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Cativeiro

Entidades condenam treinamento 'cruel' de 'orca falante'

Universidade estudou cetáceo em cativeiro e demonstrou que animal imita palavras

Publicado em 02 de Fevereiro de 2018 às 11:07

Publicado em 

02 fev 2018 às 11:07
Orca é fotografada olhando para a treinadora no parque Marineland, em Antibes Crédito: Reprodução/ Site Aquário Marineland
A orca falante Wikie rodou o mundo ao vocalizar as palavras indicadas por sua treinadora, mas nem todos ficaram tocados com a demonstração científica. Duas associações de defesa dos animais marinhos viram "crueldade" no treinamento da "baleia assassina", ensinada em cativeiro a imitar o som do vocabulário humano. Pesquisadores da Universidade Complutense de Madri publicaram o estudo nesta quarta-feira.
Wikie vive em cativeiro no Aquário Marineland, em Antibes, no sul da França. Ela foi treinada para realizar truques para visitantes e acabou selecionada para o experimento por já ter aprendido a imitar gestos de comandos dos treinadores. Na visão do grupo britânico ORCA, dedicado à conservação do cetáceo, os estudos poderiam, e deveriam, ser conduzidos em animais selvagens, soltos em seu habitat natural, em vez das orcas capturadas.
"Infelizmente, pesquisas como essas serem conduzidas em cativeiro são outro exemplo do aprisionamento desnecessário dos cetáceos pelo mundo. Estudos recentes concluídos no habitat natural tiveram resultados similares, sem a necessidade de manter o animal enclausurado em um local inadequado para seu tamanho", defendeu a entidade em posicionamento reproduzido pelo diário "Metro".
Como parte do treinamento, a orca — conhecido popularmente como baleia assassina, apesar de ser da família dos golfinhos — foi exposta a sons nunca antes ouvidos feitos por outras orcas, com diferentes dialetos de diferentes grupos, para que fossem repetidos. Depois, vieram as palavras humanas.
Para o grupo ORCA, as "baleias assassinas" já eram conhecidas por replicar sons de outras espécies. Analisá-los soltos ajudaria, na visão da entidade, a apurar a sofisticação e a inteligência do animal, além de mostrar o quanto se pode aprender dele em seu habitat.
"Nós esperamos que, em um futuro próximo, nós veremos um fim para esse tipo de crueldade para que todos os cetáceos possam viver livres", frisa a entidade.
A dirigente da entidade Wild Dolphin Retreats, que luta pela mesma pauta, destacou ao jornal britânico que "concorda 100%" com o posicionamento da ORCA.
"Eu nado com golfinhos e baleias selvagens pelos últimos 20 anos. Você consegue obter tudo o que quer saber desses animais em seu próprio habitat. E eles não estão estressados. Quem somos nós para colocar essa incrível espécie na prisão? É cruel", frisou Jemma Prittie.
Pela capacidade de imitação, as espécies têm mais facilidade de adaptação a mudanças ambientais, o que aumenta as chances de sobrevivência. No caso das orcas, elas já haviam demonstrado o poder de imitar sons de golfinhos. Além dos papagaios, conhecidos pela habilidade de imitação, a capacidade de vocalização de palavras humanas já foi demonstrada em belugas, golfinhos, focas e elefantes asiáticos.
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