Publicado em 13 de março de 2026 às 15:36
Autoridades de Cuba deram início a conversas com os Estados Unidos para resolver a atual crise na ilha, confirmou o presidente cubano Miguel Díaz-Canel em um pronunciamento televisionado à nação.>
Díaz-Canel afirmou que essas conversas, conduzidas por autoridades de ambos os países, "visam encontrar soluções, por meio do diálogo, para as diferenças bilaterais entre nossas duas nações".>
Ele disse que fatores internacionais "facilitaram essas trocas".>
O presidente cubano declarou que liderou as conversas pelo lado cubano, juntamente com o ex-presidente cubano Raúl Castro e outras autoridades de alto escalão do Partido Comunista e do governo. Ele não especificou quem fazia parte da delegação americana.>
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Os EUA já haviam indicado nas semanas anteriores que haviam iniciado conversas com o governo cubano, mas Cuba havia negado categoricamente. Na noite de quarta-feira (11/3), o governo cubano anunciou a libertação de 51 presos políticos, embora nenhum detalhe adicional tenha sido fornecido.>
Nos últimos meses, Cuba tem sofrido as consequências de graves apagões, que afetaram a indústria do turismo, uma das principais fontes de renda da ilha.>
Em 5 de fevereiro, o próprio Díaz-Canel alertou que Cuba estava perto de necessitar de "medidas extremas" devido à crise econômica, aos apagões cada vez mais frequentes e à escassez de combustível causada pelo embargo imposto pelo presidente dos EUA, Donald Trump.>
Alguns analistas dizem que Cuba atravessa a crise mais grave de sua história desde o triunfo da Revolução Cubana em 1959.>
Desde a incursão dos EUA na Venezuela em janeiro passado, na operação que terminou com a captura de Nicolás Maduro, o fornecimento de petróleo venezuelano para Cuba diminuiu drasticamente.>
O presidente dos EUA, Donald Trump, anunciou que vai impor tarifas a qualquer país que forneça petróleo à ilha.>
Essa escassez, aliada a uma rede elétrica obsoleta, causou graves apagões nas últimas semanas, afetando milhares de famílias cubanas e impactando o setor turístico cubano.>
Além disso, a falta de combustível levou muitas companhias aéreas a cancelarem seus voos para Havana. O turismo é a principal fonte de divisas do governo cubano, bem como um importante motor da economia local.>
Especialistas consultados pela BBC indicam que um dos objetivos de Trump é acabar com o regime que governa a ilha desde 1959.>
"As antigas estratégias de Washington em relação a Cuba não se aplicam mais, e quem ainda não entendeu isso terá uma surpresa", afirma o economista cubano Ricardo Torres.>
O presidente americano declarou que "Cuba está prestes a cair", intensificando a pressão sobre a ilha em seu momento de maior vulnerabilidade desde a Guerra Fria.>
Alguns analistas acreditam que um dos objetivos por trás da destituição de Maduro por Washington é justamente agravar indiretamente a crise econômica cubana.>
Em seu discurso, Díaz-Canel afirmou que a prioridade é resolver o problema energético do país.>
O presidente reconheceu que, devido ao que chamou de bloqueio energético dos EUA, nenhum carregamento de petróleo chegou a Cuba nos últimos três meses.>
Ele destacou que Cuba, que produz 40% do seu próprio petróleo, tem gerado sua energia, mas isso não é suficiente para atender à demanda do país.>
Díaz-Canel explicou que a falta de eletricidade afetou as comunicações, a educação e o transporte e que, como resultado, o governo teve que adiar cirurgias para dezenas de milhares de pessoas.>
"O impacto foi muito significativo", disse o presidente cubano.>
Nos últimos dias, o governo Trump havia autorizado a entrada de uma quantidade limitada de petróleo por "razões humanitárias".>
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