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Sem cura

'Estou morrendo', diz Pepe Mujica ao anunciar que câncer se espalhou

Aos 89 anos, ex-presidente do Uruguai afirma que não há expectativa de tratamento ou de cirurgia para a doença

Publicado em 09 de Janeiro de 2025 às 10:19

Agência FolhaPress

Publicado em 

09 jan 2025 às 10:19
SÃO PAULO - O ex-presidente uruguaio José "Pepe" Mujica, 89 anos, afirmou ao jornal local Búsqueda nesta quinta-feira (9) que o câncer de esôfago de que trata se espalhou para o fígado e que não há mais expectativa de contê-lo.
"Estou morrendo", disse ele ao veículo em sua chácara, em Rincón del Cerro, área rural de Montevidéu. "O câncer no esôfago está se espalhando para o fígado. Não consigo impedi-lo. Por quê? Porque sou um idoso e porque tenho duas doenças crônicas. Não posso nem fazer tratamento bioquímico nem cirurgia, porque meu corpo não aguenta."
"O que peço é que me deixem em paz. Que não me peçam mais entrevistas nem nada. Meu ciclo já terminou. Sinceramente, estou morrendo. E o guerreiro tem direito ao seu descanso", acrescentou.
José Pepe Mujica, ex-presidente do Uruguai
José Pepe Mujica foi presidente do Uruguai de 2010 a 2015 Crédito: AP
Mujica passou por uma cirurgia relacionada à doença em novembro. O procedimento instalou um stent, dispositivo metálico que se adere às paredes do tubo digestivo, no esôfago do líder. O equipamento, que se expande para permitir a passagem de comida, buscava facilitar a ingestão de alimentos por via oral depois que um exame mostrou um estreitamento do órgão afetado pelo câncer.
Mujica foi presidente do Uruguai de 2010 a 2015. Ex-guerrilheiro, é uma das figuras mais emblemáticas da esquerda na América Latina, tendo passado 13 anos preso em condições desumanas, grande parte durante a ditadura militar (1973-1985).
O líder anunciou a descoberta do tumor no final de abril do ano passado. Em uma entrevista à Folha de S.Paulo duas semanas depois, ainda no início do tratamento, afirmou que os médicos tinham considerado o câncer "controlável e até erradicável".
O ex-guerrilheiro aproveitou a presença do jornal naquela ocasião para tecer uma série de reflexões sobre a experiência humana. "Nossa maneira de lutar contra a morte é uma luta impossível que sempre perderemos, mas lutamos com amor", disse.

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