A mais recente pesquisa da Quaest sobre o cenário eleitoral
capixaba, divulgada na quinta-feira (16) por A Gazeta, não deixa dúvida sobre
quem é o maior cabo eleitoral do governador Ricardo Ferraço (MDB) em sua
pré-candidatura à reeleição: seu antecessor e principal apoiador, Renato
Casagrande (PSB).
Encerrado há mais de três meses, o governo de Casagrande segue
muito bem avaliado. Aprovado por 79% dos entrevistados, é considerado positivo
por 62% dos respondentes. Só 6% o avaliam como negativo.
É um capital político que já está a serviço de Ricardo nesta
etapa pré-eleitoral, com Casagrande circulando intensamente ao lado de seu
sucessor e dileto aliado.
Além disso, 59% dos 804 eleitores ouvidos pela Quaest entendem
que Casagrande “merece eleger um sucessor que ele indicar”. Só 29% discordam.
Ressalve-se que a pergunta foi formulada assim mesmo, embora,
tecnicamente, Ricardo já seja o sucessor de Casagrande, desde que assumiu o
cargo em seu lugar, no dia 2 de abril. Mas o foco da questão, por óbvio, é quem
será eleito no pleito de outubro.
Ao mesmo tempo, a pesquisa revela que a potencial “transfusão”
de capital político do ex-governador para Ricardo operou-se muito pouco,
efetivamente, até o momento.
A Quaest perguntou aos entrevistados se eles sabem quem é o
candidato de Casagrande. Só um em cada quatro responderam Ricardo Ferraço, isto
é, 25%.
E mais: incrivelmente, desde o levantamento anterior da série da
Quaest para a Rede Gazeta, publicado no fim de abril, esse índice só subiu dois
pontos percentuais, passando de 23% para os atuais 25%.
De abril para cá, mais gente passou a conhecer Ricardo (possivelmente,
como governador, dada a superexposição adquirida por ele uma vez no cargo)...
mas poucos ficaram sabendo que ele é o candidato de Casagrande.
Cruzando os dados acima, podemos afirmar que o número de
eleitores cientes da parceria político-eleitoral entre Casagrande e Ricardo
(25%) ainda não chega à metade do número de eleitores para os quais Casagrande “merece”
fazer seu sucessor (59%). O gap é de
34 pontos.
A conclusão inevitável é que Ricardo tem, neste aspecto,
grande margem para crescimento durante a campanha, à medida que as pessoas se
deem conta da ligação inextricável entre ele e Casagrande, com a presumível
exposição massiva dos dois lado a lado.
O que diz o próprio
Casagrande
Ouvido pela coluna sobre os resultados expostos acima, Casagrande avaliou como muito positiva, para a campanha de Ricardo, a informação sobre a presente discrepância entre quem acha que ele merece eleger o próximo governador e quem sabe que Ricardo é o candidato apoiado por ele.
Pré-candidato
ao Senado pelo PSB, o ex-governador confirma o “esforço de migração” (de
prestígio e de votos) como parte importante da estratégia traçada por eles.
“Essa é uma informação muito boa, pois prova que, até o
momento, pouca gente sabe que Ricardo é o meu candidato. Estamos fazendo esse
esforço de migração, levando ao conhecimento das pessoas que Ricardo é quem tem o meu apoio. Neste período de pré-campanha, estamos juntos quase todos os dias. A
campanha facilitará muito essa estratégia, com a propaganda eleitoral chegando às
pessoas.”
É provável que, durante o período oficial de campanha (a
partir de 16 de agosto), seja intensificada a estratégia de “colagem da imagem”
do atual governador à do ex, em comícios e atividades de rua, no material de
campanha, nas redes sociais e na propaganda eleitoral de rádio e TV (com
estreia em 28 de agosto). Segundo Casagrande, porém, o mais importante é que
sua própria campanha ao Senado e a de Ricardo ao governo estejam “casadas no
conceito”.
“Não precisaremos estar sempre juntos. Faremos agendas
casadas e outras em separado. O mais importante é que as campanhas serão casadas
do ponto de vista conceitual. O nosso conceito é o de ‘continuidade em
movimento’. Aonde eu for, levarei o nome do Ricardo. Aonde ele for, levará o
meu nome. Essa será a estratégia. E vamos aprofundá-la durante o período de
campanha.”
Pesquisa está registrada na Justiça Eleitoral
A pesquisa Quaest sobre o cenário eleitoral no Espírito Santo, contratada por A Gazeta, foi realizada entre os dias 10 e 13 de julho, com 804 entrevistas. O nível de confiança utilizado é de 95% e a margem de erro é de 3 pontos percentuais para mais ou para menos. Foram realizadas entrevistas pessoais por amostragem com utilização de questionário elaborado conforme os objetivos da pesquisa. As pessoas foram selecionadas para as entrevistas de acordo com as proporções na população de grupos de idade, sexo, raça/cor, instrução e atividade econômica. A pesquisa está registrada no Tribunal Regional Eleitoral do Espírito Santo (TRE-ES), sob o protocolo ES-07211/2026.