Publicado em 11 de fevereiro de 2025 às 16:44
Um dos fatos incontestáveis da vida cotidiana é que é notoriamente difícil fazer um ovo cozido com perfeição.>
O café da manhã pode, muitas vezes, ser tornar uma decepção quando, depois de quebrar a casca do ovo e mergulhar a torrada no que você espera que seja uma delícia gastronômica, você descobre que a gema está seca e esfarelada ou, pior ainda, que a clara do ovo virou uma espécie de geleia viscosa e aguada.>
O problema é que a gema e a clara cozinham em duas temperaturas diferentes. A gema requer uma temperatura de apenas 65°C para cozinhar, enquanto a clara precisa de um pouco mais de calor, 85°C.>
Os métodos convencionais para cozinhar o ovo representam, portanto, um meio-termo entre essas duas verdades aparentemente incompatíveis.>
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Cozinhe um ovo a 100°C, e a clara logo vai ficar macia e no ponto certo. A gema, no entanto, vai ficar totalmente dura — o que não é um problema, se você gosta dela assim, mas é decepcionante se você quiser uma gema mole escorrendo.>
Outro método para cozinhar ovo, conhecido como sous vide, envolve colocar o ovo em banho-maria a temperaturas entre 60°C e 70°C por uma hora. Isso deixa a gema deliciosamente escorrendo, mas a clara pode ficar viscosa e transparente.>
Mas não se preocupe, porque os pesquisadores descobriram agora o método perfeito para cozinhar um ovo. Além disso, eles mostraram que o resultado não é apenas mais saboroso, como também é mais saudável para você.>
Em seu novo artigo, os pesquisadores — liderados por Pellegrino Musto, cientista do Conselho Nacional de Pesquisa da Itália, em Pozzuoli —, primeiro simularam o processo de cozimento dos ovos usando a dinâmica de fluidos computacional (CFD, na sigla em inglês).>
A CFD é a ciência que utiliza computadores para prever como os líquidos e gases fluem com base nas leis da física que os regem, como a conservação da massa, do momento e da energia.>
As simulações sugeriram um novo método, que provavelmente não é familiar para a maioria dos chefs e cozinheiros amadores, e que pode oferecer resultados superiores.>
A abordagem, que os autores chamam de "cozimento periódico", envolve alternar entre cozinhar o ovo em uma panela de água fervente mantida a 100°C, e colocá-lo em um recipiente com água morna mantida a 30°C.>
Para obter os melhores resultados, o ovo deve ser transferido entre as duas temperaturas a cada dois minutos por um período total de 32 minutos — então, provavelmente não é o mais adequado para cozinheiros amadores que gostam de entrar e sair da cozinha deixando o ovo sem supervisão.>
Mas, se você estiver disposto a se esforçar, as recompensas prometem ser enormes. Quando os cientistas testaram o novo método na vida real, o ovo resultante foi excepcional.>
Os pesquisadores confirmaram essa superioridade analisando a textura, as qualidades sensoriais e a estrutura química do ovo perfeitamente cozido usando Ressonância Magnética Nuclear e Espectrometria de Massa de Alta Resolução.>
Os resultados mostraram que os ovos cozidos periodicamente apresentavam uma gema mole semelhante à de um ovo sous vide — até aí tudo bem.>
No entanto, diferentemente dos ovos cozidos sous vide, a clara não estava fluida e crua — mas, sim, com uma consistência mais próxima à de um ovo cozido tradicionalmente.>
De acordo com os autores do artigo, isso provavelmente acontece porque, enquanto as temperaturas na clara do ovo cozido periodicamente variavam entre 35°C e 100°C durante o cozimento, a gema permanecia em uma temperatura consistente de 67°C durante todo o processo. >
Talvez o mais interessante seja que a análise química revelou que a gema dos ovos cozidos periodicamente continha mais polifenóis — um grupo de micronutrientes encontrados principalmente em plantas e aclamados por seus benefícios à saúde — do que os ovos cozidos por outros métodos.>
Esta classe de compostos é conhecida por suas propriedades antioxidantes e anti-inflamatórias. As plantas os produzem como uma defesa contra condições ambientais estressantes, como radiação UV, secas ou predação por insetos.>
No entanto, as pesquisas mostram cada vez mais que eles também podem beneficiar os seres humanos. >
Por exemplo, estudos epidemiológicos sugerem que a alta ingestão de polifenóis na alimentação está associada à redução do risco de doenças cardiovasculares, formas específicas de câncer e doenças neurodegenerativas.>
Mais um motivo para experimentar o "cozimento periódico" na próxima vez que quiser molhar sua torrada na gema do ovo no café da manhã.>
Leia a íntegra desta reportagem (em inglês) no site BBC Future.>
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