Publicado em 4 de março de 2026 às 16:08
Para Sanam Vakil, diretora do Programa de Oriente Médio e Norte da África do think tank britânico Chatham House, a atual disputa entre Irã e Estados Unidos está aos poucos se alastrando pelo mundo.>
Segundo ela, não apenas o restante do Oriente Médio está sendo envolvido, mas aliados americanos, como a Europa, também estão sendo arrastados para o conflito. >
"Esta não é uma guerra entre o Irã e os Estados Unidos. Embora essa possa ter sido a intenção, esta é uma guerra que está claramente se espalhando por toda a região", afirmou a especialista em entrevista ao programa Newsnight, da BBC. >
"Todos esses países foram envolvidos, mas o Reino Unido e a Europa também serão afetados.">
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Após os primeiros ataques conduzidos pelos EUA e Israel contra o Irã no sábado (28/2), as forças iranianas lançaram mísseis balísticos e drones contra o território israelense, diversos países do Oriente Médio com ligações com os EUA, uma base militar britânica no Chipre e navios na costa iraniana.>
Governos europeus reagiram aos ataques, alertando o Irã de que eles estavam prontos para tomar "medidas defensivas" para destruir sua capacidade de lançar mísseis e drones, caso Teerã não interrompesse seus "ataques indiscriminados".>
Mas segundo obsevadores, o continente tem enfrentado dificuldades para adotar uma posição unificada diante dos acontecimentos no Oriente Médio. >
A Europa parece preocupada não apenas com seus cidadãos na região, mas com o impacto que a crise pode ter sobre os consumidores em seus países, principalmente nos preços da energia e alimentos. Os líderes europeus também tentam não se indispor com Donald Trump.>
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Mas segundo Vakil, as nações do continente europeu não são as únicas que foram colocadas em uma posição delicada. O conflito também obrigará os Estados do Golfo a "tomar decisões difíceis", diz.>
Para a pesquisadora, o Irã "violou a soberania de muitos de seus vizinhos", entre eles países que mantinham relações com a república islâmica e tentavam negociar uma saída para a crise com os EUA.>
"Esses eram países que haviam reconstruído laços com o Irã, que tentavam negociar em nome da República Islâmica e dos Estados Unidos, e agora foram atacados não apenas em bases militares americanas, mas também em infraestrutura civil, aeroportos e hotéis em toda a região do Golfo", afirmou durante o programa Newsnight transmitido na noite de segunda-feira (02/03).>
"Portanto, este é um momento muito desafiador para os parceiros e aliados americanos, assim como para os parceiros e aliados europeus e britânicos", disse.>
"Eles estão buscando assistência e ajuda, e precisam mostrar aos seus cidadãos que também estão respondendo à situação.">
Questionada sobre o futuro do conflito, Sanam Vakil disse que nada está claro no momento. >
"A guerra está se espalhando, está se alastrando. Donald Trump já disse de tudo, desde 48 horas, quatro dias até quatro semanas", disse, mencionando as estimativas do presidente americano sobre o fim da operação. >
"É preciso haver uma saída. E é aqui que um país como o Reino Unido, mas também outros países, precisam se mobilizar, tentar intervir e pensar em qual será a saída.">
Ainda segundo Vakil, a falta de perspectiva a sobre o futuro é extremamente preocupante para a população iraniana. >
"Eles não querem sair para protestar enquanto mísseis caem do céu. Teerã está sendo pulverizada e não há nenhum plano para o dia seguinte", disse. >
"Podemos ter este regime intacto e reconstituí-lo, ou podemos ter caos, guerra civil, fragmentação. A oposição iraniana está muito dividida.">
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