Publicado em 24 de novembro de 2024 às 15:44
A COP29 acabou com países em desenvolvimento reclamando que os US$ 300 bilhões (R$ 1,74 trilhão) por ano em financiamento climático que receberão até 2035 são uma "soma insignificante".>
Muitos países ricos na conferência climática da ONU ficaram surpresos com o fato de as nações em desenvolvimento estarem descontentes com o que parece ser um acordo enorme. >
Houve um avanço significativo na contribuição atual, de US$ 100 bilhões (R$ 580 bilhões) por ano.>
No entanto, o mundo em desenvolvimento, que havia pressionado por mais, não gostou da cifra final.>
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Houve reclamações de que o valor não era o suficiente e que era uma mistura de subsídios e empréstimos. E os países ficaram profundamente incomodados com a forma como as nações ricas esperaram até o último minuto para revelar suas cartas.>
"É uma quantia irrisória", disse a delegada da Índia Chandni Raina a outros delegados, depois que o acordo foi aprovado.>
"Este documento é pouco mais do que uma ilusão de ótica. Isso, em nossa opinião, não resolverá a enormidade do desafio que todos enfrentamos.">
No final das contas, o mundo em desenvolvimento foi obrigado a aceitá-lo, com muitos países ricos apontando para a chegada do presidente dos EUA Donald Trump no ano que vem, um conhecido cético climático, e argumentando que não conseguiriam um acordo melhor.>
Mas esse pacote também está sendo criticado pelo que revela da perspectiva do mundo mais rico.>
O argumento é que se você quer manter o mundo seguro em meio ao aumento das temperaturas, então as nações mais ricas precisam ajudar as economias emergentes a cortar suas emissões, porque é nelas onde 75% do crescimento nas emissões ocorreu na última década.>
Novos planos nacionais devem ser publicados no primeiro semestre de 2025 detalhando como cada país limitará sua emissão de gases nos próximos 10 anos.>
Um acordo em dinheiro mais generoso na COP29 sem dúvida teria tido um efeito cascata positivo nesses esforços.>
E em um momento de incerteza geopolítica e distração, manter os países unidos na questão climática deveria ser fundamental. >
A grande briga por dinheiro reabriu velhas divisões entre ricos e pobres, com uma raiva e amargura que eu não via há anos.>
Conduzir 200 países a um acordo intrincado sobre financiamento climático sempre seria uma tarefa difícil. Mas para o anfitrião Azerbaijão, um país sem histórico real de envolvimento no processo da COP, isso provou estar quase além deles.>
O presidente do país, Ilham Aliyev, não ajudou em nada ao descrever o petróleo e o gás como um "presente de Deus". Seus ataques contundentes - acusando a mídia, ONGs e políticos de "espalhar desinformação" - não melhoraram as coisas.>
O Azerbaijão segue o Egito e os Emirados Árabes Unidos como o terceiro estado autoritário consecutivo a sediar a COP, gerando preocupações sobre como os países anfitriões são selecionados.>
O Azerbaijão, como os Emirados Árabes Unidos, tem uma economia construída sobre exportações de petróleo e gás, o que parece estar em desacordo com um processo que visa ajudar o mundo a se afastar do carvão, petróleo e gás.>
Em particular, muitos negociadores experientes falaram de sua frustração com o que alguns chamaram de pior COP em uma década. >
No meio da reunião, vários líderes climáticos escreveram uma carta pública dizendo que a COP não estava atingindo seus objetivos e pedindo reformas.>
Com o papel dos EUA em futuras negociações climáticas em dúvida por causa de Trump, a atenção mudou para quem pode se tornar o verdadeiro líder climático na esperada ausência dos EUA nos próximos quatro anos.>
O sucessor natural é a China.>
O maior emissor de carbono do mundo ficou em grande parte em silêncio na COP deste ano, apenas mostrando sua mão para dar detalhes pela primeira vez sobre a quantidade de financiamento climático que dá aos países em desenvolvimento.>
A China ainda é definida pelas Nações Unidas como um país "em desenvolvimento", o que significa que não tem obrigação formal de cortar as emissões de gases de efeito estufa ou fornecer ajuda financeira aos países mais pobres.>
No entanto, a China concordou com uma fórmula no acordo financeiro que permitiria que suas contribuições fossem contabilizadas no fundo geral para países vulneráveis ao clima, de forma voluntária.>
No geral, um movimento que está sendo visto como muito hábil e eficaz.>
"A China está se tornando mais transparente sobre seu apoio financeiro aos países do sul global", disse Li Shuo, do Asia Society Policy Institute.>
"Isso deve impulsionar o país a desempenhar um papel maior no futuro.">
Embora ele não estivesse lá, a presença de Trump foi sentida em toda a COP.>
Um elemento comum entre os negociadores em Baku foi a necessidade de garantir que um segundo governo Trump não anulasse anos de negociações climáticas cuidadosas.>
Portanto, não foi nenhuma surpresa ver que as nações mais ricas queriam se comprometer a levantar fundos até 2035. Eles acreditam que estabelecer essa data permitirá que os EUA contribuam novamente quando Trump deixar o cargo.>
Da mesma forma, o esforço para aumentar a base de contribuintes foi feito com Trump em mente.>
Trazer a China para a mesa, mesmo que voluntariamente, será usado para mostrar que vale a pena se envolver em fóruns internacionais como a COP.>
"Ninguém acha que Trump na Casa Branca será algo além de prejudicial ao regime climático multilateral", disse Michael Jacobs, pesquisador sênior visitante da organização ODI Global.>
"Mas este acordo foi sobre tentar limitar os danos o máximo possível.">
Uma tendência muito notável na COP29 foi a postura às vezes mais agressiva tomada por muitas ONGs e ativistas ambientais.>
Eu mesmo testemunhei isso quando o enviado climático dos EUA, John Podesta, foi expulso de uma área de reunião com cânticos de "vergonha" ecoando em seus ouvidos.>
Muitos países em desenvolvimento contam com o apoio dessas ONGs ao lidar com eventos complexos como a COP.>
Durante as negociações, houve uma forte pressão de muitos desses ativistas para uma rejeição total de quase qualquer acordo.>
Da mesma forma, na plenária final, quando todos os países aceitaram o texto financeiro, houve aplausos quando palestrantes de várias nações se manifestaram contra o acordo, após o golpe de martelo.>
O ativismo de confronto e o debate tenso se tornarão a nova norma em uma conferência climática diplomática?>
Teremos que esperar a próxima COP para ver.>
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