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A fala polêmica de Timothée Chalamet, favorito ao Oscar e concorrente de Wagner Moura, que pode custar posto de 'queridinho de Hollywood'

A fala polêmica de Timothée Chalamet, favorito ao Oscar e concorrente de Wagner Moura, que pode custar posto de 'queridinho de Hollywood'

A reação contra Timothée Chalamet vai além de suas opiniões sobre balé e ópera? Para fãs, trata-se de uma 'campanha de difamação'.

Publicado em 10 de março de 2026 às 12:09

Imagem BBC Brasil
Timothée Chalamet passou meses como favorito ao Oscar de melhor ator, mas já não é mais Crédito: EPA

Até muito recentemente, Timothée Chalamet era o "queridinho" de Hollywood e um dos favoritos para ganhar o Oscar de melhor ator no domingo (15/3). Será então que a recente onda negativa contra ele vai além de suas opiniões polêmicas sobre balé e ópera?

Quando Chalamet disse recentemente que "ninguém mais liga" para balé ou ópera, ele claramente não esperava que as pessoas se importassem o suficiente com o comentário para provocar tanta controvérsia. Mas estava enganado.

Descobri que muitas pessoas têm opiniões fortes sobre balé e ópera, e ainda mais sobre o próprio Chalamet.

"Ele é um completo idiota", disse o apresentador e crítico de teatro e artes Ian Brown à BBC Radio London no sábado (28/2). "Eu simplesmente acho ele ridículo, e suspeito que isso ainda possa voltar para assombrá-lo."

Enquanto isso, o podcast de cultura pop The Spill intitulou seu novo episódio "Why we're officially done with Timothée Chalamet" ("Por que estamos oficialmente cansados de Timothée Chalamet", em tradução livre) e levantou a pergunta: "A era Timothée chegou oficialmente a um fim abrupto?".

'Ataques baratos'

Os comentários de Chalamet podem ter sido infelizes, mas eles são quase inocentes se comparados com falas ou atitudes bem mais comprometedoras que causaram rebuliço em Hollywood ao longo dos anos.

Em uma longa entrevista no mês passado com o também ator Matthew McConaughey, que interpreta seu pai no filme Interestelar (2014), Chalamet aparentemente tentava argumentar que não gostaria de estar fazendo filmes se essa arte se tornasse uma atividade de nicho, para minorias.

"Eu não quero trabalhar com balé ou ópera ou coisas assim, em que se diz: 'Vamos manter isso vivo mesmo que ninguém mais ligue para isso'", afirmou.

"Todo respeito às pessoas do balé e da ópera", acrescentou rapidamente, percebendo como suas palavras poderiam repercutir. "Acabei de perder '14 centavos' de audiência. Droga, acabei criticando sem necessidade."

Artistas e companhias de balé e ópera reagiram em defesa dessas artes.

"Fazer ataques baratos contra outros artistas diz mais nesta entrevista do que qualquer outra coisa que ele pudesse dizer", respondeu a cantora de ópera americana Isabel Leonard. "Revela muito sobre o caráter dele."

Alguns reagiram com classe. A Seattle Opera, por exemplo, ofereceu 14% de desconto em ingressos para assistir a ópera Carmen usando o código promocional TIMOTHEE. "Timmy, você também pode usar", disseram.

A ópera e o balé têm públicos fiéis, mas pode haver algum fundamento no ponto levantado por Chalamet.

Uma pesquisa oficial sobre frequência a eventos culturais nos Estados Unidos, realizada a cada cinco anos, mostrou que apenas 0,7% da população foi à ópera ao menos uma vez em 2022, uma queda em relação aos 2,2% registrados em 2017. Já o balé e outras apresentações de dança ao vivo caíram de 8,2% para 4,7% no mesmo período.

Embora alguns tenham acusado Chalamet de mirar em alvos mais frágeis da cultura, ele pode falar com algum conhecimento de causa — o ator já falou com admiração sobre sua avó, sua mãe e sua irmã, todas bailarinas.

O momento das declarações provavelmente também contribuiu para a reação negativa, já que a cerimônia do Oscar está próxima e Chalamet concorre ao prêmio de melhor ator pelo filme Marty Supreme (2025).

Chalamet fez os comentários há mais de duas semanas, mas eles começaram a atrair atenção no início da semana passada, e a reação foi crescendo ao longo dos dias.

O fato de isso ter coincidido com o fim da votação do Oscar pode ou não ter sido coincidência. O Club Chalamet, maior conta de fãs do ator no Instagram, afirmou que se tratava de uma "campanha de difamação" para prejudicar suas chances de vencer o prêmio.

Ele concorre com nomes como Michael B. Jordan (Pecadores), Leonardo DiCaprio (Uma Batalha Após a Outra) e Wagner Moura (O Agente Secreto).

Perdendo força

Alex Ritman, chefe do escritório londrino da revista Variety, diz que a controvérsia atingiu o auge depois do encerramento da votação do Oscar na quinta-feira (26/2), portanto provavelmente não terá "grande impacto" no resultado.

Mesmo assim, a maré já vinha se voltando contra Chalamet na corrida ao Oscar depois que ele não venceu dois dos principais prêmios preparatórios recentes: o Bafta e o Actors Awards.

"Tudo depende do impulso à medida que você entra na reta final e vê como as coisas estão se desenhando", diz Ritman. "Ele foi claramente favorito por muito tempo, e então, quando todas as premiações começam a acontecer uma após a outra, você consegue ter uma noção melhor do cenário."

Chalamet quase se tornou o mais jovem vencedor do Oscar de melhor ator no ano passado (por sua interpretação de Bob Dylan em Um Completo Desconhecido) e, tendo completado recentemente 30 anos, seria o segundo mais jovem vencedor se levantar a estatueta neste fim de semana.

Rehna Azim, editora de premiações do site Movie Marker, está no "Time Timothée".

"Acho bom que Timothée tenha dito algo interessante em vez das mesmas respostas neutras e seguras que muitos atores dão", afirma. "Acho que ele ainda deveria ganhar o Oscar. Eu acho que ele merece."

"Ele é muito bom com os fãs, é um grande ator, e continua sendo um ator interessante — e eu odiaria ver isso acabar porque algumas pessoas na internet resolveram criticá-lo, já que agora virou moda criticá-lo."

Imagem BBC Brasil
Os eventos de divulgação de Marty Supreme, incluindo quando ele apareceu com roupas laranja combinando com a namorada Kylie Jenner, chamaram atenção, mas podem ter tido o efeito contrário Crédito: Reuters

Quando se trata do Oscar, os favoritos costumam atrair mais escrutínio do que qualquer outro candidato.

A atriz irlandesa Jessie Buckley, vista como favorita absoluta ao prêmio de melhor atriz por Hamnet, tentou recentemente minimizar uma pequena polêmica depois de dizer que havia ameaçado se desfazer de seus gatos porque eles haviam feito cocô em seu travesseiro.

Ambos "quase escândalos" são simplesmente "um sinal de que a temporada do Oscar está longa demais", sugere Michael Schulman, autor do livro Oscar Wars (As Guerras do Oscar, em tradução livre), de 2023.

"Todo mundo teve oportunidades demais de ficar diante de um microfone falando o que vier à cabeça, e estamos ficando sem assunto."

Nem tudo que vira polêmica durante a corrida ao Oscar é resultado de truques sujos, acredita Schulman. "Não acho que os estrategistas do Oscar sejam tão poderosos assim."

Chalamet "merece um Oscar", acrescenta Schulman, mas muitas pessoas "ficaram um pouco decepcionadas com ele nas últimas semanas", mesmo antes da controvérsia atual.

"Acho que isso tem muito a ver com a imagem que ele vinha apresentando para promover o filme, a de um jovem imaturo cheio de arrogância", diz Schulman.

"Foi engraçado e funcionou muito bem para levar o público ao cinema, mas houve uma transição estranha para a temporada de premiações, onde ele tentou adotar um tom mais reverente e humilde. Só que acho que as pessoas já estavam apegadas a imagem dele de arrogante em Marty Supreme."

"Agora ele passa a imagem de jovem e arrogante, e ninguém vai correr para dar o prêmio de melhor ator a alguém jovem e desagradável. Então acho que as coisas não estão saindo exatamente como ele gostaria."

Imagem BBC Brasil
Chalamet não venceu nenhum grande prêmio desde o Globo de Ouro em janeiro Crédito: Reuters

Embora Schulman acredite que a imagem adotada por Chalamet durante a turnê de divulgação de Marty Supreme tenha sido em grande parte uma atuação, ela deixou muitas pessoas confusas.

Ele é realmente uma celebridade ousada que namora estrelas de reality show ou um ator humilde e sério?

Ou talvez ambos: um ator excelente e sério que pode soar arrogante quando não esconde o desejo de ganhar um Oscar e se tornar "um dos grandes", que namora Kylie Jenner (da família Kardashian) e é muito bom em ações promocionais para divulgar seus filmes.

Outros fatores podem, na verdade, ter mais peso na corrida pelo Oscar do que o "escândalo" da ópera e do balé, por exemplo, o desconforto provocado por relatos de que uma jovem de 17 anos foi escalada para interpretar uma prostituta — e fazer uma cena com sexo e nudez — em um filme anterior dirigido por Josh Safdie, diretor de Marty Supreme. Segundo relatos, o diretor não sabia a idade dela até depois que a cena foi filmada.

Também houve uma mudança de apoio em direção a Pecadores, especialmente após o Bafta, quando os astros do filme, Michael B. Jordan e Delroy Lindo, foram elogiados pela compostura depois que um convidado com síndrome de Tourette gritou involuntariamente um insulto racial enquanto eles estavam no palco.

As chances de Jordan vencer o prêmio de melhor ator no domingo, a grande noite de Hollywood, agora passam de 50%, segundo o site de previsões Gold Derby, enquanto Chalamet aparece com 34%. Wagner Moura, por sua vez, tem cerca de 11%, de acordo com essas previsões, que têm variado bastante à medida que a cerimônia do Oscar se aproxima.

"Mas Chalamet ainda pode vencer", diz Schulman.

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