonaro.
Ele foi interrogado por quatro horas depois que o Gettr virou um dos alvos de investigações do inquérito que apurava a suposta atuação de milícias digitais contra instituições e autoridades brasileiras.
Na época, Miller comparou a PF brasileira ao regime nazista comandado por Adolf Hitler.
"Há uma preocupação genuína com essa Gestapo, essa polícia secreta que trabalha para o Supremo Tribunal. Porque, como eu disse, o juiz do Supremo Tribunal pode usar a lei para te perseguir e ter investigações secretas. Eles podem fazer e eles fazem. Realmente é um outro nível", afirmou Miller.
Nos últimos anos, ele se tornou um dos principais críticos da atuação de Alexandre de Moraes e do STF na condução do processo que levou à condenação de Jair Bolsonaro.
Em suas redes sociais, há dezenas de publicações com críticas ao Supremo e a Moraes. Segundo Miller, o ministro estaria violando o direito à liberdade de expressão e teria conduzido uma perseguição judicial contra Bolsonaro. O argumento é o mesmo usado pelo governo norte-americano durante a imposição do tarifaço de 50% sobre produtos brasileiros no ano passado.
Miller também passou a direcionar sua artilharia contra Lula, a quem retrata como aliado de Moraes e do governo da China.
Durante a passagem de Flávio por Washington, Miller estava na capital norte-americana, mas não participou da reunião na Casa Branca. Apesar disso, compareceu à entrevista coletiva concedida pelo senador e voltou a declarar seu apoio ao aliado.
"Eu tenho uma única mensagem para o povo do Brasil: uma eleição pode mudar tudo (...) eu apoio Flávio e sua candidatura à presidência", disse Miller.

Marco Rubio

Imagem BBC Brasil
Flávio se encontrou com Marco Rubio em Washington (DC), durante sua passagem pelos Estados Unidos, em maio Crédito: Divulgação/X/@FlavioBolsonaro
Marco Rubio é o chefe da diplomacia norte-americana e apontado em Washington como um dos principais especialistas em América Latina do governo norte-americano. Filho de cubanos que deixaram o país antes da revolução liderada por Fidel Castro, ele é um crítico frequente da atuação da esquerda na América Latina.
Rubio é natural da Flórida, onde começou sua carreira como advogado e parlamentar. Em 2010, foi eleito para o Senado e em 2015, chegou a concorrer nas primárias do Partido Republicano para a Presidência da República, mas desistiu da disputa.
Ao longo dos anos, ele se consolidou como uma das principais lideranças do Partido Republicano e, em 2025, foi nomeado como Secretário de Estado na gestão de Donald Trump. É tido como um dos nomes mais fortes da administração Trump e um possível candidato a sucedê-lo ao fim do seu mandato.
A ligação mais antiga de Rubio com a família Bolsonaro de que se tem notícia remonta o dia 28 de novembro de 2018 e foi, como a maior parte das interações da família com a gestão Trump, conduzida pelo ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro. Durante uma viagem aos Estados Unidos, Eduardo visitou Rubio.
"Satisfação conhecer ontem rapidamente o Senador Marco Rubio que tem destacada atuação em temas latino americanos como a defesa dos direitos humanos na Venezuela", postou Eduardo, na época.
Na ocasião, Bolsonaro já havia vencido as eleições presidenciais daquele ano e Eduardo intensificava sua atuação junto à direita norte-americana. Eduardo se encontrou com Rubio, ao lado de Filipe G. Martins, que viria a ser condenado pelo STF por tentativa de golpe de Estado, em 2025.
Dois anos depois, em 2020, Rubio e a família Bolsonaro tiveram um novo contato. Durante uma visita de Jair Bolsonaro à Flórida, o então presidente teve uma audiência com Rubio.
Durante o governo de Bolsonaro, Rubio foi um dos principais apoiadores da aliança liderada pelos Estados Unidos para isolar o governo de Nicolás Maduro, na Venezuela e, em várias postagens, comemorou a adesão do Brasil à medida.
No ano passado, Rubio também se notabilizou por fazer críticas diretas ao julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro e por apoiar as sanções impostas ao ministro Alexandre de Moraes, que foi sancionado pela Lei Global Magnitsky contra violações de direitos humanos. Ele também é mencionado por diplomatas como um dos principais apoiadores da política de tarifaço imposta pelo presidente Trump a produtos brasileiros.
"As perseguições políticas pelo abusador de direitos humanos sancionado Alexandre de Moraes continuam à medida em que ele e outros na Suprema Corte do Brasil têm injustamente imposto a prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro. Os Estados Unidos irão responder apropriadamente a esta caça às bruxas", disse Rubio em suas redes sociais, no dia 11 de setembro de 2025, dia em que Bolsonaro foi condenado pelo STF.
Após a breve aproximação entre Lula e Trump, ocorrida a partir de setembro de 2025, Rubio manteve um perfil mais baixo em relação ao Brasil e atendeu aos pedidos de Trump para que ele desse início a negociações para revisar as tarifas e sanções impostas ao Brasil e às autoridades brasileiras.
Nos meses seguintes, Moraes foi retirado das sanções da Lei Magnitsky.
Para o diretor de Américas da firma de consultoria Eurasia Group, Christopher Garman, a proximidade de Rubio com a família Bolsonaro no Brasil faz sentido com sua trajetória política.
Apesar disso, Rubio voltou a se posicionar de forma crítica ao governo brasileiro logo após a reunião que manteve com Flávio, durante uma audiência no Congresso norte-americano.
Segundo ele, o Brasil faria parte de uma série de regimes considerados "não-amigáveis" aos Estados Unidos.
"Nós agora temos, neste hemisfério, uma coalizão de países amigáveis de mais de uma dúzia (…). É uma história incrível, exceto por Nicarágua, por Cuba, por Venezuela, que ainda têm alguns desafios, e, claro, o Brasil, embora eles estejam no meio de um ciclo eleitoral (…). Em geral, é agora uma região repleta de aliados americanos", disse Rubio.
"Rubio tem uma forte agenda anti-esquerda na América Latina. Natural que, no Brasil, ele estivesse alinhado com a família Bolsonaro", diz Garman à BBC News Brasil.
Um diplomata brasileiro ouvido pela BBC News Brasil em caráter reservado classifica Rubio como um grande especialista em América Latina, fortemente alinhado com a pauta conservadora de Trump, mas menos ideológico que parte do movimento MAGA (sigla para Make America Great Again).

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