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Leonel Ximenes

Motoristas já reclamavam do trânsito há 68 anos em Vitória

Segundo jornal de 1952, principais queixas estavam relacionadas à movimentação no Centro da Capital, gargalo até hoje não superado

Publicado em 29 de Fevereiro de 2020 às 05:00

Públicado em 

29 fev 2020 às 05:00
Leonel Ximenes

Colunista

Leonel Ximenes Leonel Ximenes
Jornal Folha do Povo, de 1952, com textos críticos sobre a qualidade de vida em Vitória Crédito: Reprodução
O trânsito de Vitória já é alvo de reclamação há pelo menos 68 anos, conforme consta em edição do antigo jornal vespertino “Folha do Povo”, comandado à época por Armênio Clóvis Jouvin. As principais queixas estavam relacionadas à movimentação no Centro da Capital, gargalo até hoje não superado.
Artigo de 6 de fevereiro de 1952 do periódico, publicado na seção “Coisas da Cidade”, constata que “dentre as inúmeras coisas que estão a exigir urgente solução, inclui-se, inegavelmente, a questão do tráfego”.
O texto ressalta que o bonde, meio de transporte público mais utilizado à época, já não atendia às exigências da população e o seu preço nem era tão atrativo assim, “mas que não o é pelo descaso com que a Central Brasileira serve o povo”, aponta o artigo. Naquela época, meia dúzia de empresas usavam ônibus para levar passageiros de um lado para outro na Capital.
Com uma população de 51.329 moradores em 1950, catalogada pelo recenseamento do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Vitória, segundo o artigo, convivia com a imprudência de “ases do volante”, “transformando as nossas limitadas ruas em pistas de corridas, como que desafiando a perícia dos Landi, Fangio e outros”. Chico Landi foi o primeiro brasileiro a correr na Fórmula 1 e o argentino Juan Manuel Fangio conquistou a taça por cinco vezes (1951, 1954, 1955, 1956 e 1957).

ESTACIONAMENTO IRREGULAR NA COSTA PEREIRA

Velho conhecido problema também é o estacionamento. Na região da Praça Costa Pereira, que hoje conta com rotativo, os carros se enfileiravam dois a dois em determinado momento do dia, prejudicando a mobilidade.
Além do transporte coletivo, outra bronca é relatada, já na edição de 13 de fevereiro do mesmo ano: malha hoteleira e restaurantes. “Estamos reduzidos a pouquíssimos hotéis, e que oferecem um mínimo de comodidade e conforto”. Já sobre os restaurantes, uma realidade semelhante: “E os restaurantes? Nem um sequer permanecem abertos até digamos 1 hora da madrugada. Uma vida noturna provinciana possui a capital espírito-santense”, critica o texto.

Leonel Ximenes

Leonel Ximenes Leonel Ximenes

Iniciou sua história em A Gazeta em 1996, como redator de Esporte e de Cidades. De lá para cá, acumula passagens pelas editorias de Polícia, Política, Economia e, como editor, por Esportes e Brasil & Mundo. Também atuou no Caderno Dois e nos Cadernos Especiais e editou o especial dos 80 anos de A Gazeta. Desde 2010 é colunista. É formado em Jornalismo pela Universidade Federal do Espírito Santo.

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