Publicado em 18 de novembro de 2021 às 14:47
O comitê consultivo de vacinas da Alemanha, conhecido como Stiko, recomendou nesta quinta-feira (18) a terceira dose da vacina contra a Covid-19 para todas as pessoas com mais de 18 anos. >
A medida responde à nova onda da pandemia no país, que assistiu ao número de novos casos da doença bater recorde nesta quarta (17). A primeira-ministra Angela Merkel descreveu a situação como "dramática".>
As doses de reforço devem ser administradas com uma vacina de RNA mensageiro (mRNA), como são as da Pfizer e da Moderna, e somente seis meses após ter sido tomada a segunda dose, detalhou o comitê. Ainda segundo o colegiado, uma redução do intervalo para cinco meses pode ser considerada em casos individuais.>
Também nesta quinta, o Bundestag (Câmara dos Deputados alemã) deve votar novas propostas de medidas restritivas para conter o avanço do coronavírus. Entre as restrições, estão a obrigação de comprovante de vacinação ou teste negativo para acessar o transporte público e os postos de trabalho.>
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O país ultrapassou a marca de 60 mil novos casos diários pela primeira vez desde o início da pandemia. O número, já preocupante, é considerado subnotificado por especialistas. Lothar Wieler, chefe do Instituto Robert Koch, voltado para o controle de doenças no país, afirmou que a situação da pandemia nunca foi tão séria como agora e que o número real de casos deve ser o dobro ou mesmo o triplo do que é registrado oficialmente, segundo informações da emissora alemã Deutsche Welle.>
Pouco mais de 67% da população do país está com esquema vacinal completo, e, desde o início da crise sanitária, 98,5 mil mortes por Covid foram registradas.>
Com a menor taxa de vacinação e o maior índice de infecção do país, a Saxônia, no leste da Alemanha, está considerando impor um lockdown parcial, com proibição de espetáculos de teatro, shows, bares e festas, além de impedir público em jogos de futebol, publicou o jornal Bild nesta quinta-feira.>
Reduto do partido da extrema direita Alternativa para a Alemanha (AfD), manifestantes antivacina protestaram na Saxônia contra os lockdowns. Uma pesquisa do Instituto Forsa apontou que metade dos não vacinados votou na AfD nas últimas eleições federais.>
"A coalizão [do governo] está pronta para impor uma clara e dura quebra de onda [de novos casos de Covid]", disse Michael Kretschmer, chefe do governo da região, ao parlamento nacional, de acordo com o Bild. Os detalhes das novas restrições serão acertados esta semana, disse.>
A atual onda de Covid-19 na Europa chega em um momento difícil na Alemanha, com a primeira-ministra Angela Merkel atuando como interina enquanto três outros partidos negociam para formar um novo governo após a eleição de setembro.>
Parcela dos conservadores próximos de Merkel pressiona para que o governo federal tome medidas mais duras, como a extensão do estado de emergência, que permite que o governo feche escolas e faça lockdowns sem consultar o parlamento.>
Em Freising, na Baviera, no sudeste do país, um hospital transferiu um paciente com Covid-19 para outra instituição no norte da Itália por falta de leitos, medida inédita na Alemanha desde o início da pandemia –nos 18 meses de crise da doença, os hospitais alemães foram regularmente solicitados a cuidar de pacientes de países europeus sobrecarregados.>
"Na semana passada tivemos que transferir um paciente para Merano [Itália] porque não tínhamos capacidade e os hospitais da Baviera ao redor também estavam lotados", disse Thomas Marx, diretor do hospital de Freising, cidade de 50.000 habitantes. "Estamos no limite de nossas capacidades">
Com uma taxa de incidência de 550 infecções por 100.000 habitantes em sete dias, a Baviera é uma das regiões mais afetadas por essa onda da doença.>
Áustria estuda ampliar lockdown com avanço da doença A possibilidade de novas restrições na Alemanha vem na mesma semana que a Áustria impôs um lockdown para os não vacinados, que poderão sair de casa apenas para atividades essenciais. Com 971,5 casos por 100 mil habitantes nos últimos sete dias, o país tem uma das taxas de infecções mais altas do continente.>
Entre as regiões mais atingidas do país estão justamente as províncias que fazem fronteira com a Alemanha, como a Alta Áustria, reduto do ultra-direitista Partido da Liberdade, e Salzburgo.>
"Se nenhum lockdown nacional for decretado amanhã, definitivamente terá que haver um lockdown de várias semanas na Alta Áustria junto com nossa província vizinha de Salzburgo a partir da próxima semana", disse Thomas Stelzer, governador conservador da Alta Áustria. "Temos muito, muito pouco espaço de manobra [com leitos de unidade de terapia intensiva]", disse ao parlamento local.>
O governo de Salzburgo, também liderado por conservadores, afirmou nesta semana que está se preparando para um cenário de falta de leitos de UTI disponíveis e confirmou que planeja um lockdown em conjunto com a província vizinha.>
Os governadores da Áustria farão uma reunião na sexta-feira (19) com o premiê, o conservador Alexander Schallenberg, e com o ministro da Saúde, Wolfgang Mueckstein, para discutir um lockdown nacional.>
As infecções diárias nesta quinta-feira atingiram um novo recorde, com 15.145 casos. Na onda de infecções mais grave antes da atual, o pico havia sido de 9.586 infecções.>
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