O
trânsito de Vitória já é alvo de reclamação há pelo menos 68 anos, conforme consta em edição do antigo jornal vespertino “Folha do Povo”, comandado à época por Armênio Clóvis Jouvin. As principais queixas estavam relacionadas à movimentação no Centro da Capital, gargalo até hoje não superado.
Artigo de 6 de fevereiro de 1952 do periódico, publicado na seção “Coisas da Cidade”, constata que “dentre as inúmeras coisas que estão a exigir urgente solução, inclui-se, inegavelmente, a questão do tráfego”.
O texto ressalta que o bonde, meio de transporte público mais utilizado à época, já não atendia às exigências da população e o seu preço nem era tão atrativo assim, “mas que não o é pelo descaso com que a Central Brasileira serve o povo”, aponta o artigo. Naquela época, meia dúzia de empresas usavam ônibus para levar passageiros de um lado para outro na Capital.
Com uma população de 51.329 moradores em 1950, catalogada pelo recenseamento do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Vitória, segundo o artigo, convivia com a imprudência de “ases do volante”, “transformando as nossas limitadas ruas em pistas de corridas, como que desafiando a perícia dos Landi, Fangio e outros”. Chico Landi foi o primeiro brasileiro a correr na Fórmula 1 e o argentino Juan Manuel Fangio conquistou a taça por cinco vezes (1951, 1954, 1955, 1956 e 1957).
Velho conhecido problema também é o estacionamento. Na região da Praça Costa Pereira, que hoje conta com rotativo, os carros se enfileiravam dois a dois em determinado momento do dia, prejudicando a mobilidade.
Além do transporte coletivo, outra bronca é relatada, já na edição de 13 de fevereiro do mesmo ano: malha hoteleira e restaurantes. “Estamos reduzidos a pouquíssimos hotéis, e que oferecem um mínimo de comodidade e conforto”. Já sobre os restaurantes, uma realidade semelhante: “E os restaurantes? Nem um sequer permanecem abertos até digamos 1 hora da madrugada. Uma vida noturna provinciana possui a capital espírito-santense”, critica o texto.