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Rússia

Coronavírus se espalha no Kremlin e atinge porta-voz de Putin

Porta-voz de Vladimir Putin, Dmitri Peskov, disse estar em tratamento, mas sem detalhes sobre condição; paíscomeça reabertura

Publicado em 12 de Maio de 2020 às 14:57

Redação de A Gazeta

Publicado em 

12 mai 2020 às 14:57
Putin está em exercício desde o ano 2000.
Presidente da Rússia, Vladimir Putin Crédito: Foto: Pixabay
Assim como na Casa Branca, o Kremlin entrou no radar da emergência do novo coronavírus. Depois do premiê e de dois membros do ministério, nesta terça (12) foi anunciada a internação do porta-voz de Vladimir Putin, Dmitri Peskov.
Figura carimbada em entrevistas coletivas do governo russo, Peskov é porta-voz de Putin desde 2000, quando o então presidente interino assumiu o primeiro de seus quatro mandatos presidenciais até aqui.
Nos meios políticos, ele é visto com um dos mais próximos auxiliares do líder. "Sim, eu fique doente e estou sendo tratado", disse Peskov à agência Interfax. Não há detalhes sobre sua condição.
Além dele, o primeiro-ministro Mikhail Michustin, os ministros Vladimir Iakuchev (Construção) e Olga Liubimova (Cultura), além do chefe de gabinete adjunto Serguei Kirienko já tiveram a Covid-19. Todos estão bem.
Segundo a agência Tass, Peskov, 52, disse que se encontrou pela última vez com Putin, 67, "há mais de um mês". O presidente despacha de uma residência oficial em Novo-Ogariovo, perto de Moscou, desde 1º de abril.
Putin o fez após ter feito uma visita ao principal hospital que trata da Covid-19 em Moscou, o Komunnarka. Ele cumprimentou o chefe clínico do órgão, Denis Protsenko, que ficou doente poucos dias depois do encontro.
O presidente russo tem sido alvo de questionamentos devido à sua condução da crise. Inicialmente, em fevereiro, Putin dizia que o problema estava contido devido a restrições a viajantes –e o fechamento completo da fronteira terrestre do país com a China, epicentro da pandemia.
O presidente comissionou Mikhail Sobianin, o prefeito de Moscou, para cuidar da organização do combate à crise. Isso foi visto como uma tentativa de tirar o foco sobre si, e aos poucos Putin começou a fazer pronunciamentos sobre a pandemia.
Politicamente, a crise acabou com os planos de Putin para 2020. A ideia era celebrar o 20º ano de sua chegada à Presidência, que por meio de uma mudança constitucional operada por ele em janeiro o permitirá tentar ficar no poder até 2036, a começar pelo adiado desfile dos 75 da vitória sobre a Alemanha nazista, no sábado passado (9).
O país passou por diversas quarentenas a partir de abril, e desde esta terça começou a relaxar as restrições. Isso tem sido bastante criticado: o país tem 232.243 casos da Covid-19, com todo o problema de subnotificação admitido pelo próprio Sobianin, e só perde no quesito para Espanha e Estados Unidos.
Há relativamente poucas mortes até aqui: 2.116, 14 por milhão de habitantes. Espanhóis registram 576 mortos por milhão, e americanos, 248. A questão assumida pelas próprias autoridades de saúde russas é na notificação dos óbitos: apenas quem morreu de causas diretamente ligadas ao coronavírus entram na conta.
A reabertura, que não será homogênea entre as 85 unidades federativas russas, segue algumas regras. Em Moscou, por exemplo, uso de máscara e luvas será obrigatório num primeiro momento.
Enquanto isso, o país lida com problemas com seus sistema de saúde: 17 pessoas internadas com a Covid-19 morreram em três incêndios recentes, por problemas relatados com ventiladores mecânicos obsoletos. Há queixas também sobre estudantes de medicina sendo forçados a trabalhar em hospitais por falta de pessoal.

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