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EUA dizem ter atacado radares iranianos, e Kuwait relata ataques com mísseis e drones

O Irã e os EUA dizem que realizaram novos ataques na região do estreito de Ormuz, com o Kuwait condenando os "repetidos" ataques iranianos.

Publicado em 01 de Junho de 2026 às 10:32

BBC News Brasil

Publicado em 

01 jun 2026 às 10:32
Imagem BBC Brasil
O estreito de Ormuz permanece bloqueado enquanto os ataques continuam, apesar das negociações de cessar-fogo Crédito: Reuters
As forças militares dos Estados Unidos disseram ter atacado instalações militares iranianas no fim de semana, enquanto Teerã afirma que respondeu disparando contra uma base americana — marcando a terceira escalada de violência em apenas uma semana no estreito de Ormuz.
O Comando Central dos EUA (Centcom) afirmou ter lançado "ataques de autodefesa" em resposta a "ações agressivas iranianas", que, segundo disse, incluíram o abatimento de um drone americano sobre águas internacionais.
A Guarda Revolucionária Islâmica do Irã (IRGC, na sigla em inglês) disse ter atacado uma base aérea usada pelas forças dos EUA para um ataque no sul do Irã.
Já o governo do Kuwait afirmou que seu sistema de defesa aérea interceptou mísseis e drones "hostis" — com seu ministério das Relações Exteriores posteriormente condenando "ataques iranianos hediondos e repetidos".
Trump instou seus críticos a "se sentarem e relaxarem" em uma publicação no Truth Social na madrugada desta segunda-feira (01/06), dizendo que "tudo vai dar certo no final". Ele afirmou que o Irã "realmente quer fazer um acordo, e será um bom [acordo] para os EUA".
Os ataques marcam a mais recente troca de agressões entre os dois lados após as negociações para um acordo não avançarem no fim de semana, com a imprensa americana noticiando que Trump solicitou mudanças nos termos.
As mudanças estão relacionadas à navegação no estreito de Ormuz e à remoção de urânio altamente enriquecido, segundo a rede americana CBS News. A Casa Branca não respondeu a um pedido de comentário.
Nesta segunda-feira, o porta-voz do ministério das Relações Exteriores do Irã disse que os EUA estavam "constantemente mudando suas posições e apresentando exigências novas ou contraditórias", o que, segundo ele, naturalmente "prolongaria as negociações".
O principal negociador do país havia dito no domingo (31/05) que Teerã não concordaria com nenhum acordo a menos que os direitos iranianos fossem plenamente garantidos.

Negociações por acordo

Os militares dos EUA disseram que realizaram "ataques de autodefesa contra radares iranianos e locais de comando e controle de drones" no sábado e no domingo na cidade de Goruk, perto do litoral sul do Irã, e em Qeshm, uma ilha no estreito de Ormuz.
Em uma publicação no X, o Centcom afirmou que caças dos EUA atingiram as defesas aéreas militares iranianas, uma estação de controle terrestre e dois drones que, segundo disse, "representavam uma ameaça clara a navios em trânsito pelas águas regionais". Nenhum militar americano ficou ferido nos ataques, afirmou.
O porta-voz do ministério das Relações Exteriores do Irã disse que os ataques foram uma violação do cessar-fogo.
A IRGC afirmou ter atacado uma base que, segundo alegou, os EUA utilizaram para disparar contra uma torre de comunicações na ilha de Sirik, no Golfo, a cerca de 65 km da costa sul do Irã.
O Exército iraniano acrescentou que sua resposta será "completamente diferente" se a agressão dos EUA se repetir, de acordo com declarações da IRGC divulgadas pela agência semioficial de notícias Fars.
As Forças Armadas do Kuwait disseram nesta segunda-feira que estão "enfrentando ataques hostis de mísseis e drones". A agência estatal de notícias KUNA noticiou que sirenes de ataque aéreo soaram em todo o país.
Seu ministério das Relações Exteriores posteriormente divulgou um comunicado condenando "nos termos mais fortes... os ataques iranianos hediondos e repetidos, que representam uma escalada perigosa e um ataque direto" ao Kuwait.
O Kuwait afirma que tais ataques "minam" os esforços para reduzir as tensões na região e disse que o país se reserva o direito de "tomar quaisquer medidas necessárias" para se defender.
Teerã atacou uma base aérea no Kuwait na semana passada em resposta a ataques aéreos anteriores dos EUA, que, segundo afirmou, foram realizados para impedir barcos iranianos de colocarem minas ao redor do canal de navegação.
Embora um cessar-fogo tenha entrado em vigor em 8 de abril, Trump tem sugerido repetidamente que os EUA e o Irã estão próximos de um acordo permanente e que as negociações estão avançando, mas até agora nenhum acordo formal foi alcançado.
Trump e assessores de alto escalão se reuniram na sexta-feira da semana passada para tomar uma "decisão final" sobre um plano para estender o cessar-fogo, mas a reunião terminou sem clareza sobre os próximos passos. Em seguida, surgiram notícias de que o presidente havia solicitado mudanças no texto.
Segundo a CBS News, os termos mais recentes incluem uma cessação da violência por 60 dias e um apelo para reabrir o estreito de Ormuz — a rota marítima pela qual normalmente passa aproximadamente um quinto das exportações globais de petróleo e gás natural liquefeito (GNL), cujo fechamento fez os preços globais do petróleo dispararem.
Também incluiria um quadro para retomar as negociações sobre o programa nuclear do Irã — que Teerã há muito sustenta ser pacífico — embora o porta-voz do ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmail Baghaei, tenha negado na segunda-feira que isso estivesse em discussão.
"Não houve negociações sobre os detalhes do dossiê nuclear. Nesta etapa, nossa prioridade é encerrar a guerra", disse Baghaei a jornalistas.
Ele acrescentou que o fim do conflito no Líbano continua sendo uma "condição essencial" para qualquer acordo e que Washington e Teerã ainda não chegaram a "uma conclusão final".
O Líbano foi arrastado para a guerra entre os EUA, Israel e o Irã em 2 de março.
O grupo apoiado pelo Irã, Hezbollah, lançou foguetes contra Israel em retaliação a um ataque israelense que matou o líder supremo do Irã, Ali Khamenei, ao qual Israel respondeu com uma campanha aérea no Líbano e uma invasão terrestre.

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