Publicado em 29 de outubro de 2024 às 20:46
Mais de 240 milhões de americanos estão aptos a votar na eleição presidencial dos EUA, que ocorre em 5 de novembro. >
No entanto, o número total de votos que Donald Trump ou Kamala Harris receberão não define o futuro presidente.>
Isso acontece porque, no país, ele não é escolhido de maneira direta, mas eleito por delegados que representam os Estados no Colégio Eleitoral.>
Mas, afinal, quem são esses delegados? >
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Nos Estado Unidos, os eleitores escolhem o Colégio Eleitoral — o órgão conta com 538 delegados distribuídos entre todos os Estados e Washington D.C., segundo a população e o número de parlamentares de cada Estado (incluindo a Câmara dos Deputados e o Senado).>
Na prática, isso significa que cada Estado tem um peso específico na eleição, como a Califórnia, que possui 55 delegados, enquanto um Estado menor como Washington tem apenas três.>
Os delegados são representantes dos partidos, que enviam uma lista dos selecionados antes da eleição. >
Eles "carregam" os votos de seu Estado no Colégio Eleitoral. Quando o eleitor vota, ele escolhe um candidato, mas, na verdade, está decidindo se o Colégio Eleitoral de seu Estado será composto por delegados republicanos ou democratas. >
Por exemplo, se Trump vence o voto popular em um Estado, os delegados escolhidos pelo Partido Republicano serão os representantes daquele Estado, e o mesmo vale para os democratas, se Harris vence. >
Após a contagem de votos em cada Estado, o candidato que somar 270 delegados entre os 538 possíveis vence a eleição.>
Em 48 Estados e em Washington D.C., funciona o sistema de "the winner takes all" ("o vencedor leva tudo"), no qual o candidato mais votado ganha todos os delegados daquele Estado, independentemente da margem de vitória.>
Ou seja, se um candidato vence, apenas os delegados de seu partido representarão o Estado no Colégio Eleitoral.>
Esse sistema foi criado para equilibrar os interesses entre os Estados menos populosos do Sul e os mais populosos do Norte, unindo a escolha democrática do voto popular com a representação igualitária de cada Estado na escolha presidencial.>
O sistema de Colégio Eleitoral foi criado como uma solução para acomodar tanto aqueles que queriam a saída da escolha via voto popular, quanto os interesses dos Estados do Sul — que, menos populosos, temiam sempre perder a Presidência para o Norte.>
A votação do Colégio Eleitoral ocorre na capital de cada Estado entre meados de novembro e dezembro.>
No entanto, geralmente, o novo presidente é anunciado no mesmo dia das eleições, durante a noite, após a apuração dos votos populares. >
Isso porque, na prática, os delegados seguem a decisão da maioria em seus Estados, e após a contagem de votos, já é possível saber o resultado.>
Segundo a Constituição dos Estados Unidos, os delegados não são obrigados a votar de acordo com a vontade dos cidadãos.>
Em alguns Estados, eles são livres para apoiar o candidato que quiserem, enquanto em outros são obrigados a votar no candidato que prometeram apoiar.>
Mas, por tradição, os delegados tendem a respeitar a decisão do voto popular e do seu partido. >
Segundo o Serviço de Investigação do Congresso dos Estados Unidos, até agora os delegados que mudam de lado não conseguiram alterar o resultado de nenhuma eleição presidencial.>
Em 2016, sete delegados — cinco democratas e dois republicanos — quebraram sua promessa de votar no candidato indicado pelo partido, o maior número já registrado na história. Eles votaram em candidatos que não estavam na cédula, mas isso não alterou o resultado.>
Alguns Estados possuem leis que exigem que os delegados votem no candidato escolhido pela população nas urnas. Há desde substituições dos representantes a punições para quem não seguir o voto popular.>
A questão sobre se os delegados poderiam mudar suas posições chegou até a Suprema Corte americana, que decidiu por unanimidade em julho de 2020 que os Estados podem exigir que os delegados cumpram a promessa de apoiar um candidato específico.>
Em uma disputa por 244 milhões de eleitores, é quase impossível que Harris e Trump empatem no voto popular. Mas como nos Estados Unidos a Presidência é definida pelo Colégio Eleitoral, os dois podem, sim, terminar empatados.>
Cada um dos 50 Estados tem um número fixo de delegados no Colégio Eleitoral, e, na maioria dos Estados, o candidato que vencer no voto popular leva todos os delegados.>
No entanto, Maine e Nebraska utilizam um sistema que permite a divisão dos delegados entre os candidatos, aumentando as possibilidades de um empate.>
Por exemplo, se Kamala Harris vencer nos Estados tipicamente democratas e ganhar Estados decisivos como Wisconsin, Michigan, Arizona e Nevada, além de um delegado em Nebraska, mas perder na Geórgia e Pensilvânia, ambos os candidatos poderiam terminar com 269 delegados.>
Este ano, há outras duas combinações possíveis que também resultariam em um empate.>
Se Trump levar a Pensilvânia, a Geórgia e a Carolina do Norte, mas perder um distrito do Maine (a outra exceção que divide seus delegados), o resultado também é empate. Um terceiro caminho é se Trump ganhar o chamado "Cinturão da Ferrugem" e Nevada.>
No entanto, essas combinações são improváveis porque Joe Biden venceu o segundo distrito de Nebraska por uma margem grande (6,5 p.p.), assim como Trump ganhou o segundo distrito do Maine por mais de 7 p.p.>
Há precedentes de empates nas eleições americanas: em 1800, Thomas Jefferson e Aaron Burr empataram. A Câmara dos Deputados teve de intervir e elegeu Jefferson como presidente.>
Em caso de empate hoje, a recém-empossada Câmara dos Deputados decide o presidente, enquanto o Senado escolhe o vice-presidente, ambos votando com base na maioria partidária de cada Casa.>
Também é possível que um candidato presidencial ganhe o voto popular, mas perca no Colégio Eleitoral. >
Isso aconteceu com o próprio Trump em 2016, que perdeu no voto popular para Hillary Clinton, mas conquistou o Colégio Eleitoral — e, portanto, a Presidência.>
Embora seja raro, é possível: aconteceu cinco vezes nos Estados Unidos.>
Tanto democratas quanto republicanos já foram beneficiados por esse método em diferentes anos eleitorais. Nos últimos pleitos, porém, a vantagem tem sido do Partido Republicano.>
Em 2000, o republicano George W. Bush também foi eleito, apesar de ter perdido o voto popular para o democrata Al Gore.>
Semanas antes da eleição oficial, milhões de americanos já haviam votado, graças a uma característica do sistema eleitoral dos Estados Unidos: o voto antecipado. >
Em quase todo o país, exceto em três Estados, os eleitores podem votar antes da data oficial, o que representa 97% do eleitorado. >
Essa antecipação é possível porque, nos EUA, a maioria dos Estados oferece várias formas de votação. Em oito Estados, por exemplo, os eleitores podem enviar seus votos pelo correio, sem precisar comparecer a uma seção eleitoral. >
Para quem for presencialmente, o sistema mais comum ainda é marcar a cédula manualmente, com caneta ou perfurador. Menos de 2% do eleitorado votará em urna eletrônica sem voto impresso, como é no Brasil.>
Curiosamente, há uma década, cerca de 25% dos eleitores americanos usavam máquinas de votação.>
Essa variedade de métodos existe porque, diferentemente do Brasil, não há um órgão federal centralizado responsável por organizar as eleições nem regras unificadas.>
Nos EUA, o voto não é obrigatório, e cada Estado define as regras para votar e para contar os votos.>
A contagem dos votos, inclusive, pode começar antes do dia da eleição, mas a divulgação dos resultados só ocorre após o fechamento das urnas em cada Estado. >
Em alguns Estados, é crime vazar informações de contagem antes do fim da eleição.>
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